terça-feira, 27 de setembro de 2011

NEUROTIKAS FEST 3 - CESAR BAR, ITAIM PAULISTA, 11/09/2011

Flyer do baguio (Pensou que era o que, porra?)



E quem achava que as meninas do Coletivo Neurotikas tinham parado, desanimado, ou deixado tudo de lado se enganaram! Afinal de contas, esta gig da presente resenha marcou o Terceiro aniversário de Lutas, Ativismo e Ação Direta deste coletivo, muito invejado e criticado, mas que enquanto todos falam, elas vão lá e continuam fazendo.

Sim, o coletivo deu uma diminuída nas atividades, até porque no presente momento trata-se de um Trio, sendo que no primeiro aniversário do coletivo haviam 9 pessoas no mesmo. Observando desta forma, podem até pensar: A tendencia é acabar, é piorar, certo? ERRADO! O tempo passou e cada vez mais as meninas mostram que o que importa de fato na cena é Qualidade, e não quantidade. Pra quem queria saber delas (ou pro desprazer de quem torcia contra), esta Gig serviu pra mostrar a grandeza de coisas feitas com o coração e com toda simplicidade - Mas carregadas de sinceridade.

Esta gig foi realizada numa semana muito conturbada pelas tensões pós-Cock Sparrer. Como citado no post anterior, A mídia banhou a sociedade de groselha, cuspida da boca dos Gordos falastrões da hora do rush, que clamavam aos pais e mães que não deixassem seus filhos virarem Punks ou skins ou sei lá, falando com propriedade sobre assuntos que nada entendem. Passava-se por minha cabeça a seguinte dúvida: Será que vai dar merda? Será que vai ter polícia enchendo o saco? Por outro lado, pra que se preocupar com essas coisas se o que realmente importava ainda não estava ok: A aparelhagem?

A semana toda atrás de vários contatos, imaginando inúmeras possibilidades de como fazer com a parte da voz do evento. Eis que no dia anterior, o Babão, do Lokaut, consegue esta preza para nós e a PA de voz estava garantida, proporcionando maior qualidade ao evento. Agora restava só fazer o "pião" de levar os amplis de guitarra e baixo nas costas e esperar o dia chegar.

No dia do evento, logo cedo já estávamos lá para acertar direitinho os últimos detalhes do evento. O flyer apontava o início para as 13 hs, mas já estávamos cientes que a aparelhagem de voz só chegaria por volta das 16 horas. Neste meio tempo então, enquanto eu organizava o palco com o que tinha e metia discotecagem nas caixas de som, as meninas do Coletivo se empenhavam na montagem dos esquemas de cobrança, sinalização, Exposição de fanzines e mural de fotos,portaria e decoração do espaço - Sim, decoração e com bexigas, era uma festa acima de tudo, porra! E enquanto isso o público e as bandas foram chegando e se acomodando no Cesar bar, em suas simpáticas mesas e cadeiras improvisadas e se divertindo nas duas mesas de bilhar da casa dos punks da zona leste, sem falar do povo que aliviava a larica com o Rango Vegan trazido pela Ex-Neurotika Sarah.

Eis que umas 14:30, quando o barulho inofensivo da discotecagem era o único ruído relevante da casa ainda, surge uma viatura que encosta milimetricamente em frente ao Cesar Bar. Lá vai eu pra qualquer pai nosso da vida me identificar como responsável pelo evento, já ciente que como aquilo nunca aconteceu e nunca acontecerá jamais naquele local e horário, fui conferir o motivo da visita "Ilustre". O pracinha então me relata que foi uma denúncia causada pelo barulho (!) e que o evento teria que parar (e oficialmente nem tinha começado ainda). E lá vai eu ser simpático mas ao mesmo tempo realista com o policial pra explicar que a gente faz evento ali naquele local há quase três anos e que ninguém nunca denunciou e portanto não seria algo realmente procedente. Conversa vai, conversa vem, a viatura se vai, sob a ameaça de uma nova denuncia parar o som e recolher os equipamentos e três coisas passaram-se por minha cabeça: Ou aquela viatura foi mandada pela delegacia mais próxima, em virtude da caça ás bruxas promovida pela mídia; Ou alguém que já foi escarrado dali resolveu fazer isso para boicotar o evento, sem sucesso; Ou denunciaram de verdade mesmo mas quando ouviu o barulho rolando se sentiu derrotado hahaha.

Por volta das 16 horas então chega a aparelhagem de voz, que, montada rapidamente no palco onde o restante do equipamento necessário ja se encontrava montado, possibilitou á primeira banda que iniciasse sua apresentação tão logo os últimos ajustes fossem realizados. E o nome da banda que abriu o evento era... Coriza! Uma excelente banda que está se reerguendo com o novo Guitarrista Renato (ex- Caos Cerebral), que por mais que ainda não apresente tanta técnica como os guitarristas anteriores, está se adaptando muito bem á banda, que em contrapartida simplificou um pouco seu som, perceptível nas músicas novas apresentadas e reformulações de outras mais antigas, mas sem perder a pegada e a energia que fazem da apresentação da banda o legítimo convite ao pogo! Ótima apresentação. E vem demo nova por aí! No Aguardo!

Segunda banda a se apresentar, foi a vez do Subviventes, que fez o já cheio salão do Cesar Bar ir abaixo. Afinal esta banda quando toca também não deixa ninguem parado. E os ali presentes permaneceram do inicio ao fim da apresentação da banda, cantando junto os clássicos da banda e proporcionando uma cena meio que rara no cesar: Salão cheio e com todo mundo curtindo na paz. Muita gente chegou pra ver o subviventes um pouco mais tarde, mas a banda ainda tinha outro show em diadema algumas horas depois. Parabens pelo som e pela postura dos Subviventes!

Em seguida, foi a vez do Vingança 83. Apresentação Curtíssima, em razão de estarem com um baterista substituto, pela óbvia razão do batera deles não poder comparecer. Mas a apresentação não deixou a desejar e a galera presente curtiu o hardcore violento do grupo.

A quarta banda foi o Lokaut. E como todo mundo já sabe o que vou falar, dispensa apresentações. Mas este show em especial surpreendeu até mesmo o pessoal da banda, vendo o grande número de pessoas que participaram do show, cantando os sons da banda, subindo no palco, pulando e tudo o mais. Mais um passo dado por esta banda que soltou músicas do Novo CD pra galera ouvir na web, e que promete ser o melhor lançamento do ano.

Quinta Banda, mais uma vez a galera do Amnésia Coletiva veio de Jacareí para mais um show no Cesar Bar, porém, sem o batera Michu que não pode vir em virtude de uns compromissos de força maior. Mas o Cesar, nosso até então ex-guitarrista declarado que faria o ultimo show com o pé sujus logo em seguida segurou a bateria pros nossos queridos amigos. Esta é a vantagem de se gravar um split! Por mais que as músicas saíssem um pouco fora do tempo, coisa natural em improvisações e falta de ensaio, tudo correu bem e como o Chu estava atrasado como sempre, a banda foi metendo cover do punk nacional na cabeça do povo pra encher linguiça, afinal o repertório já havia sido encerrado hahaha.

Enfim, começa a última banda. E por mais que seja minha banda e que você fiel leitor pense que este blog é mais uma ferramenta de promoção da mesma (do jeito que tá parece mesmo haha), digo que foi uma apresentação Histórica. Já seria de qualquer forma, afinal seria o último show do Cesar, o integrante mais antigo da banda depois de mim. Mas foi Surpreendente. Após tocar a primeira música, quando anunciei a segunda ele me toma o microfone e começa a discursas, falando do amor que tem pela banda e coisa e tal, aquela pieguice de quem deixa a banda. Eis que ele diz que permanecerá na banda, e eu ao mesmo tempo não sei se enchia ele de porrada ou se dava um abraço nele. Na dúvida, fomos tomados de alegria e descarregamos tudo neste show, que com o salão lotado, fez meu olhos verem uma cena inesquecivel de todo mundo pogando, cantando, pulando com uma alegria sem igual. Eis que antes da música "Morre Brasil", relembro uma pessoa que fez desta canção de minha autoria uma de suas músicas favoritas e a transformou em trilha sonora de diversas manifestações de rua, como também seu refrão ser entoado durante as passeatas: Johni Galanciak. Foi pedido um minuto de silêncio, devidamente respeitado e até fazendo algumas pessoas saírem do salão por quase não conseguirem conter as lágrimas. Cisão, Sempre ele grita do Fundo "ÊRA JOHNI", repetido em uníssono por todos os presentes, seguida de uma salva de palmas estrondosas que já incitaram o Batera Chu a iniciar esta canção. Um momento que jamais sairá de minha memória mesmo. Punk rock também é emoção! E assim seguiu a apresentação até o final com tudo correndo bem.

Saldo Final: Todas as despesas de aluguel de equipamento pagas, Assim como todas bandas tomaram um goró e ainda sobrou uma graninha pro coletivo xerocar seus fanzines ao longo do ano - Lembrando que quando se paga entrada em show punk você está SIM investindo na cena e o retorno é palpável, audível e concreto. Bastante doações de roupas arrecadadas e já devidamente encaminhadas a seus destinatários: Moradores de Rua. Nenhuma briga. Nenhum prego arrastou, afinal ficaram todos do lado de fora. Principios de bate boca se limitaram ao ambiente da calçada pra fora, onde os que tinham alguma esperança de que a portaria fosse liberada permaneciam ali esperançosos de que pudessem adentrar ao som que eu, pessoa que eles Odeiam, organizo. E pelo fato de me odiarem sempre fazem questão de fazer merda. Portanto, tô suave de ter dó de quem só quer me ver pelas costas, na moral, enfiem a dentadura no cú e sorri pro caraio, como diria nosso mestre Away!

A banda Phobia Punk Rockers não tocou, em razão do Vocalista ter batido o carro durante o caminho para o som ainda em São José dos Campos, sua cidade, mas nada demais ocorreu com o mesmo, apenas com o carro. Porém o Guitarrista Demente (também do Juventude Maldita) foi até o som para dar uma satisfação e principalmente tomar uma pinga conosco e curtir o evento. E enfim, se este evento teve a grandeza que teve, foi graças ao coletivo Neurotikas mais uma vez, que empenhadas na divulgação e nas correrias complementares do som, pode escrever mais esta página em sua história e inserir mais um grande acontecimento em seu Currículo. É nois nessa porra sempre, meninas. E quem fala mal delas automaticamente fala mal de mim, hein!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

COCK SPARRER - CARIOCA CLUB, SÃO PAULO, 03/09/2011 - E SUAS CONSEQUÊNCIAS...

Flyer do Evento

Cock Sparrer ao Vivo!

Valeu Johni! ÊRAAAA!!!



Faz tempo que não coloco resenha de show gringo nessa bagaça. Também, pudera, ando mais duro do que pau de tarado e não tenho tanta grana para ficar investindo nesses luxos. Este ano fui só no Stiff Little Fingers, que a resenha que melhor resume o que foi o show você pode conferir no excelente blog do meu amigo Danillo Santos, o Inflamable Material (Link da Resenha: http://inflamablematerial.blogspot.com/2011/08/stiff-little-fingers-em-sao-paulo.html), e neste show o qual não só irei resenhar a apresentação da banda Cock Sparrer, como também as consequencias dos fatos relacionados a este evento.

Era, com certeza, o Show Gringo mais aguardado do ano. Afinal, a expectativa pela apresentação da banda era grande há anos, com os rumores e possíveis datas que eram apontados e depois esquecidos. Mas, com o flyer circulando, a alegria de ver esta clássica banda estaria garantida. Ao mesmo tempo que muita gente já começava a fazer circular os burburinhos de treta entre Punks e Carecas e Nazis e Cosplayers de punk e por aí vai. Era mais do que óbvio a circulação desses papos pela internet e pelo rolê em geral, afinal com certeza este evento juntaria Todos tipos de Punks e Skins imagináveis tudo em um mesmo local. Mas há quem tenha a mentalidade que o show é do Cock Sparrer, e não do público Brigando. Afinal, quem estava ali para ver o Cock Sparrer tocando por algumas horas esqueceu que era Punk, ou Careca, ou sei lá mais o que fosse. O que importava mesmo era o Show, era fazer valer o preço pago pelo ingresso.

Cheguei no local do show cerca de uma hora antes da apresentação da banda, programada para estar no palco ás 20 horas. Como já sabia que não seria boa ideia me envolver com qualquer galera que fosse, fui sozinho com um amigo Jornalista, aproveitando também sua carona. Desloco-me então para a fila e já comecei a ver os diferentes tipos que ali se posicionavam, todos convivendo em paz e cordiais entre si: Punks, Carecas, Street Punks, Trads, Sharps, ou simplesmente amantes do bom e velho Rock'n Roll. Do outro lado da rua, algumas bancas se posicionavam e não se largavam por nada neste mundo pois saberiam que alguma encrenca ali seria Iminente. Bancas de Street Punks, de Skinheads, e de... Neonazistas...

Quando, já na porta do Carioca Club, a poucos passos de adentrar no mesmo eu estava, vejo a banca de Neonzais Gritando e Levantando suas armas, como nas cenas de confronto de gangues de filmes. Afinal, chegavam quem eles estariam esperando: Os Punks e Skins antifascistas. Que estavam ali para ver o show também, porém por motivos lógicos de precaução e segurança resolveram colar num numeroso grupo para que, se acontecesse o que os rumores rezavam, ao menos estarem todos ali já preparados para o pior. O pior que aconteceu de fato.

Enquanto o corre-corre tomou conta da rua Cardeal Arcoverde, os presentes na fila aglomeravam-se para dentro do Clube, que já contava com uns resquícios de gás de pimenta, consequencia das cenas de guerra que reinava na rua. A porta do clube entreaberta, e eu, sufocado pelo gás e pela galera que se espremia ali dentro da bilheteria, esperando o aval da segurança pra liberar a entrada dos aglomerados, observava algumas pessoas correndo, se batendo, mas nada muito claro. O que deu para ver nesse meio tempo é que os Antifascistas, que estavam desarmados segundo fontes, foram recebidos a rojões, molotovs, facas e tacos de Baseball pelos fachos, e depois da explosão do primeiro rojão, explodiu o caos e eu fui conduzido pra dentro por quem não queria assistir ao quebra-pau.

Enfim, consigo adentrar ao clube meio apreensivo. Afinal de contas, amigos meus estavam ali naquela briga e por mais que eu evitasse tal situação, a preocupação sempre reinava em minha mente. Ligo para um amigo meu e ele me informa: "- O Johni foi ferido, foi parar no Hospital. Já já tô entrando e te explico melhor". Era sabido que alguém ia levar a pior nesta briga, mas não é nada agradável saber que um amigo está machucado e você ali no show se "divertindo".

O ambiente ali dentro era uma mistura de Paz com tensão: Gente que se odeia junta no mesmo lugar para ver uma banda que todos compartilham o gosto em comum. Todos ali dentro só queriam saber de uma coisa: Cock Sparrer. Só ali mesmo para você ver um careca pedindo "Licença, por gentileza" para um Punk Anarquista, no qual o mesmo dizia "Toda, pode passar", na maior finesse e espírito de cordialidade. Ninguém queria confusão ali dentro, apenas pular, cantar, pogar. Enquanto a banda não começava a tocar, uma discotecagem com os clássicos do OI! era o fundo musical para o Jogo de Futebol que passava no telão, entretendo os presentes. Estávamos em território inflamável, cheio de gasolina no chão, em que uma fagulha poderia colocar tudo para explodir. Mas de fogo ninguém queria saber, somente de cerveja. E por falar em cerveja, a luz se apagou, o telão subiu e a cortina se Abriu: Vai começar o show!

Nesse meio tempo, mais amigos iam entrando no show. Companhias que eu precisava ao menos para ficar ali do lado de dentro, para pogar junto, pular e agitar. Mas no semblante de cada um que entrava era visível apenas o sentimento de angústia, de dor, de preocupação com o ocorrido. Afinal de contas, por mais que estivessem ali dentro, a cabeça estava lá fora. Não há realmente como se divertir plenamente sabendo que um amigo está num pronto socorro, sangrando e ferido, sem saber se terá um amanhã para contar história. E esta angústia me contaminou. Mas não tirou em momento algum o brilho da apresentação da banda.

E os tiozões chegaram quebrando tudo com "Riot Squad", fazendo todo mundo pular que nem retardado e cantar verso por verso em inglês (ou tentativa de) e esquecer que o salão estava lotado e que haviam pessoas ao seu lado. Emendaram com "Watch your Back" mantendo a empolgação do público e atiçando ainda mais na seguinte música, a magnífica "Working". Veio então uma brilhante sequencia com "Sussed", "Get a Rope" e a clássica "Tough Guys". O Público presente parecia não acreditar no que estava vendo: era só clássico, um atrás do outro, sem encheção de linguiça, como ocorre na maioria dos shows Gringos. Parecia até que os caras da banda estavam adivinhando que aqui no Brasil pro show ser memorável tem que tocar aquilo que o público quer ouvir.

E tome "Argy Bargy", e dá-lhe empurra-empurra, bicuda e cotovelada, mas tudo na esportiva. Os hematomas são assunto para outra ocasião, o importante mesmo era cantar os refrões de "A.U.", "Chip on my shoulder" e "Running Riot", que não só fez a casa ir abaixo, como deu a marreta pro pessoal quebrar tudo na próxima, "I got your Number", uma das mais bacanas e aguardadas canções da noite.

O Show já tava com uma cara de "Do meio pro fim" quando "Because you're young" começou a ecoar pelo ambiente, e os mais velhinhos, ou sedentários mesmo, já procuravam as disputadas paredes do salão para se apoiar, mas continuar apoiando a banda, na cantoria a plenos pulmões. Eis que o Vocalista Collin McFaull anuncia a participação especial da noite: O Guitarrista Brasileiro Chris Skepis, que fez parte da banda nos anos 1980, para tocar... "Take 'em all"! E com 3 Guitarras! Era o peso a mais que faltava para que esse clássico abalasse as estruturas do Carioca Club, e com certeza era uma das canções mais esperadas da noite. E Encerraram a primeira parte do show com "Where are they now".

E show gringo que se preze tem que ter o Momento do BIS! Para este momento foram selecionadas as canções "Suicide Girls", a Óbvia, Indispensável, Épica, Magnânima e Ai-de-vocês-se-não-tocarem "England Belongs to me", que quem sabe da importância dessa canção nem precisa descrever como foi a reação e o êxtase do público a partir do primeiro acorde, e encerraram com "We're coming Back", deixando todo mundo com vontade de Mais 60 minutos de apresentação, e prometeram que logo logo estão de Volta para uma apresentação. Promessa é Dívida. Enfim, o Show em si foi Excelente!.

Na hora da saída, uma ingrata surpresa: Gás de pimenta na porta e na calçada para que o pessoal não ficasse ali "Embaçando", haja visto também o risco de um novo confronto, afinal tinha uma galerinha do mal de braços cruzados e com cara de cu, com camisetas que deixavam claro a posição política de extrema direita da meia dúzia, esperando alguém que fosse pra cima ou que eles pudessem prejudicar. Se foderam, não conseguiram nada e foram embora frustrados. Eu fui é pra minha carona para um ponto de ônibus bem longe dali para evitar cruzar com certos tipos ali presentes e fui pros braços da minha amada para uma festa de roqueiro doido.

No caminho para meu bairro, ligo para um amigo para saber de notícias do Johni. Fico sabendo então que Johni Fora esfaqueado, durante o confronto com os Nazis - aliás, ele foi um dos poucos que foram ali na linha de frente, mesmo sem nada, enfrentar os caras. Por mais que estivesse tudo bem, só restaria a todos descansar e aguardar por novidades. Novidades Péssimas que pipocam em mensagens de SMS em meu celular na fatídica manhã do dia seguinte. Todas diziam a mesma coisa: "O Johni Morreu". Era algo meio que esperado, mas ao mesmo tempo a gente preferia confiar em mais uma vitoriosa recuperação de nosso amigo. Mas desta vez, infelizmente, o revés foi definitivo.

Durante todo o dia, mensagens de Luto foram o fio condutor dos Facebooks da galera, não se falava em outra coisa. Aguardávamos por notícias sobre velório, enterro. E a mídia começava a afiar a faca para tirar mais sangue ainda desta história toda. Reportagens meio que superficiais da Globo e da Record foram os primeiros "Registros" do que aconteceu, mas o pior estava por vir.

Sou leitor assíduo do jornal "Diário de São Paulo", por causa do seu preço módico de 1 Real, seu formato de editoração e sua objetividade quanto ao assunto, sem deixar de ser informativo. Eis que abro o bendito Jornal, com a manchete sobre a Briga já devidamente estampada em sua capa e quando vou para a página correspondente á matéria me deparo com uma Manchete Sensacionalista que dizia: "Punk encrenqueiro é espancado até a morte por Skinheads". Lendo a matéria, deparo com informações completamente distorcidas, que diziam que ele era Nazista (e foi morto por um nazista, vê se pode), que era de uma Conhecida Gangue que é Unida com Carecas (Coisa que Johni Odiava), além de tachá-lo como se fosse mais um marginalzinho qualquer só por causa dos BO's anteriores que ele já tinha segurado, como o espancamento do "coitado" do estudante de 17 anos em 2007, que em 2009 jogou uma bomba na parada gay e no Meio deste ano Tentou assassinar moradores de Rua junto com sua gangue na pancada. Sim, o Estudante espancado pelo Johni era um Neonazista, perigoso e que está solto, pois a polícia e a justiça, naturalmente parciais em sentido á direita, fazem questão de favorecer mais ações deste tipo por parte dessas facções ridículas. Foi citado também o episódio que o Johni jogou um Ovo no José Serra. Enfim, a Jornalista (Ir)responsável pela matéria prestou um enorme desserviço á todos os leitores que compram tal publicação, por estar divulgando informações falsas.

Começou então no Facebook uma enorme campanha para que todos mandassem e-mails, ligassem na redação do jornal, infernizassem para que pudéssemos ter nossa voz enfim ouvida pelo jornal. A Jornalista que escreveu a matéria ligou para um amigo e marcou para a tarde do mesmo dia uma entrevista, a ser realizada por Outra jornalista mais competente e inteligente, digna de ser chamada de Jornalista, que foi realizada em minha loja aqui no Centro de São Paulo. O Diário de São Paulo do dia seguinte, apesar de não ter se retratado e ter assumido o erro, publicou uma matéria com todas as informações corretas e colocando as posições políticas de Johni da forma certa. E a Nova Jornalista Responsável (essa sim Responsável), além de nos ouvir, foi atrás da Família dele, comparecendo ao velório e obtendo informações fidedignas e verdadeiras, dando prosseguimento á cobertura do caso nos dias seguintes da forma correta e sem matar mais nenhuma vez nosso amigo.

Porém, lá vem os Gordos Gritões da hora do rush, Datena e Facciolli (ou FACHOlli), matarem nosso amigo a cada 5 minutos que passavam na telinha das donas de casa e dos cidadãos desinformados sobre o que é Punk e o que não é. O SPTV, da Globo, mostrou uma matéria sobre o caso e sugeriu aos telespectadores que, se vissem algum grupo de punks ou skinheads, denunciassem para o 181. Conhecidos recebendo ligações da polícia civil avisando que os shows Punks agora estão na mira das investigações... Começou então uma caça ás bruxas, uma temporada de assédio moral onde cada punk na rua é chamado de "Assassino", "Nazista", entre outras coisas.

Do lado nazista da história, Prenderam o sujeito que fora apontado pela principal testemunha, de acordo com as ultimas palavras de Johni, como o assassino do mesmo. Um cara que já foi punk e por causa de mulher começou a se envolver com a extrema direita e levar essa babaquice ás Últimas consequencias. E houve outra vítima também do lado dos Nazistas, mas que até o presente momento encontra-se internado em estado grave e a polícia procura o responsável (ou responsáveis) pela agressão que mandou o cara pro hospital. Resta Saber: Se pegarem o responsável pelas chapuletadas no Nazi, quem ficará mais tempo na cadeia? O Nazi, que tem as costas quentes e já aprontou um monte por aí, ou a pessoa que mandou o Nazi pra UTI?

Enfim, não estamos definitivamente em tempos favoráveis. Mas isso não quer dizer que podemos parar! A principal característica do Punk é justamente a resistência, e proporcionar mais cultura pras pessoas abrirem os olhos e exigirem seus direitos não é crime nenhum, diferente da carnificina promovida pelos Neonazistas todos os dias mas que ninguém dá a mínima. Violência nunca levou e levará a nada, mas a auto-defesa é necessária. E podem ter certeza: Se o movimento Punk existe há praticamente quatro décadas, não foi por causa da violência que ele continuou vivo e forte este tempo todo no mundo todo: Punk é cultura, é ação, é ativismo, é um estilo de vida. Violência é uma consequencia da ignorância das pessoas. E Punks Ignorantes, que praticam violencia gratuita, nunca foram bem vindos e não duram muito tempo. Daí migram pra grupos fascistas e o resto da história todo mundo já sabe. O Johni não era um anjo. Poderia até ser violento. Mas era uma violência de Revide. Revide contra os Nazifascistas, que fez de sua família em épocas de guerra se refugiar em outro país para não ser trucidada pelo regime. Revide contra o estado, que diante de uma ovada já fez coisa muito, muito pior não só com ele, mas com cada um de nós que paga imposto.

ÊRA PUNK! ÊRA JOHNI! VALEU POR TER FEITO SUA PARTE, O MOVIMENTO PUNK SERÁ ETERNAMENTE GRATO! UM ANARQUISTA NA PRÁTICA E GRANDE AMIGO!


domingo, 18 de setembro de 2011

CHAOZ DAY FESTIVAL, GALPÃO ESTUDIO - FERRAZ DE VASCONCELOS, 26/08/2011

Sub Existência!!!

Pé Sujus (Minha barriga ta cada vez mais buniiita)

The Bloodclots!


Filipeta do Bailinho!!!


E lá vai eu mais uma vez pra uma postagem atrasada neste bloguinho que todo mundo fuça pra ver novidade e não tem e quando tem ninguem vê! Foda-se, o Blog é meu e eu posto quando eu quiser hehehe. Se bem que este aqui que vos escreve está atolado até o pescoço com inúmeras correrias, portanto, nada mais agradável e oportuno que um domingo tedioso, vazio e sem um puto no bolso pra levar minha garota pra tomar um refresco para eu postar uma resenha sobre este evento que não poderia passar batido, por mais que os acontecimentos e polêmicas dos últimos dias sacudissem e ofuscassem os demais fatos ocorridos.

Este festival, o Chaoz Day, foi um dos shows da Tour da Excelente, humilde e verdadeiramente Punk banda norte-americana The Bloodclots, que fez uma turnê tocando pra punk em locais fora das rotas dos "Grandes Shows", só no suburbio ou nos locais já velhos conhecidos da Punkaiada. A expectativa era grande, mas na mesma semana do início da divulgação sai o Flyer do show do GBH, no mesmo dia e horário. Aí pensamos: -E agora? E Agora que vamos fazer essa porra desse som rolar mesmo, pois a banda está aqui pra tocar pra punk, e que por mais que o show do GBH fosse um grande evento, naquele mesmo lugar de sempre que ninguem reclama o preço da entrada, Nada foi tão sincero e verdadeiro como esse festivalzinho no coração do extremo suburbano da zona leste.

O dia começou bem cedo para nós que estávamos organizando esta gig. Ás 11 da manhã já estava Eu, Cesar (Guitarrista do Pé Sujus) e o carretinho que alugamos na Casa Punk, Lar e estúdio da banda Luta Armada, que Organizou o evento comigo e todo o restante da tour do Bloodclots, para recolhermos a aparelhagem a ser usada no som e os instrumentos, pedestais e Cases para que pudéssemos honrar ao máximo o horário de início da gig, que estava marcado para as 14 horas a primeira banda.

Tudo certinho e nos conformes, restava saber se todas as bandas contribuiriam com a presença no horário em que cada uma foi designada a tocar. Afinal, muitas vezes as próprias bandas fodem com o evento, chegando tarde de propósito com aquela coisa de "Não querer ser o primeiro ou tocar pra ninguém". Mas a primeira Banda, Raids, estava lá exatamente ás 14 horas. Um pequeno entrave fez o show atrasar em meia hora seu início, mas exatamente ás 14:30, o Raids já estava tocando. Por mais que não tivesse tanta gente ainda presente, a galera presente curtiu bastante a apresentação da banda, cujo baixista Adson saiu correndo após o término - Aproveitou seu horário de almoço para tocar nesse som! Arrebentou na apresentação e ainda se safou da punição do patrão hehehe.

Segunda banda a tocar, diferentemente do flyer que programava o THP nesta ordem e que não chegara ainda por motivos de trânsito enfrentado por sua van no meio do caminho, foi a vez da banda Jhaspion, mandando ver seu crossover/Hardcore pro salão ainda meio que vazio, mas com gente interessada em ver o som da banda e aos poucos mais pessoas foram chegando.

Enquanto o THP não chegava, aliás, nenhuma outra das bandas não chegava também, os horários iam sendo alterados. Mas o som ia rolando sem intervalo praticamente. Depois do Jhaspion, foi a vez do Atos de Vingança. Com um som cada vez mais pesado, cadenciado e puxado pro crossover, foi uma apresentação Curta e Grossa, um petardo atrás do outro, mostrando o maior entrosamento do batera Kaskadura com o restante da banda, proporcionando shows cada vez melhores.

Enfim, a galera do THP chegou e já foi diretamente direcionada ao palco para já na sequencia descarregar seu repertório igualmente curto e violento, mostrando porque é uma das bandas mais promissoras e influentes da cena da baixada santista mesmo com pouco tempo de existência. Pra quem nao sabe, THP é a abreviação para "Thrash Hungry Punx". E O salão aos poucos ia ficando mais cheio de gente.

Da série "Não tem tu, vai tu mesmo", em alusão ás trocas de horários e empecilhos pras bandas chegarem no horário, seria a vez do sub-existência. Mas como ainda não tinham chegado também, foi designada a única banda completa para tocar depois do THP: Esgoto. E sobre a apresentação da banda Esgoto eu sou suspeito para falar algo, ainda mais que se trata, na minha opinião, da melhor banda do Brasil. A Banda está cada vez melhor e, amparada pela ótima aparelhagem da Gig, fez um som poderoso e prazeroso de se agitar. Por mais que eu tivese fazendo as vezes de porteiro/Segurança/Recruta zero do evento, dava pra ouvir tudo claramente - E uma pescoçada aqui e outra ali para ver como tava lá dentro.

E o Sub-existência, que chegara logo após o início da apresentação do Esgoto, já foi encaminhada direto pro camarimzinho de afinação e montagem de ferragens e fez a sequencia com muita classe! Shows do Sub-existencia são meio raros, mas é sempre ótimo vê-los tocando, com as músicas que já são velhos clássicos do suburbio, como "3º mundo", "Fogo Cruzado" e "Mundo de Ilusão". O Salão a esta altura já tinha uma galera mais numerosa e que pogava sem parar ao som dos caras.

Em seguida, foi a vez do Lokaut! Já cansei de falar nesse blog que é uma das bandas linha de frente da cena, que estão cada vez mais firmando seu espaço na memória do Underground Punk rock nacional e que sempre que eles vão tocar, arrasta uma galera que canta junto os sons e tudo. Neste show Uma das vocalistas, a Kátia, Não pode comparecer. Mas a Mônica segurou os vocais e junto com a banda fez mais uma apresentação repleta de energia e convidativa ao pogo.

Enfim, a ordem do Flyer depois do Lokaut foi seguida á risca. Subiu no palco o Ódio Social pra detonar tudo! A noite já caia, uma galera em bom número já presente no local até que no meio da apresentação do Ódio Social acontece o que não deveria acontecer: Estoura a pele do Bumbo! A Gig fica parada por pouco mais de meia hora, enquanto o babão (Lokaut) fazia um remendo provisório pra banda terminar sua apresentação ao mesmo tempo em que a Marcia (Luta Armada), corria atrás de um taxi até Poá, Cidade vizinha, para providenciar outra pele de bumbo.

Pele de Bumbo trocada, correria feita e nervos a flor da pele por parte de nós, sofredores organizadores, Sobe ao palco Estado de Guerra. A Galera presente agitou do começo ao fim a apresentação da banda, que é outra que quase não toca, mas quando toca faz todo mundo sentir falta depois que acaba o som. Mandaram ver seus principais sons próprios, presentes nas coletaneas e no Split com o Luta Armada, e covers de Clássicos, como Kaaos.

Depois foi a vez do Pé Sujus, com este aqui que escreve totalmente esgotado, mas que reuniu suas últimas forças para fazer uma apresentação memorável. Foram 8 músicas, devido ao pouco tempo de palco para cada banda, mas mantivemos a energia e a empolgação do começo ao fim, e a banda teve uma receptividade do público melhor do que a esperada. Modéstia a parte, Minha banda É FODA e quero ver o filho da puta que vai achar ruim porque falei isso!

A Décima Primeira banda foi a The Squintz, que veio diretamente do Distrito Federal, com seu poderoso punk 77 autêntico que não deixa ninguém parado. A Banda é tão boa que meia hora de show foi pouco, Muito pouco, pouco até demais... Boas músicas, Bons instrumentistas e boas influencias fazem de bandas como essa essenciais para a cena e pra quem gosta de boa musica.

Penultima Banda da Noite, e uma das mais esperadas, foi a vez do Luta Armada. Outra banda que quando toca, não deixa ninguem estático em seu canto, o som é um autentico convite ao pogo. Uma banda que tem estilo próprio, peso, espírito Punk. Tem Presença de Palco, tem carisma, tem humildade. E Tem gente que fala mal ainda, como pode? O Show foi curto, só que mais curto do que deveria: Apenas 6 músicas, devido ao horário avançado do evento. Mas foi uma apresentação realmente Foda!

Encerrando a noite, a banda mais esperada: The Bloodclots! A banda, que esteve do começo ao fim no meio da Punkaiada, Tirando Fotos com a galera, pogando o som das outras bandas e tomando as iguarias alcoólicas do nível de Velho Barreiro e Cantina do vale, subiu, enfim, ao palco. Os caras tocam pra caramba, São carismáticos, doidões e verdadeiramente Punks, totalmente sinceros em sua proposta. Vieram do Próprio bolso para cá, trocaram suas escalas de trabalho para as datas casarem e poderem vir fazer esta tour, e ainda por cima fazem um Punk Rock/Hardcore de Primeira! A Galera toda que insistiu em ficar até o final pogou do começo até o fim e era recompensada com mais empolgação e energia da banda, que sempre parava entre uma musica e outra pra trocar uma ideia com a galera.

Saldo Final: Nenhuma Briga (Só o Cisão, amigo do Blog, chapado e perdendo um pouco a noção do que fazia, mas nada demais), Nenhum prejuízo (Deu pra trincar a casa e descolar uma ajuda de custo para a banda), Público não muito grande, mas somente gente firmeza no baguio, vindo até mesmo algumas pessoas do Interior, e Muito cansaço no final do evento em nós, organizadores sofredores e Punks acima de tudo. Quem foi no GBH simplesmente PERDEU! Não é nada fácil fazer um festival Punk totalmente Faça-você-Mesmo com banda gringa, no subúrbio e com 10 reais na entrada. Por mais que seja difícil, a gente fez. E não fique falando que a gente se acha por que fez, cala a boca e vem ajudar a gente que o que precisamos mesmo é mais gente empenhada pra fazer essa porra de cena andar e ser cada vez mais forte. ÊRA SUBURBIO!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

PRÉ-MANIFEST 8 – CESAR BAR, ITAIM PAULISTA – 06/08/2011

RAIDS!!!!

Flyer do bang!


E continua nossa saga de eventos que antecedem o Manifest, festivalzão lascado que vai fuder a porra toda em novembro próximo! Neste caso, o palco da oitava previa do Manifest foi o velho e bom Cesar Bar, aqui no não tao distante - mas mesmo assim marginalizado pelos punks almofadinhas – Itaim Paulista.

Foi um evento de parto difícil, afinal, não estávamos diante de uma casa estruturada que oferecia uma aparelhagem de primeira em troca de aluguel ou coisa parecida. Estávamos num bar que cedia a portaria para a organização, possibilitando a entrada barata -5 reais, e ainda teve um lixo muquirana que deu ataque de pseudo-anarquista (mais informações ao longo do nhem nhem nhem) – mas em contrapartida não tinha absolutamente nada em relação a aparelhagem. Ou seja: Trabalho em dobro para honrar o compromisso de mais um evento que, aliás, sofreu um pouco com dispersão de público – No mesmo dia tivemos Show no hangar, Show na Vila Brasilandia, e show em Itapevi no Porão – comparecendo mais a galera da zona leste, menos uma ou outra exceção.

A aparelhagem foi um calvário a parte. Como a casa não disponibiliza nada, apesar de oferecer a portaria – por isso que se cobra entrada no cesar bar, cobrir alguns custos com aparelhagem como por exemplo- Tivemos que utilizar minha “aparelhagem”(Um ampli de guitarra maomenos, um multiuso véio pro baixo e pro backing vocal e um ampli adaptado para voz. Retorno? Não, bandas, hoje é tocar na raça!), que foi devidamente trazida de busão (o multiuso enorme) e de trem (O ampli alugado pelo Babão do Lokaut para voz), em varias viagens no meu carrinho de carregar cesta básica que balança mas não cai. 10 da manha, todo mundo indo dormir e este que vos escreve aqui já fazendo exercícios – levantamento de ampli - pra ficar mais gostoso e depois exibir os resultados mais tarde, todo suado e estressado com o excesso de tarefas simultâneas que organizar som proporciona. Eu do lado de dentro resolvendo problema das bandas, separando começo de briga, ajudando a regular o equipamento e pogando um pouquinho. Mara, como sempre, Botando Ordem na portaria pro evento não virar bagunça, o lado cabeça do evento, usando a experiência de décadas para que este se tornasse mais um evento de sucesso. E sabugo, de perdido, acabou que ajudou a Mara na Portaria.

A quantidade de pessoas não foi tao boa como em outras edições, mas o problema era a qualidade das pessoas. Afinal de contas, como uma pessoa se dá ao trabalho de sair de casa, ciente que o show custa r$ 5 o ingresso e chega na porta pra fazer rateio com poucas moedas - coisa de colocar 10 pessoas pra dentro com R$ 18,65- com o cu cheio de cachaça que custou bem mais que o valor da entrada? Sim, você já ouviu esta ladainha enésimas vezes, chego ao ponto de ser chato e a reclamação se tornar algo maçante e repetitivo. Mas o Grande problema é que estas pessoas já vao ao evento com este tipo de mentalidade: não pagar pra entrar ou esperar a portaria liberar, como acontece com frequência nos eventos, nos momentos em que se sabe que ninguém mais vai chegar e que já se está de saco cheio de estar ali fora. Não que quem não tenha dinheiro não tenha o direito de se divertir. Mas que ao menos use o bom senso e sejam mais honestas. Afinal moleque de 16 anos tentando enganar eu que tenho 23 e á Mara, que há muito já passou dos 40, é dose pra leão... Afinal de contas Pra usar drogas (e tem gente que não gosta que eu mencione que punk usa droga neste blog – este quando ser pai vai acreditar que a filha aos 30 anos ainda é virgem) dinheiro brota até do chão. Mas pra apoiar a cena, nada. Quer entrar de graça? Me empresta um ampli, dá uma mão na segurança, Ajuda a carregar ampli de trem e no busão, aí dá pra pensar no caso (e agradecer a ajuda). Mas cade que aparece algum filho da puta? Algumas pessoas se ofereceram em cima da hora (inclusive que já me ajudavam em alguns eventos, mas que por ser um evento organizado em coletivo, não houve necessidade do auxilio), mas o estrago já tava feito e não houve o que fazer, pois quando era pra fazer não tinha um.

E o pior de tudo foi um moleque idiota que de tão idiota deturpou seu próprio conceito do que é Anarquia e repúdio ao capitalismo e quando convidado por mim a entrar, mediante o pagamento da entrada, para assistir ao show da primeira banda que estava tocando para as paredes do bar, me dispara:

- R$ 5,00! Cadê a ideologia! Você é capitalista! Só entro se for de graça! Punk cobrando entrada!

No que eu rebati:

- Se tiver duro faz um rateio, não tem problema. E outra, o evento tem um custo para ser realizado, as bandas tem que tomar uma cerveja, ter uma ajuda de custo. E 10 da manhã eu já estava com equipamento na mao.

O moleque me responde com um “Problema seu!”e ficou acertado entre todos da organização que aquele não entra nem pagando dez vezes mais o valor da entrada. E diante do desaforo preferi virar as costas para não debulhar o prego na porrada. É por isso que algumas pessoas são boicotadas dos eventos – não sabem se comportar, não sabem engolir um não, não sabem conversar. Este tipo de gente costuma arrumar briga e fazer merda. E por causa das merdas que este tipo de gente faz que muita gente deixa de comparecer ao Cesar Bar, que em seus tempos áureos na frente da estação Itaim Paulista, seu endereço anterior, costumava lotar em todo evento. Mas as brigas, confusões e covardias foram se tornando frequentes e as pessoas, assim, se afastando. Parabéns, pregos! Voces estão conseguindo destruir o movimento punk! Já que vocês são tão punks, eu quero um dia sentar numa cadeira, com um chapeuzinho de burro e ter uma aula de anarquismo com vocês – aliás, vocês sabem escrever? Talvez eu esteja errado em querer um movimento punk mais pensante e menos briguento...

Mas, vamos para a parte boa, a motivação para que o evento acontecesse: As bandas!

Abrindo o evento, a Herdeiros do ódio mais uma vez fez uma ótima apresentação, comprovando o acerto da escolha do Guitarrista Gabriel, que se saiu muito bem neste show. As poucas pessoas ainda presentes agitaram bastante e permaneceram do começo ao fim, prestigiando a verdadeira Violencia Sonora que a banda descarrega em ritmo de Caos nos ouvidos dos ouvintes. Azar dos burros que acham que primeira banda é sempre ruim.

Em seguida, foi a vez da banda Raids. É uma banda que merece atenção ao som que faz, músicas próprias ótimas e bem executadas. Como o Punk Rock é muito amplo, algumas bandas se sobressaem e outras são meio que ofuscadas. Mas quem puder que procure conhecer o som da Raids, vale muito a pena! Um Punk/Hc com boas letras, empolgante e bem tocado, principalmente nas canções mais Punk rock, com nítida influencia do 77. E vários covers no repertório. Mas isto não tira o brilho das apresentações da banda, que tocou para um pouco mais de gente que o herdeiros, mas o povo ainda preferia ficar lá fora bebendo pinga com refrigerante e reclamar do valor da entrada.

Terceira banda da noite, Resto de Lixo, sempre leva um público fiel á suas apresentações. E estão cada vez melhores em suas apresentações, apesar de ser de lei um dos integrantes tocar bêbado. O bebum da vez foi o baixista Raphael, que, apesar da embriaguez não fez feio, enquanto acompanhava a banda em seu hardcore visceral e com cara própria, com os vocais semi guturais e únicos do vocalista Japa. O salao a essas horas já estava “Cheio”, com mais gente chegando. Muito bom.

Penúltima banda a se apresentar, o sexteto The Drunk, de mauá, Fez um show que superou todas as adversidades técnicas de aparelhagem. Não foi por questão de terem trazido uma caixa a mais para a guitarra, mas porque a banda é muito, muito boa mesmo! É um punk rock com dois vocais, pandeirinho acompanhando o ritmo, pegada forte, extremamente pogante. Brilharam no palco, viadamente dizendo. Pena que não tinha tanta gente vendo. Ás vezes, nome não é tudo numa banda, viu Punkaiada? Prestigiem todas as bandas de uma GIG!

Última banda oficial do flyer e da noite, Chegou a vez de deserdados. A portaria já liberada possibilitou que o salao ficasse realmente cheio, dos punks que juravam que não tinham dinheiro e dos moradores do entorno, que junto com os punks, se renderam ao pogo contagiante que é consequência da energia do som deste trio clássico do Punk rock, que apesar de ser uma banda “De nome”, é verdadeiramente Punk e não se faz de melhor que as outras, como muitas fazem por aí. Mesmo com a aparelhagem relativamente fraca, e com apenas dois litrões de cerveja como agrado (foi o que deu com a merreca que deu na portaria), eles deram o melhor de si e fizeram um show que o próprio baixista Celo classificou como Foda. Se ele mesmo disse, quem sou eu pra discordar? Parabens á banda pela postura, humildade e pelo som.

Em seguida, quando já estávamos desmontando as paradas, nossos amigos colombianos Ivan e “La rata”(KRH e Bob Rozz, da colombia), tomaram uma guitarra e peças de bateria emprestados do deserdados e fizeram um show improvisado da igualmente improvisada banda Infeccion necrotizante, com um D-beat crust. Mas aí já não tinha quase ninguém. E já eram 23:30 da noite, e o Cesar, dono do bar, pediu que se encerrasse o evento, portanto, não durou muito.

Saldo Final: Nenhuma briga ou confusão – Mas vários princípios de briga e confusão na roda, devidamente prevenidos, a maioria da vezes causados por gente que achava que estava no show do Biohazard pra entrar que nem cavalo na roda ao invés de pogar na boa. O que entrou na portaria serviu única e exclusivamente para pagar a cervejinha de lei das bandas – E tubaínas pro THE DRUNK, vê se pode hahaha- Todo mundo feliz, alegre contente e satisfeito. Tirando o stress com a molecada que se acha mas não se encontra e nem se coloca no seu lugar de eterno aprendiz, como todos nós somos, o evento foi perfeito. Só teve pouca gente, em comparação com o Pré-manifest anterior. Mas foi bacana saber que se não teve muita gente é porque tinham 4 gigs rolando ao mesmo tempo na região metropolitana. Isso mostra que o PUNK é FORTE e está cada vez maior. Vamos que vamos! ÊRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

GRITOS SUBURBANOS, BAR VILA NOVA – ITU/SP – 24/07/2011

O cara além de fazer auto-promoção ainda fica postando foto da banda dele, esse feio é um lixo mesmo... hahaha


Flyerrrrr do bailinho


E olha que tinha muito mais gente do lado de fora. Êra Buteco! Êra suburbio!




O interior de São Paulo me surpreende cada vez mais a cada gig que compareço ou toco. Sempre algo que sei que nunca verei na capital paulista acontece ali e faz o evento em si ser marcante, apesar da pouca importância e relevância que dão aos esforços de quem faz as coisas acontecerem fora da capital. Posso citar como incomparáveis coisas como a energia do público nos shows na região do Vale do Paraíba (neste ano meio carente de grandes eventos punks e consequentemente o público se dispersou), Festivais como o Expressão Marginal, realizado nas regiões de Sorocaba e Votorantim (especialmente a primeira edição, realizado numa chácara distantíssima da civilização, verdadeiramente no Meio do Mato), a galera que comparece no Plebe Bar em Indaiatuba, a receptividade dos Punks do Rio de Janeiro, O sacrifício dos Punks do sul de minas gerais em encarar horas de viagem em vans que partem de várias cidades para uma simples gig numa cidade “próxima” , ou nem tão próxima assim – tirando de exemplo o “logo ali” de mineiro que são quilômetros –, a grandeza do Festival Araraquara Punk, que lota um espaço enorme com shows de bandas só da região , enfim... Muitos exemplos de muitos locais em que passei em que o Punk é levado a sério e com todo o amor e esforços a que se tem direito, afinal, como se sabe, se na capital já é difícil manter um espaço para realização de gigs, imagine em locais onde não se tem muitas opções de lazer. Mas ontem, duas coisas em especial me surpreenderam: Uma de forma positiva e outra de forma negativa. Pra não matar mais esta postagem maçante e chata logo no começo, no decorrer da resenha será dito o que foram estas surpresas e minhas impressões. Mas agora senta, que lá vem história...

Em mais um fim de semana tipicamente mundrungo, estilo de vida que tento deixar ou ao menos moderar a intensidade, sem sucesso. Na anterior noite longa discotequei para poucos e bons amigos no Porão, em Itapevi, no Arraiá Punk ( o rolê mais gostoso – em termos de sabor - do ano, com direito a muito caldinho de feijão, caldo verde, quentão, vinho quente e outras guloseimas), que ainda contou com Gringo e Daniel do Sp Paranóia e o Ariel (que já foi citado neste blog umas 89784379479437934797932793774327493293 vezes) no revezamento das pick ups do Virtual DJ, devido a um pequeno problema que impediu em partes o funcionamento do som de vinil - mas os mesmos clássicos estavam no HD do computador . Como o porão é muito, mas muito, mas muito Longe do Itaim paulista e haja vista a hora em que saímos de lá, era inevitável o que já era de se esperar: Iria Virado pro rolezinho na simpática cidade em que tudo é grande – e a cerveja é barata!

Por volta das meio dia, os ocupantes da caótica van (Integrantes do Pé Sujus e do Herdeiros do Ódio e uns convidados especiais para ajudar a tornar a viagem mais glamourosa e cheia de requinte) se encontraram na catraca do metrô Jabaquara e antes de irem para a van abasteceram o estoque de entorpecentes líquidos legalizados e sofisticados que deixa bafo e ressaca no entreposto do conglomerado do Abílio Diniz logo ali ao lado localizado. Em pouco mais de uma hora de viagem, chega-se ao destino: ITU.

O evento, denominado Gritos Suburbanos, pela quantidade de bandas prometidas no flyer (11 no total), parecia até um evento de grande porte. Mas era o segundo evento de um garoto que está começando agora sua jornada de luta prática e no movimento Punk e da forma correta. E, assim como ele, já fiz a cagada de colocar um monte de banda num evento com quase nada de estrutura. Mas só se aprende errando. Não que o evento tenha sido um erro – aliás, foi uma excelente iniciativa de um garoto chamado Danilo, que toca na banda Sujos por Opçao e tem 14 anos (!!!), o que me surpreendeu e muito – afinal somente o conhecia pelo velho de guerra Orkut (que Deus o tenha em breve). Depois desta eu nunca mais vou me gabar de ter organizado o meu primeiro som com 16 anos e vou usar este garoto como referencia hehehe... O problema em colocar muitas bandas num evento totalmente faça- você –mesmo- e -que-tomara-que-os-outros-ajudem é justamente a imprevisibilidade de tudo que for necessário estar á disposição e da ajuda que lhe foi prometida ser cumprida, além de mínimos detalhes que parecem idiotas serem cruciais para a realização do evento (como ter tudo, menos um benjamin, uma tomada a mais ou um ridículo fusível de 2 amperes que poderia substituir um item igual queimado no único ampli de guitarra que tem para ser utilizado na gig num domingo a tarde, onde tudo está fechado e longe do alcance), acarretando assim em atrasos e consequentemente no tempo de apresentação de cada banda, que no final das contas nem todas gostam de colaborar em termos de redução de repertório. E quando achávamos que estávamos atrasados, chegando ás 15 horas (no flyer o início seria meio dia, e um esboço de horário foi enviado por mim ao Danilo uns dias antes para que começasse ás 14 hs com 40 minutos de palco para cada banda), vimos que ainda faltava coisas como Microfone, uma extensão a mais e ferragens de bateria. Tais problemas foram resolvidos em parte ás 16 horas, quando a primeira banda teve condições de iniciar sua apresentação.

Entre problemas, entraves, dificuldades e o ainda aprendizado do organizador, o evento seguia normalmente com a galera pogando e em grande quantidade. Mesinhas de venda de materiais faziam a festa de quem estava atrás daquele cd, ou daquele patch, camiseta, e por aí vai. Cerveja Guitts a 2 reais a garrafa (e reza a lenda que dependendo do buteco o litro da nova Schin é 2 reais) e muitas meninas bonitinhas, embora bem novinhas,assim como muitos meninos novos simbolizando a nova geração do Punk, e para vergonha dos velhotes que acham que não existe mais punk, eles que estavam ali fazendo toda aquela grandeza acontecer.

A primeira banda a tocar, Restos de aborto, de Tatuí, abriu o evento com seu repertório formado em sua maioria por covers e uma ou outra música própria, fazendo o minúsculo buteco ficar menor ainda em termos de espaço livre para circulação – estava tomado pela roda de pogo que ocupava cada milímetro do ambiente.A banda existe há 3 anos, tem uma demo de 3 musicas na praça e em entrevista-cobrança exclusiva de minha parte eles prometeram pro próximo ano um repertório só de musicas próprias – as 3 da demo, que ganhei, são ótimas.

E a empolgação do publico era tanta que não demorou para que o balcão de vidro do bar fosse logo quebrado pelo impacto da queda de pessoas que agitavam num espaço pequeno mas não via os limites do espaço. Nesta situação o dono do bar queria parar o som, mas pedi para que continuasse o som pois tinha muita banda que veio de longe e que bastaria algum tipo de barreira e pedir para que os punks pegassem mais leve no pogo – uma placa de madeira foi colocada em frente ao balcão e o som continuou, apesar das pessoas ainda agitarem como se não houvesse algo mais - e que agora poderia até machucar – perto da rodinha.

A segunda banda foi a Geraçao Ofensiva, com o novo baixista Josias. O repertório foi um pouco modificado, mas a banda está muito bem e o som redondinho, aproveito até para parabenizar o novo baixista pelo fato de mesmo ter pouco tempo de ensaio já está fazendo sua tarefa muito bem. As músicas do Geraçao estão na ponta da língua da galera da região, que cantava junto as musicas com a vocalista Ana, que se empolgou tanto que até cantou em cima do grande ampli de baixo em boa parte do show.

Terceira banda a tocar, a banda Condenados, do ABC paulista, já velha de cena e com nova formação (com destaque á vocalista Natália) mandou ver seu hardcore bem executado, curto e grosso, mas ainda que com um pé no freio. Já vi um show deles em Lorena em que as músicas estavam em uma velocidade que beirava o power violence, mas o som atual está mais pogante e com mais pegada. E o típico cenário do público dando os pulinhos de lado com os cotovelos para trás tomou conta do local.

A Quarta banda, Herdeiros do Ódio, também fazia apresentação de novo integrante: O guitarrista Biel (ou charada, ou Carioca), que toca também na Kokeluxi Aidética e já passou pela Cegos pelo Ódio. O show foi bem curto, mas as músicas do Herdeiros do ódio estão longe se ser coisa que passe dos três minutos, afinal é puro Hardcore pra sueco e finlandês ver e morrer de inveja: Brutal, tosco, rápido, energético e sob efeito de muita caninha 21 comprada no pao de açúcar do Jabaquara. O estreante se saiu muito bem em sua missão e a banda voltou a dar trabalho pro já esbagaçado balcão , com eu tentando ajudar a proteger o que restava do mesmo dando empurrões no povo que se aproximava de forma mais brusca do coitado do balcão. Coisas de Punk.

Quinta e última Banda, foi a vez da Pé Sujus. Última por que? Depois eu conto. Só o que tenho a dizer agora é que tocar em buteco de periferia é uma das melhores sensações que uma banda punk pode ter, tanto que muitas bandas que tinham tudo para ser atrações exclusivas de casas renomadas e de estrutura, como é o caso de muita banda “correria”e “suburbana” não abrem mão de estarem ali tete-a-tete com o público com um equipamento simples e num local mais simples ainda. Mas o show de ontem teve sabor especial, negativa e positivamente. Negativo pois o guitarrista Cesar anunciou que saiu da banda e seguirá no shows marcados, até setembro, e já tocamos sentindo a falta dele e ele já sentindo a falta de mais momentos como aquele com frequência em sua vida. Mas, positivo, e muito, era ver que ali tinha gente que estava ali para nos ver. Que sabia cantar nossas músicas e com vontade, até mesmo as não gravadas e que só estão em vídeo tosco no youtube com qualidade mais ou menos de áudio. Que agitava freneticamente e tomava o microfone para cantar junto, que me fazia ficar mais empolgado e pular mais alto, instigando o público a fazer o mesmo. Até o dono do bar, vendo eu ali a seco cantando me deu uma valiosa garrafinha de água e ainda disse que gostou do som... parece até coisa de banda iniciante que começa a ver que tá dando certo. Mas valorizar o subúrbio, os pequenos detalhes, e as coisinhas mais bestas nos fazem ficar eternamente com esta sensação, até mesmo pela impressão de dever cumprido ao ver tudo isso e ver que é culpa sua – não importa quantas vezes. Depois disso preciso descrever nossa apresentação?

Enquanto a sexta banda, o Antagonicos, ia preparando sua apresentação e montando os equipamentos, algo que me surpreendeu negativamente rolava na rua: Um quebra-pau. Quebra – pau é sempre assim: um grupo ou pessoa briga com outro grupo ou pessoa e vem mais gente defender um lado, que atrai gente para defender o outro, enquanto que vem gente pra separar e toma soco de um dos lados e passa a brigar pelo outro lado que por outro lado já não tem mais nada a ver com a confusão pois outros grupos se formam no calor da discussão e o que se vê é um monte de gente gritando, debatendo e se batendo. A motivação, segundo os punks da organização eram os “punks velhos”que foram levar uma com os novos guerreiros, mas daí já não se sabe quem deu o primeiro golpe ou se era isso mesmo. O que se sabe é que a força tática não demorou a aparecer, dispersando os brigões, enquadrando outros, fechando o bar e ostentando suas espingardas calibre 12, como se este tipo de arma fosse necessário para separar uma briga. E desta forma encerrou-se o evento, infelizmente.

Saldo Final: das 11 bandas, 5 tocaram, 2 não vieram (protesto e fúria e Misfits cover) e 4 não tocaram devido á confusão (além do Antagonicos, Psicultura, Sujos por Opçao e QQSA ). Um balcão de vidro estraçalhado. Um final trágico para um evento lindo que acontecia, que poderia ter sido muito feliz se não ocorresse tal coisa desnecessária que é a briga. É a isso que a violência leva: Á perda de espaços, ao avacalhamento da diversão alheia e a deturpação da luta e do fruto do esforço de quem dá o sangue para as coisas acontecerem. Me surpreendeu isto pelo fato de eu ter saído de são Paulo para fugir destas patifarias que costumam acontecer aqui e ver uma em dimensão maior do que muitas que já tiveram por aqui. Mas aí não é culpa da organização, nem do bar, como pensaria a polícia, mas de quem não tem respeito pela luta de quem faz as coisas acontecerem. Meus parabéns ao Danilo e aos Meninos do Sujos por opção, de todo o coração, pela iniciativa. Por mais que estivessem ausentes em momentos necessários e bem perdidinhos, isto serviu para aprender a planejar melhor as coisas e irem com calma, com pé no chão. Brigas, dependendo do local ou do humor de um idiota qualquer serão meio que rotina e é preciso ver ações para que se previna ou minimize os efeitos de uma briga. Mas Não desistam. O próximo vai ser maior e melhor!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

PRÉ-MANIFEST 7 - CIDADÃODO MUNDO, SÃO CAETANO DO SUL - 09/07/2011


Flyer do bereguedéu

Pé sujus, Lindos e maraviosos



Dizer que tenho orgulho de ser punk estava meio inviável nos últimos tempos... afinal, como todos que acompanham esse blog já sabem, vivemos uma época em que todo mundo é punk por simplesmente achar legal, curtir um “rolê”, mostrar um visual, não colocar sentido nenhum na sua vida como punk, apenas sendo uma fase de auto-afirmação de sua vida (sempre coincidindo com a adolescência, fase de afirmação natural e biológica do ser humano) e de 70% dos casos de forma efêmera: Uns desistem, outros viram skinheads fascistas, outros viram Punks fascistas, se integrando a grupos que, por mais que ostentem o “A na Bolinha” na sua indumentária, não fazem porra nenhuma pelo movimento punk, ficam “fiscalizando” quem você é, com quem você anda e se achando no direito de querer ferir alguém com faca, tiro, ou matar simplesmente porque não segue aos critérios do manual de instruções da quadrilha pseudo-punk, que já inclusive consolida chavões e bordões típicos para justificar o injustificável, coisas como: “Fulano é pilantra”, “Fulano é safado” ou “Fulano dá a mão pra careca”. Pilantra é quem te prejudica diretamente,geralmente os “pilantras” nunca nem chegaram a 10 metros de distancia do acusador; safado é quem gosta de sexo; e quem dá a mão pra careca é muito burro pois se for pra decepar alguma parte do corpo que ao menos venda.

Enfim, esse tipo de gente, que sempre fez, faz e fará merda, diversas vezes me inspirou a perguntar a mim mesmo: Que porra que eu tô fazendo aqui no movimento punk, tirando dinheiro do meu bolso, fazendo as esposas dos integrantes da minha banda brigar com os mesmos pela frequência de shows que desencadeia na falta de tempo para a família, carregando aparelhagem nas costas e escrevendo para este blog? Poucos frutos positivos consegui dando o sangue pelo movimento Punk, de resto só gente invejosa falando mal de mim, parasitas de porta de galeria querendo me matar, usando os jargões há pouco citados, prejuízos financeiros e até mesmo físicos, machucando-me várias vezes carregando o peso de amplis enormes e instrumentos em ônibus – quem me conhece sabe do que estou falando.

Porém, a melhor coisa que fiz em toda minha vida como Punk foi conhecer os Punks das antigas. Que construíram esta cena, e que ainda nos ajudam, mostrando como se faz um movimento perdurar por décadas apesar dos pesares. E não só conhecer, mas ser reconhecido por pessoas que já comeram o pão que o diabo amassou pra manter essa porra viva forma mais uma injeção de ânimo. E trabalhar junto com os velhotes jovens da cena me faz ver na prática que o que estive fazendo nestes quase 10 anos de dedicação ao Punk é a legítima continuação do que eles fizeram para construir isto. Para ser punk, além da atitude, do senso crítico e da coragem, tem que ter acima de tudo amor a tudo o que se faz, que gera maior dedicação e maiores resultados e sede de viver, se colocando em seu lugar e tratando apenas do que interessa – e a vida alheia, tão interessante para os pregos, não nos interessa.

E antes que me perguntem onde está a porra da resenha, termino este testemunho emocionado do poder de Deus em minha vida graças ao suor vendido pelo pastor Waldomiro Santiago dizendo que uma das melhores experiências de minha vida foi ingressar no Coletivo Brancaleone Punk Rockers. Um legítimo encontro de gerações que está botando a mão na massa para que o Punk siga vivo e resistindo culturalmente, que se valorize cada vez mais e que gere mais união entre quem leva o Punk a sério, a ponto do público dar feedbacks e congratulações a cada evento por nós realizado, tendo o mesmo a consciência que pagar entrada é importante para cobrir despesas e que um mal entendido se resolve em conversa (ou em sexo), e não em porrada, facada, paulada ou rolo de macarrão. E sentimo-nos honrados em ter realizado no último sábado o Melhor evento do ano em minha humilde opinião e na de várias que ali estiveram – Há quem acredite que os festivaizinhos do hangar feitos por quem não sabe o que é se fuder pelo punk há muito tempo só visando lucro ainda são o supra-sumo dos eventos Punk. E olha que o ManiFest é só em novembro. Mas este evento de sábado foi só um petisco do que será este festival. Show das bandas e do Público.

Lá vai eu virado de mais uma noite de pinga pura com os Punx colombianos aqui presentes (Que renderá uma postagem sobre as dificuldades e as gigs deles por aqui em breve) e com uns rockeiros de praça que são a companhia mais divertida da periferia abrir minha loja atrasado para fechar cedo. Era dia de Muito, mas MUITO trabalho pró pré-manifest 7. Grande expectativa do coletivo e do público, este evento tinha tudo pra dar certo. E Deu! Mas logo na chegada á estação de trem quase que troco o otimismo pela lei de Murphy: Saindo do torniquete da estação de Trem de São Caetano do Sul, dou de cara com uma reunião de Carecas, uns 20, e passo vazado. Estava sem visual e assim achava que ia adiantar algo. Eis que escuto algo como “É punk, é punk” e aperto o passo sem olhar pra trás. Mas percebo a presença de uns três em minha bota e olhando para trás não estavam muito longe. Eu, com um contrabaixo e uma pesada mochila mostrei pra eles que eu posso ser melhor atleta que eles e ganho a corrida, afinal a distancia favorecia minha dispersão e eles também desistiram logo ao entrarem em uma rua movimentada. Depois de tirar o coração da boca e o empurrar de volta ás minhas entranhas, chego ao Cidadão do Mundo já bem arrumadinho e limpo para dar os últimos retoques, como montagem do som, início da discotecagem que embalou os presentes enquanto as bandas não começavam , ajustes na mesa de som e pré-montagem do palco, que foi concluída pelo Babão (Lokaut), cara que entende do assunto infinitamente mais do que eu, analfabeto musical, mas assim insistente.

Enquanto isso, Mara, á paisana, ia na estação e via que a carecada continuava lá na porta da estação, bem na saída. Já se fazia clara a intenção do grupo: Espancar Punks sozinhos ou em pequenos grupos que fossem chegando ou, quiçá, invadir ou avacalhar o evento. Depois que saíram da estação, foram para um bar numa rua atrás do som. Mas não fizeram nada demais e foram embora. Sabiam da Grandeza do evento e que poderiam sim levar a pior se fizessem algo. Curioso que nenhuma viatura da polícia ou da Guarda civil circulava pelos arredores, isto facilitaria e muito a ação do grupo em caso deles conseguirem agredir ou até mesmo matar alguém. Não se soube de ninguém agredido por esse grupo, que talvez se apoiou na manifestação do 9 de julho promovida por grupos fascistas para depois rumarem para lá...

O tempo foi passando, o público chegando e nada das bandas... todas a bandas já sabiam de seu horário, das recomendações e responsabilidades. Mas a grande maioria decidiu chegar justamente em cima da hora de suas apresentações. Mas desta forma, todos os horários foram seguidos á risca e tudo rolou sob controle. O Tempo de palco para cada banda foi de 45 minutos e o tamanho do repertório de cada banda foi determinado pelas próprias: Quanto mais tempo arrumando as coisas, afinando, enfeitando ou simplesmente enrolando, menos tempo teriam para tocar. Mas em geral deu pra todas as bandas que tocaram Apresentarem seu trabalho de forma satisfatória.

Primeira banda a tocar, a Adios Girl abriu o evento em grande estilo, apesar de como sempre na primeira banda ter pouca gente presente. Banda relativamente nova, não tinha muitas músicas próprias e apostou bastante em covers bacanas de Subviventes, Ramones e Garotos Podres. O som é muito bem tocado e a Vocalista/Guitarrista canta muito bem, bela voz e bela Garota hehehe...

Em seguida foi a vez do The Beber’s Operário, de Paulínia, que mandou ver um som próprio de qualidade. Todos os integrantes da banda já são veteranos de cena, o que proporciona uma maior qualidade e maturidade no som da banda, um Punk Rock clássico e empolgante com refrões marcantes. A casa ainda não estava com um grande público mas as pessoas iam chegando aos poucos e engrossando a plateia do Bebers.

Terceira banda da noite, o Amnésia Coletiva, de Jacareí, Chegou exatamente bem na hora de tocar e o que vos esceve aqui doido da vida na pressa de coloca-los no palco. A casa já estava relativamente cheia e eles mandaram ver um repertório que enfim formou a primeira roda de pogo da noite, com a galera que veio da região do vale do paraíba e dos presentes do local que já possuem o Cd Split com o Pé Sujus, cantando as músicas e participando ativamente do som que foi muito bem tocado, uma energia imensa emanada do vocalista lecão ao público e ao restante da banda fizeram da apresentação do AC algo surpreendente até a quem não conhecia a banda.

Quarta banda a tocar, o 88 Não! Fez uma apresentação dentro do padrão de qualidade da banda: Uma música atrás da outra, direto e reto, com vez ou outra uma pausinha para conversar com o público, que pogava e cantava junto as músicas da banda e os covers de bandas como 2 minutos ou Attaque 77.

Depois veio a banda Lokaut, com a casa já absolutamente lotada fazendo um show que consolida cada vez mais a banda como uma das que serão definitivas para o futuro do Punk rock: Apesar de existir há bastante tempo, a banda só engrenou mesmo após seu retorno em 2009, fisgando um público fiel e conquistando mais admiração por onde passam, e o show de sábado foi a prova disso. Esperamos ansiosamente pelo lançamento do CD em fase de finalização!

Em seguida, veio... hehehe... Pé Sujus! Casa completamente cheia. Gente que veio ali para nos ver. Aparelhagem boa. E me achando pra caralho, na moral, Arrebentamos! Melhor show nosso em anos! 10 músicas apenas, mas o suficiente para ver a maravilhosa cena do público pogando, pulando, fazendo coro e participando. Fazia muito tempo que não sentia essa energia e participação do público em show nosso aqui na região de São Paulo. No final, fizemos questão de cumprimentar o público com aquele abracinho de fim de espetáculo. Um sincero agradecimento á estas pessoas que nos fazem continuar cada vez mais confiantes. E faço propaganda mesmo, porra!

Sétima banda a tocar, a banda Esgoto, em minha opinião a melhor do Brasil, já veio de outro show na região da Vila Brasilândia. Mas a energia do show deles era sim cada vez maior e melhor, pois fizeram uma das melhores performances da noite apesar do cansaço de já terem tocado há poucas horas atrás. E o público deu show mais uma vez, pogando na paz (tinha até desafeto meu que morre de vontade de estourar minha cara, conforme última ameaça, quietinho pogando ao meu lado) e ajudando nos backin vocals dos hinos eternos desta banda simplesmente foda! Punk rock sem frescura, Punk rock na veia!

Enquanto a cerveja tinha já acabado e o público começava a exterminar as bebidas fortes que tinham no bar enquanto o novo lote de cerveja não chegava, o Deserdados montava seus equipamentos para iniciar sua apresentação, enquanto o polivalente operador leigo de mesa de som, integrante de banda, integrante da organização, controlador chato de palco, pogueador e cachaceiro também fazia as vezes de DJ - aliás, isto em todos os intervalos de bandas. O show do deserdados foi bacana especialmente pois foram apresentadas várias músicas do terceiro CD da banda, projeto existente e comentado há anos e que espero que agora saia de vez. Neste meio tempo, com a saída do ex-batera Jamaica, a banda ficou um tempo parada e voltou ano passado com baterista novo e esta apresentação mostrou até mesmo certo amadurecimento na performance do novo batera, maior entrosamento da banda e recuperação da qualidade do som – quando um integrante sai, não adianta, não fica a mesma coisa, é preciso muito trabalho pra retomar o mesmo nível. O público participou ativamente, tão ativamente que chegou até a tomar microfone para cantar as músicas fora do tempo e inverter estrofes. Mas isso não é ruim não. É sinal de que o evento estava era cada vez melhor!

Nona banda, era a vez do DZK, uma das bandas mais aguardadas da noite, fazer sua apresentação que todos já sabiam como ia ser: Muito foda. O Baterista Makarrão estava mais bêbado que o convencional e o som rolou meio que de forma arrastada. Mas quem ligava pra isso? O pau comia no palco e no pogo e eu já derrotado no mezanino da mesa de som arriscava uns passinhos cansados enquanto dispersava o povo que ficava avacalhando na passagem da área de fumantes para a escada.

Décima banda a tocar e a melhor surpresa da noite, foi a hora do Avante! Dizer o que: Punk rock do bom, do melhor, do ótimo, do excelente, do “mara”, do caralho! Muito bem tocado, extremamente empolgante, banda entrosada e carismática no palco. Ganhou um fã. E vários outros também... A casa já não estava tão cheia assim (sempre tem os que vão só pra ver as bandas mais conhecidas), mas isto não tirou o brilho da apresentação desta banda.

Neste caso, faltariam duas bandas para tocar: Filhos da Desordem e Total Terror DK. Mas a banda Filhos da desordem não pôde comparecer e a banda Kob 82 foi escalada para substituí-los. Mas no dia do evento, o vocalista Tatu ficou doente e a Kob também não pôde tocar. E no caso do Total terror DK, havia show na mesma noite com o Dance of days, outra banda do vocalista Nenê Altro, e não conseguiram chegar a tempo em São caetano. Seria o fim? Não! A solução veio da colômbia, estava no som pogando e tinha nome: KRH.

Décima primeira e última banda da noite, o KRH pegou instrumentos e peças de bateria emprestados e descarregou seu Crust violento pra cima dos que ainda insistiam em estar ali assistindo ás bandas, uma apresentação de qualidade destes guerreiros do underground que mereceu todo o apoio dado por quem se dispôs a ajudar.

Eram então 3 e meia da manhã e assim encerravam-se as bandas. Mas não o evento! Prevenido com sempre trouxe meu equipamento de discotecagem de última geração (um netbook véio com virtual DJ) e fiz uma discotecagem com o melhor do Punk 77 que aos poucos foi formando uma grande roda. Uma solução de emergência que fechou o evento com chave de ouro. O público estava tão empolgado que, quando comecei a tocar coisas como samba rock ou Tim maia, continuavam dançando. Tive que parar o som e gritar para que o povo fosse embora para que pudéssemos fechar a casa. Mas ainda teve quem ficasse. Estes aí pegaram na vassoura, na pá de lixo, varreram o chão, recolheram latinhas enquanto eu fiquei com a ingrata missão do banheiro masculino, lutando bravamente contra um troço de merda grosso que boiava no vaso (quem cagou aquilo deve estar andando com as pernas abertas até agora) que não ia embora, pelo contrário, o vaso entupiu (tinha um balde de lixo do lado do vaso, mas tem gente que pensa que privada é lixeira), sem falar nos papéis higiênicos espalhados no banheiro. Mas, se estava bagunçado, é porque o evento foi sim de extrema Grandeza.

6 da manhã, enfim, após bem mais de 12 horas de punk rock e trabalho, pudemos rumar á nossas casas, esgotados, mas felizes e satisfeitos. Afinal, um evento que não deu prejuízo, local e aparelhagem devidamente pagos, incrivelmente nenhuma briga pelo que se saiba, todo mundo feliz, alegre satisfeito e bêbado. Que venha o Manifest! É dia 19 de novembro, hein pessoal!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

GRITOS DE REVOLTA, BAR DA LOIRA –JD. ELIZA MARIA, ZONA NORTE - 25/06/2011


Flyer da bagassa! E foto que é bom, nada...


Como já havia dito em alguma postagem anterior, o Jardim Eliza Maria é o templo Punk da zona norte. É o bairro que viu nascer e crescer a história da melhor banda do Brasil na minha opinião, a banda Esgoto. Banda que esteve á frente de eventos memoráveis como Caminhão do Tonhão (que virou até música da eterna banda Revoltados), onde bandas desengonçadas tocavam desengonçadamente na carroceria de um caminhão igualmente desengonçado, enquanto o povo fechava a rua pogando e assistindo as bandas e o bar do Zezé em frente faturava e garantia as cervejas pra galera. Havia também o Bar do Fubá, que por dois anos abrigou vários eventos que eram de lei entre 2005 e 2007, com presença maciça e garantida da galera que nos saudosos tempos de porta de galeria se juntavam na praça do correio e pegavam o busão pra subir este simpático morrão, o mais Punk do Brasil. Aliás, o bar do fubá era famoso também pelo caldinho de feijão que era o elixir da larica dos punks... por 1 real se provava desta iguaria em uma dose generosa de 200 ML e bem quentinho, podendo ser engrossado por farinha de mandioca e pimenta! Bons tempos e deu até água na boca só de lembrar.

Com tudo isso de importância, seria realmente uma mancada este bairro ficar de fora do mapa punk de São Paulo, certo? Pois bem, Após o fim do Bar do Fubá, ainda em 2007 o Chega Mais bar, numa rua paralela á Rua Manoel Aquilino dos Santos, a rua onde tudo acontece, recebeu uma gig com bandas do Rio de Janeiro. alguns meses depois,já em 2008, o bar da Loira (Que atende pelo nome de Daivan) teve sua estreia com inclusive um show da pé sujus. Ficou um tempinho sem rolar som, umm rockinho aqui, outro ali... Mas do fim do ano passado pra cá, foi decidido: O bar da Loira é a bola da vez no Eliza maria no que diz respeito ao Punk Rock. E, no ultimo sábado, foi minha vez de voltar no aconchegante buteco com o pé sujus após três anos. De fato, em dezembro passado já estava ali com a peça “Um minuto para o Caos”, mas nesta Gig que vou resenhar depois desta encheção de linguiça sem fim, teve um significado especialíssimo para estarmos ali tocando. Não só a singularidade do local, que conta com a participação não só dos que curtem um rock, mas dos vizinhos, das crianças, dos “Vileiros”, todos na mais perfeita harmonia e espírito de confraternização. Além de claro, ser a consolidação da amizade que tenho com a Banda Esgoto, uma relação de mais de 7 anos de parceria, um indo tocar na quebrada do outro e se encontrando pelas gigs, Uma amizade que posso sim chamar de Verdadeira e sem nenhum contratempo. Por mais que alguns pregos que querem minha cabeça declarem que o Eliza maria é “Pico deles”, É sempre um prazer estar ali. E ai deles se tentarem fazer algo ali. Como diria o ratos de porão, em épocas que eles ainda pisavam no que foi tema da música que vou citar, “Tudo acontece na periferia”.

Lá vai eu então encerrar o expediente de sábado da minha modesta loja aqui no meu idolatrado salve salve-se quem puder Itaim Paulista e aguardar o melhor horário para pegar o trem sentado na pracinha dos rockeiros e dos fashion-gays (Beijo meninos/meninas pois é sinal de modernidade – mas minha mãe não pode ficar sabendo), bebendo uma indispensável “Bolinha” (corotinho) de maçã quando uns amigos que há muito tempo não via chegaram por lá com mais pinga e sedentos por um rolê. Detalhe: eles eram da época do Bar do Fubá, do Caminhão do Tonhão... foi a deixa perfeita para que chamasse-os para o rolê. E proposta aceita, por volta das 20:30 fomos para a estação de trem aguardar pelo velho de guerra e fiel escudeiro de rockeiragem sabugo! Descemos na estação de Trem do Bairro do Ermelino Matarazzo para esperar o baixista Punkelo e outros punks que nos acompanhariam á este épico trajeto de mais de três horas. O desgraçado atrasa em 40 minutos, mas enfim chega e rumamos ao Brás, onde o Guitarrista Cesar também fez o favor de atrasar. Mas o que importa era que o trajeto estava andando, devagar mas indo, regado á muita catuaba selvagem e 51 com coca cola, evocando o espírito moralista do Brasileiro, da senhora que pergunta onde vai parar nossa juventude, mas teve um filho sem pai conhecido aos 16 anos e fuma 3 maços de cigarro por dia e ainda despreza os mendigos os chamando de cracudos, e do Senhor distinto e de respeito que jura que tomar um goró na juventude é coisa de quem não tem o que fazer e acha que deveríamos pegar na enxada, enquanto ele olha babando pra bunda da Morena que está de pé próximo ao seu rosto.

Após chegar em Santana e pegar o ônibus em direção ao som, mais uma viagem longa nos esperava. Mas milagrosamente o trajeto foi curto, o ônibus foi rápido e o trânsito não estava carregado. Nesse Ínterim, o Baterista Chu me ligava de 5 em 5 minutos repetindo o mantra do Burro do Shrek: “Tá chegando?”, “Ta chegando?”

Descemos no ponto do Eliza Maria e ainda caminhamos uns 10 minutos até chegar no bar pelas ruas sobe e desce, estreitas e com visão panorâmica (uma linda visão de São Paulo á noite é proporcionada dali), eis que quando chegamos no buteco, o chu já se encontrava sentado na bateria. Sim, era nossa vez! Os cumprimentos aos presentes conhecidos seria dado diretamente no microfone. E recebo a terrível notícia: Odio Social já tinha tocado. Perdi. Meeeeeerda!

Ajusta aqui, pede o baixo emprestado dali, e prontamente começamos nosso repertório do Pé Sujus: A mesma coisa de sempre, as mesmas músicas, só que com um toque a mais de peso e agressividade. Afinal, ironizando umas pessoas presentes que pra eu ficar sabendo o que falam de mim tenho que ouvir dos outros, “Somos safados. Somos safados pois gostamos de sexo”. E modéstia a parte levamos o buteco abaixo! Uma galera empolgada e interessada não só no Pé sujus mas em todas as bandas agitava e cantava sem parar. Uma ótima apresentação regada á cerveja geladinha – gentileza dos irmãozinhos da banda esgoto.

Em seguida, a banda Jhaspion assume a vez de fazer barulho e isso fizeram mais uma vez muito bem. No início a galera não estava muito empolgada para interagir com a banda, talvez por não conhecer a banda. Mas o repertório foi avançando e no final uma grande roda de pogo era ditada pela banda que descarregava ali seu crossover do diabo pra cima daquelas cabecinhas endiabradas de moicano erguido com sabão, jaqueta com rebite enferrujado e patchs feitos a mão.

Terceira banda a tocar, mais uma vez de novo novamente again, Invasores de Cérebros! (O blog terá que presentear esse véinho punk,ops, Ariel, pelo número de participações em posts nesta budega. E como não poderia deixar de ser, fizeram uma ótima apresentação, oportunidade de ver de graça um dos grandes clássicos do Punk Nacional, e que diferente de muita banda “antiga” e “de nome”, não negam a raiz e tocam mesmo na periferia sem dó e sem encheção de saco de aparelhagem valvulada e toalhas brancas no camarim. Esta sim, uma verdadeira banda punk que é sempre presente neste blog por sempre estar fazendo parte dos melhores momentos do Punk rock nesta cidade.

Quarta e última banda, a esgoto mandou ver um extenso repertório de mais de uma hora, aproveitando que ainda tinha muitíssimo chão até os ônibus começarem a rodar. E cada hino que era tocado (esgoto não tem musicas, tem hinos!) eu me empolgava mais. Era meio que um backing vocal em off da banda, toda hora indo pentelhar no microfone do baixista neno. É uma banda que me orgulho pela simplicidade, crueza e letras ótimas, além da atitude ser de cada vez mais humildade em cada ano que passa, e olha que já são 23 anos de luta! Fez o povo pogar, cantar, participar e beber (“circulação alcoólica, um dos seus clássicos, instiga nosso cérebro a procurar por uma cachacinha para ilustrar nossas balbuciações de acompanhamento da letra). Simplesmente sensacional!

Saldo Final: A banda insight (cover do Dead Kennedys) não compareceu. Uma pena. Não teve briga, só um principio de discussão motivado por um punk ter lavado as mãos no banheiro com a porta aberta(!) e ter desagradado os locais. O problema é que o punk ao invés de só pedir desculpas pelo “ocorrido” resolveu estufar o peito e esquecer onde estava pisando, com o argumento de não “baixar a cabeça pra ninguém”. Sorte que tão besta começou a discussão, tão rápido acabou a mesma. E o evento teve apoio do projeto “Estudio Garagem”, projeto vencedor do VAI na região. Descolaram uma verba para investir em cultura na região, podendo os locais contarem com vários shows com a aparelhagem comprada com o incentivo em vários locais da região em breve, além de uma coletânea das bandas locais apresentando seu trabalho para o mundo. Finalmente o Punk conseguiu arrancar um pouco de dinheiro desses malditos donos do poder. Aliás, pensando bem, esse dinheiro é NOSSO! Vem dos nossos impostos, e esta iniciativa não é mais que obrigação da prefeitura, que deveria sim expandir cada vez mais e mais. É uma forma do povo se organizar e ele mesmo fazer cultura com a cara dele, do jeito que ele gosta. Parabéns á Tatiana, que encabeça o projeto e fará muita coisa legal. Além disso, não satisfeita, Ela ainda toca na Banda Útero Punk e tem um programa na rádio Cantareira FM, o “Mina Rock”, aos sábados das 16 ás 18 hs (quem é da região pode dar uma prestigiada no programa, ao vivo). São pessoas assim que ajudam a fortalecer cada vez mais a cena.

Só nos restou então puxar o carro e subir a ladeira em direção ao ponto de ônibus mais temido pelas empresas de ônibus, aos domingos de manhã: Aquele ponto cheio de punks, no qual 3 pagam e 27 passam por baixo. Tradição desde 2005, nas voltas do Bar do Fubá. Coisas de punk...