domingo, 23 de dezembro de 2012

Riistetyt - Galpão Estúdio, Ferraz de Vasconcelos, SP - 09/12/2012

 Flyer da Bagassa!

Povo Endoidando (Foto por Sueliton Lima)

Riistetyt on stage! (Foto por Simoni)

Show completo! (Por Bolaxxa)



7 meses depois uma postagem. Pois bem, já era de se esperar, este blog sempre foi algo inconstante e esporádico... um verdadeiro balde de água fria em quem torce contra: Quando achavam que eu estava já louvando ao Senhor, PIMBA! Lá vem o Feio!

Aconteceu MUITA coisa em minha vida: Sou um homem casado, afastado do rolê (embora continue produzindo uma coisa ou outra - esta sede é insaciável) e enquanto estou aqui catando os piolhos de memória recente que ainda vivem em minha cabeça pra elaborar esta postagem, minha esposa sente uma dorzinha ou outra, decorrente do fim de Sua gestação do meu Primeiro Filho! Sim! Vou ser pai! E espero que o pequeno Arthur espere eu concluir esta postagem para estourar a bexiga da mamãe e nos fazer todos correrem alucinados até o hospital que preste mais próximo. Casamento e paternidade mudaram minha vida 500%. Me fez enxergar quem são os verdadeiros amigos, as verdadeiras prioridades e trabalhar muito, mas Muito  mais mesmo do que já trabalhava. Mais um ciclo da vida que se inicia e agrega ao aprendizado que é Viver e conviver. E tudo isso meio que me impedem de frequentar com assiduidade este blog - mas hoje dei uma escapadinha e poderei fazer uma postagem não só impossível de deixar batida como já muito pedida pelos fãs e leitores: A resenha do histórico show do RIISTETYT aqui no extremo leste, a meia hora de casa e organizado por este que vos escreve...

Lembro perfeitamete dos idos de 2003, eu com meus 15 anos de idade mais ou menos, declaradamente Punk mas ainda adquirindo o início do conhecimento básico de som que possuo hoje, indo até a extinta Decontrol, a famosa loja do Fábio do Olho Seco,com suados 20 reais pra comprar um CD novo na galeria do Rock. Garimpando os CDs da Loja, vi um CD de uma banda que só conhecia pelo nome até o presente momento, embora já tivesse visto muito a galera usando camisetas e patchs da mesma. E como na época não tinha youtube ou internet fácil pra todo mundo, quem quisesse conhecer um som novo tinha que ir até a galeria e procurar algo na Decontrol, na Fora do Ar (Famosa por ter coisa que ninguém tem, a maio loja de CD pirata que já existiu e que quase foi pro saco por conta do advento da internet barata e fácil trazendo MP3 grátis a torto e a direito) ou na Estrondo (Em seu Auge, a meca dos Emos, mas nessa época ainda era uma loja boa pra quem quisesse som nacional original). Vi que era uma coletânea com 3 álbuns completos, o que seria suficiente pra conhecer legal esta banda. Era uma pirataria muito bem feita, capinha xerocada colorida a laser, mídia maxxel ( na época a mais cara das marcas populares de CDR)... e o preço? Fábio Dispara:

-15 reais.
- Mas é Cópia, 15 reais tá muito caro...
- Não saiu no Brasil, você só encontra na Gringa isso, ou só importado, Vai levar?

Tentado e ao mesmo tempo indignado por pagar tão "caro" (depois vi que realmente era uma mamata, quando tive loja vendi um EP em vinil desta banda por 45 reais e não dava pra fazer por menos), tirei meus trocadinhos e levei aquela coletânea do RIISTETYT pra casa - E como lá não tinha bala, levei o troco de Botton... E aquele CD virou minha mania! Ouvia aquela porra o dia inteiro e por mais que não entendesse porra nenhuma, era o que eu gostava de ouvir: Cru, sujo, oitentista, desgracento, enfim... PUNK! Virei fã de cara, embora outras bandas foram surgindo e acabei deixando o CD empilhado com os demais no meu ainda pequeno acervo - possuo o mesmo até hoje em ótimo estado - mas sempre que podia ouvia e pirava como sempre.

4 anos depois eles chegam no Brasil para uma tour - em 2007 - e fui num show em uma quinta feira na cidade de Campo Limpo Paulista. A acustica não estava muito boa, o som meio embolado e tive que ir embora antes do termino do show - em vão, os trens pra são paulo já tinham encerrado as operações e dormi na porta da estação de trem. Mesmo assim, era A banda dos meus 15 anos e o pouco que vi foi satisfatório pra Dizer "Eu já vi ao vivo" - Mal sabia eu que 5 anos depois eu estaria a frente de um show deles, dando risada, bebendo cerveja junto, auxiliando no backstage...

No fim de setembro um amigo da região sul, o Fernando da Experimental Distro/ Banda Sin Rejas, com o qual tentamos viabilizar a vinda da banda espanhola Non Servium ao Brasil (Sem sucesso, mas tentamos hahaha) me mandou uma mensagem pelo Facebook avisando que o Riistetyt estaria vindo ao Brasil para uma Tour em Dezembro e me mandou o Contato do Renan da Terroten records, que estava viabilizando esta Tour e cuidando da Agenda da mesma. De Pronto lá fui eu atrás de uma lacuna qualquer de datas que eu pudesse preencher. Renan então me passou a Bola para falar com o responsáveis pelos Shows em SP: Marcos, do Agrotóxico. E Lá fui eu mendigar uma data, quando vi que restava o domingo, dia 9 de Dezembro. Bati o Pé, insisti e consegui a data, após acertar (quase) todas as condiçoes pra realização do show. Queria mesmo era fazer em São José dos Campos, na Hocus Pocus, porém o local já iria receber um show do Tim Ripper Owens (ex- Judas Priest) no mesmo dia. Sondando um lugar, vendo as possibilidades de outro, acabei arriscando num local que sempre me abriu as portas e está a 30 minutos apé de casa: O Galpão Estúdio em Ferraz de Vasconcelos. Será que o local teria estrutura de aparelhagem, capacidade de pessoas e boas condições de aluguel para fazer este show? Quando fui lá confesso que perdi tempo na procura pelo local. Mas O tempo que perdi foi antes de ir lá procurando locais "maiores"e mais "Bem localizados". A proposta foi aceita de braços abertos, o sim foi dado na hora e o galpão entrou de cabeça junto comigo, providenciando tudo que o show precisasse para ser o evento histórico que foi.

Saiu a Notícia, então: RIISTETYT em Ferraz de vasconcelos! O Subúrbio da Zona Leste finalmente receberia esta LENDA HISTÓRICA do punk rock e choveu banda querendo abrir o show. Mas escolhi bandas que sempre estiveram lado a lado comigo e que mereciam sim estar ali dividindo o palco com aquela Lenda Finlandesa: Ódio Social - A banda do ano de 2012, na próxima postagem digo porque -, KRH - depois de tudo que estes meninos Colombianos agora moradores do Brasil passaram, nada melhor que este show pra confirmar sua redenção, KOB 82 - Banda que corre junto desde sempre, sem palavras além do que o Baixista Presunto elaborou o Flyer, e Amnésia Coletiva - Parceiros de Longa data, nada mais justo que presenteá-los com esta oportunidade.

220 ingressos foram colocados a venda e somente de forma antecipada - embora na porta surgiram uns disponíveis por conta do local ter segurado uns pra uma galera que ficou de pegar e não o fez, para alegria dos desingressados - esgotando dos pontos de venda (Garimpo Cultural, minha ex-lojinha; Essencia Skateboard, aqui no Itaim paulista, da amiga e Skatista profissional Cris Punk) uma semana antes do Show. Muitas fofocas sobre brigas, presença dos mesmos babacas atrasa lado de sempre e carecas afastaria algumas pessoas de participar desse evento... Mas é triste saber que tem gente que ainda dá credito pra Boato, perderam o show do ano! Deu tudo certo e a PAZ e o RESPEITO prevaleceram.

Chegou o dia do evento, como de costume cheguei cedo ao galpão para acertar as paradas. E já tinha MUITA gente nos arredores do local! Seja pra ver se sobrou algum ingresso ou para ser uns dos 50 primeiros que além de ganhar um botton exclusivo para estes 50 tambem teriam direito a concorrer a camisetas e CDS da FEIO RECORDS. Por volta das 16:45, a primeira banda sobe ao palco.

O Show do Amnésia Coletiva já contava com um bom público presente, prestigiando e agitando o som da Banda - Coisa rara de acontecer, um dos motivos da maioria das bandas não querer ser a primeira  a tocar é a indiferença do Público e muitas vezes acabar por ser "bucha de canhão" de aparelhagem. Mas a aparelhagem estava perfeita, a banda entrosadíssima e 800% no palco desferindo seu repertório cada vez mais presente na ponta da língua da galera e ainda me chamaram pra fazer a já clássica participação na música "Vida desgraçada" e tocaram um som da Falecida Pé Sujus aproveitando que eu estava lá no palco.

Em seguida o KRH assumiu o palco e executou seu potente e bagasseirístico repertório, atraindo mais pessoas pra dentro do local - e do pogo - numa apresentação bem empolgante, mas curta - dos 50 minutos de palco usaram pouco mais que 30... mas a banda é hardcore, crust, pitadas de grind, então foi mais que o suficiente!  Aliás o que me chamou a atenção é que TODAS as bandas deram o melhor de si no palco, se prepararam muito bem e seguiram todas as recomendações, colaborando para que este evento fosse a perfeição que foi.

Enquanto isso os caras do Riistetyt já haviam chegado ao local. Ficaram no "Camarim/Backstage"esperando sua vez de tocar? Nada... foram é tomar vinho de 2 real com os punks, tirar fotos, assistir as bandas... Lição de humildade pra muita bandinha pão com ovo nacional aprender.

Terceira banda, era a vez da KOB 82. Tantas resenhas que fiz que eles participaram, tantas vezes descrevi bem a apresentação deles, e desta vez não poderia ser diferente. Só tem um porém: Pode se passar os anos, KOB 82 já tá na história do Punk de suburbio nacional. O show deles foi prova disso: uma grande roda de pogo se abriu, cada vez mais pessoas cantando junto, e o detalhe que mais me chamou a atenção: O baterista Limão tocou pra caralho... com o Pé Engessado. O cara chegou e eu me perguntei: Como ele vai fazer? Depois que o vi tocando me perguntei: Como Pode? Que macumba é essa? Que venha logo o tão esperado Full Lenght da banda - que pude escutar umas pré-mix e adiantar que vai ficar Show de Bola.

Penultima Banda a tocar: Ódio Social, a banda de 2012. Por que Penultima?
A Banda trabalhou duro na cena este ano e é uma das maiores representantes da nossa geração. E Trabalhou mais duro ainda na divulgação do evento. Não fosse pelas postagens insistentes e compartilhamento do flyer de forma ostensiva no facebook, talvez este evento não tenha sido tão bem frequentado e SOLD OUT. Nada mais justo que agradecer desta forma. Não que as outras banda são "Ïnferiores" ou que não mereciam estar tocando neste horário - com a casa já 90% lotada. O Ódio Social fez por merecer por todo o trabalho junto ao evento. E Retribuiram este agradecimento levando a galera á loucura com seus pouco mais de 20 minutos de paulada Hardcore sem descanso, aquecendo bem o sangue da audiencia e mostrando o porque que estão voando cada vez mais alto.

Era a vez da banda mais esperada da noite. E enquanto eles arrumavam as coisas no palco, quem estava no lado de fora chegava pra preencher totalmente cada centímetro do local. Eu realizava o sorteio dos premios aos 50 primeiros. E quando via algum deles me abordando para obter alguma informação ou pedir mais uma garrafinha de Itaipava, lembrava do momento que comprei o CD deles na Decontrol. E por mais que eu as vezes fique indignado com falta de união e outras idiotices da cena, só o Punk mesmo pra me proporcionar aquele momento: Eu estava na minha quebrada trazendo uma das bandas da Minha Vida, fazendo 260 pessoas ( entre pagantes, bandas e acompanhantes) entrarem em delírio total, receber elogios e algumas pessoas me dizendo que aquele foi o melhor show que já foi na Vida. Só me restou Sorrir... e me equilibrar na ponta do palco enquanto eles dominavam o local hipnotizando umas pessoas, enlouquecndo outras, provocando não só um Mosh, mas uma Chuva de gente que caia do palco, se esborrachava no chão e sorria a cada hematoma adquirido - Dói pra caralho... mas é o Riistetyt, PORRA! Chegou a um ponto de eu ter que intervir e pedir no microfone pro pessoal que subia no palco colaborar e tomar cuidado... um subiu pra pegar no microfone e pisou no pedal que o Guitarrista Vege usava; Outro precisou levar uns murros do Vocalista Lazze pra ir de volta á plateia, pois quase cai sentado na bateria; outro resolveu brincar de pega pega comigo e esbarra bruscamente no baixista Piise, que também deu uma chapuletada no doidão pra ele se ligar. Mas depois o pessoal colaborou e apenas subia pra já pular e o show correu tranquilamente no palco - e no pogo o pau comia... carteiras se perdiam, óculos se quuebravam, narizes sangravam, camisetas se rasgavam. O Ponto alto foi na hora da canção mais conhecida da banda: Quando Piise dedilhou os primeiros acordes de "Mieletonta Vakivaltaa", Nego pulava de alegria como se fosse a melhor coisa que aconteceu na vida... e o pogo se estendeu até o final do salão, com uma participaçao especial improvisada: Abel, da banda Antagonicos, pegou um dos microfones e cantou junto com Lazze a canção inteira. Momento lindo do show, onde diante de tanta loucura da plateia os fotógrafos disputavam cada centimetro da ponta do palco pra registrar aquilo.

A apresentação teve direito a BIS, que serua de 3 músicas mas acabou estendido para 5 canções, pegando de surpresa os que já deixavam o local - e corriam arrependidos de volta pro pogo ao inicio do BIS.

Saldo Final: Evento PERFEITO. PAZ total. RESPEITO mútuo. Suporte total das bandas, do local. Boa aparelhagem, cerveja barata, alimentos vendidos no local. Galera da Zona Leste mas também de Santos, Itu (excursão), Jacareí, São José dos campos, Jundiaí e todas as zonas da região metropolitana. O Show mais parecia uma grande reunião de amigos do que um evento propriamente dito. Se todos os shows fossem assim, a cena punk de São Paulo seria um EXEMPLO para todo o Mundo. Foi sorte? Desta vez foi a postura de cada um que colou que fez desse evento o fato histórico que foi. Agradeço a cada um que foi por dar a esse evento a Grandeza que  teve. E que seja assim em muitos mais eventos. Foi um evento no ultimo mês de um ano conturbadissimo para a cena. Mas que seja o Inicio de um ano e de uma era de uma cena mais consciente, fraterna e que sabe onde está e o que está fazendo, a exemplo do que foi este show. Ah, sim... ganhei uma camiseta da Tour das mãos da banda. Lisonjeado é Pouco.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

8 ANOS DE PÉ SUJUS - CIDADÃO DO MUNDO, 15/04/2012 - SÃO CAETANO DO SUL, SP


 Restos de Aborto e Barata (DZK) - Por DITOPUNK


 Pé Sujus - Por Punky


 Juventude Maldita (Casa lotada) - Por DITOPUNK


Sub Existencia - por DITOPUNK


Venci a preguiça, a falta de tempo e a falta de interesse para escrever esta resenha. O Blog tá paradinho faz tempo, eu nem tô colando em som praticamente, muito menos tocando ou organizando algo, com exceção deste evento a ser resenhado duas semanas e tarará depois. Muita coisa aconteceu neste meio tempo: Anúncio de paternidade, perda do filho, Fechamento da loja, emprego arrumado e perdido, minha volta para a açougueiragem, perda de paciência com organização de eventos e ameaças sérias de morte por conta de ser amigo de quem eu quiser, encerramento de minha banda e consolidação do meu noivado. Milhões de coisas que aconteceram e ainda acontecem que me mantém distante do Blog, ao passo em que todos que me acompanham querem mais e mais!

Foram poucas gigs a que pude comparecer neste ano. E como não poderia deixar de ser, até o breque que eu dei em rolês e iniciativas incomodam algumas pessoas que acham que esse será o meu fim no punk rock e início da vida de mais um cidadão qualquer que "Já foi punk e viveu muito esta fase". Estou distante, mas não morto - pelo contrário, tô aqui em off preparando muita coisa que realmente irá fazer a diferença nessa porra, mas prefiro não ficar citando ou prometendo, pois se der errado ninguém viu, ninguém soube... hahahaha.

Quem me conhece meio que se surpreendeu com minha decisão de  Não fazer mais eventos. mas como citei acima, minha vida deu uma volta surpreendente e que não me permite ter mais este stress... sem falar que não posso nem pensar em me arriscar, minha cabeça não está a prêmio - Está valendo Milhões! Junte gente que vai no seu evento pra te matar, mais a falta de apoio de quem tanto repetiu que voce poderia contar com esta pessoa, mais o gasto envolvido, mais o desgaste físico e mental, mais os imprevistos, mais a turma da mendigagem... Junta tudo isso num evento só e Boooom! Depois de tanto stress e apuro, sentei no palquinho do cesar bar em janeiro (ultimo evento antes deste) e falei pra mim mesmo: "Chega". Agora o meu foco é cuidar da minha vida, e quem quiser que eu organize algo, que chegue junto, pois minha cabeça não tem mais espaço pra tanto B.O. Continuo organizando esporadicamente os eventos do Projeto Shadowplay, mas isso demanda menos custos, menos material, menos dor de cabeça e ainda tenho um parceiro Pedra 90* que fecha de verdade, além do público mais maduro e menos preocupado em encher o saco dos outros, que só querem saber de uma coisa: Dançar e se divertir. Não me desfazendo dos Punks, mas são poucos que me dão orgulho, o resto só dá trabalho. E por que tô nessa ainda? Porque eu gosto!
Porque o punk vive dentro de mim! Mas assim como qualquer outro grupo qualquer, os punks também tem seu pézinho no senso comum e os mesmos vicios sociais que qualquer pessoa. Se eu fosse regueiro, funkeiro, pagodeiro, crente, traficante, presidiário ou participante de reality show iria passar pela mesma coisa... O problema do Punk com tudo isso é que, ao invés de combater e quebrar tudo que gera desunião entre as pessoas acabam sendo até piores que os alvos dos seus protestos algumas vezes... e como levar a sério pessoas assim? Mas eu corro por mim mesmo, portanto, tenho direito de ser o que quiser da forma que quiser e dar as caras com a frequencia que eu quiser nessa porra! Prontofalei...

* Pessoa de grande valor. Que cumpre com sua palavra.
Originária do jogo de TOMBOLA (similar ao bingo), mas com noventa pedras no saco. Pedra 90 é a pedra de maior VALOR no saco. Nada haver com a pinga de mesmo nome, se bem que esta pinga já me trouxe muita felicidade nos rolezinhos com 50 centavos no bolso e muita vontade de ficar bêbado...

Se desencanei, por que eu acabei realizando este evento então, ora bolas? Por dois fatores: este evento foi nada mais que o fechamento de um ciclo em minha trajetória no meio Punk. Não se tratava apenas do Show de 8 anos do Pé Sujus. Tratava-se do Último Show do Pé Sujus em 2012. Tanto no sentido de último do ano como de todos os shows. A banda embora estivesse bem lembrada, passou por um desgaste interno que fez chegar ao ponto de não ter mais condições psicológicas de continuar por aí.Ninguém brigou, ninguem se desrespeitou, apenas não dava mais. Mas agora não é hora de justificativas e sim de resenhas. O Outro motivo foi a escolha do Local. O Espaço cidadão do Mundo foi o melhor em questões de localização, estrutura básica, capacidade e público frequentador. E Acertei em cheio em abrir esta exceção: O evento foi um sucesso, fiquei bastante satisfeito, como há muito tempo não acontecia... E não posso esquecer do apoio dos Amigos Mós, que trouxe o ampli de Contrabaixo; Daniel (88 Não!) que veio com um dos dois Amplis de Guitarra e as ferragens da Bateria; E do Getúlio (Herdeiros da revolta), que disponibilizou seu carro para fazer correria com o Surdo da bateria, algumas ferragens que levei, além do outro ampli, saindo de São Mateus, para vir aqui no itaim e depois indo para São Caetano, além de todo o Staff do Coletivo que toca o espaço cidadão do mundo que deu todo o suporte, tanto na portaria como na mesa de som, iluminação, montagem e desmontagem de palco entre outros corres que costumo fazer sozinho me multiplicando em vários que não sou por ser um só.

A correria começou cedinho, 11 da manhã eu e Minha noiva estávamos já num local combinado com o getulio para pegar a carona, que atrasou uma hora e meia,  em Direção á Favela do Tijuco preto aqui no itaim Paulista, buscar o que faltava na casa do jean, meu parceiro de Projeto Shadowplay e depois ir direto para São caetano, uma viagem que se arrastou por mais de duas horas por conta de trânsito e uma paradinha pra comer pois como estava há horas em jejum já estava tremendo de fome. Pouco antes das 15 hs Chegamos ao Local, que já estava aberto e algumas bandas já tinham chegado. O horário previsto para o início do evento era 15 hs em ponto, mas como eu mesmo cheguei atrasado por conta das correrias, além de outros problemas de última hora com uma Máquina de Chimbal, o início da Gig se deu exatamente ás 16 hs, para que pudesse ter um controle sistemático do horário das bandas.

A Banda de abertura do evento foi a Restos de Aborto de Tatuí. Quando resenhei a apresentação da banda numa Gig em Itu no ano passado, citei que a banda era ótima, mas que tocava muito cover. Nesta apresentação me deparei com Mais sons próprios, que fizeram a já numerosa galera presente agitar muito! e ainda contaram com a Participação especial ilustre do Barata (DZK) que estava presente e que cantou um som do DZK com eles! Resumindo: Apresentação Fudida!

A Segunda banda foi a Jhaspion, que neste som se apresentou como Dupla (Guitarra/vocal e Bateria), Pois o Baixista virou Funkeiro e deveria estar num pancadão ao invés do Punkadão no ABC que estava rolando! Eles fizeram uma apresentação com suas musicas mais conhecidas e mais covers que o habitual, em razão do déficit de integrante daquela ocasião, mas fizeram o que tinha que fazer direitinho - o público não só agitou como aprovou. Afinal, crossover de qualidade, paulada uma atrás da outra, ás vezes o baixo não fez tanta falta assim...

Terceira banda, o 88 Não fez um show como há muito tempo não via. Levantaram a galera e fez a casa, Já lotada, ir abaixo! Todo mundo cantando, pogando, pulando, endoidando, participando. Pra variar, foi mais um show com um outro vocalista diferente, mas esta apresentação foi de energia e potência sem igual!

A quarta banda foi o Powerpop único e magnífico do The Tries!Esta banda é relativamente nova, surgiu ano passado, mas Já se apresenta em vários locais bacanas de SP e conta com integrantes vindos de bandas como Fox Hound, Morte Cerebral e Jump Boys, e fazem um tipo de som pouco explorado na cena nacional: O PowerPop de bandas como Undertones, The Boys, Fast Cars e afins, cantado em inglês. Muito, mas muito bem executado, tanto que o pessoal do Sub existencia, próxima banda a tocar, do lado de fora me perguntou na hora que saí pra dar uma pescoçada no movimento da rua:
- E essa banda aí tá enrolando pra começar a tocar?
E eu disse:
- Já estão na quinta música!
- Porra, pensei que era discotecagem...
Tem algo mais pra dizer desta banda ao vivo? Qualidade Indiscutível!

Quinta banda a se apresentar, foi a vez do Sub Existencia. Que com uma nova formação, de velhos conhecidos da cena Punk da ZL (Marcello kaskadura do Melody monster, atos de vingança e outras; E Lado, do Revoltados, transgressores e muitas outras bandas) além do velho de Guerra Walter detrito. E a Energia e a Sintonia fizeram o Subexistencia detonar uma apresentação totalmente Pogante e potente, do início ao fim! Mais uma vez a casa tremeu!

Em seguida foi a vez do Amnésia Coletiva! Não é só uma banda Parceira. Assim como sempre traz uma galera, neste caso veio uma van com um pessoal de Jacareí e São José dos campos junto com a banda, que cada vez mais vem conquistando o público da capital, não só pelo carisma da banda como pelo sucesso do quase esgotado split com o Pé Sujus, e isso foi provado nesse show! O Pessoal se arrebentou tanto que o único registro de inicio de tumulto foi uma briguinha besta causada por ânimos incontidos que acabaram gerando cotoveladas em bocas que não gostam de levar cotoveladas, mas logo foi resolvido e todo mundo estava pogando o hardcore porrada do amnésia feliz (e com a boca sangrando, alguns) novamente.

Sétima banda e uma das mais aguardadas, o Palco era do Juventude Maldita! Pude dizer que foi uma apresentação magnética, pois o primeiro acorde foi dado nos instrumentos do trio e todos que estavam do lado de fora foram atraídos a lotar a casa e abalar as estruturas do local mais uma vez. também, pudera: Onde o Juventude Maldita pisa pra tocar, ninguém fica parado! Puta apresentação memorável.

Antepenúltima e oitava banda, foi a vez da Lenda do Punk Nacional pouco reconhecida por não ser Paulista ocupa o palco do Cidadão do Mundo: Falo de Pacto Social, a banda Punk do Rio de Janeiro mais antiga em atividade. Tocaram os maiores Clássicos de sua carreira como "Final do mês", "País do futuro", "Hasta la lucha y Viva zapata", "João Honesto", "Vaticano" (Que teve até clipe na MTV nos anos 90) e as duas clássicas músicas do Espermogrãmix, banda que deu origem ao pacto social: "Trabalhadores Brasileiros" e "Bombas". A casa já não estava tão cheia assim, até porque já passava das 21 horas, mas a apresentação empolgou todos que ali estavam, sem falar que a banda, pela sua importância e tempo de estrada, esbanjou esforço e Humildade em vir até São paulo tocar de graça e ainda por cima conseguir um baterista substituto que não pode vir em cima da Hora e fazer bonito, além do baixista Gárgula emprestar seu Contrabaixo pro Punkelo mais tarde, na apresentação do Pé Sujus.

Nona Banda do Domingão, a Colombiano-Brazuca (todos moram no Brasil, chegaram da colombia e não quiseram mais ir embora! hehehe) KRH ocupa o palco e descarrega seu Crust Insano que faz os que ficaram cair no pogo. Sim, esta banda conseguiu superar uma série de dificuldades e hoje tem até Público fiel aqui no Brasil! E Fizeram um ótimo show como sempre, apesar de eu não poder ver quase nada do som dos caras por estar tratando de alguns outros assuntos.

Última e décima banda, Foi a nossa vez de tocar, finalmente, para os sobreviventes que realmente queriam nos ver... E fiquei surpreso, pois no começo tinha só um pouquinho de gato pingado, mas ao longo da apresentação surgiram pessoas que eu até jurava que tinham ido embora! De meia dúzia de gato pingado que tinham aparentemente sobrado, surgiram umas tres dúzias de bravos resistentes pelo menos! A maioria de grandes parceiros, pessoas que fizeram questão de permanecer li para nos ver. E muita, muita gente nova na cena que nos via tocar pela primeira vez - e provavelmente pela única vez. Nossa apresentação, como a de todas as bandas foi bem curta, não só pela falta de ensaio, mas pelo horário - Já passava das 22 hs quando iniciamos nossa apresentação. Comemoramos 8 anos e encerramos nossas atividades com chave de Ouro. Puta apresentação! Energia da plateia e entrega total dos meus parceiros de banda... Nunca vi show tão energético e pesado como este que fizemos. Quem não foi perdeu uma apresentação histórica. Não por ser a última, mas por ter saído tudo direitnho, redondinho...

Dez e meia da noite e o evento enfim encerrou. O que temos a dizer? Evento perfeito. Saldo totalmente positivo. Todas as bandas deram o melhor de si e o evento ocorreu quase conforme o planejado - só faltou começar no horário previsto, mas fluiu muito bem. Público show de bola! MUITA gente nova, uma geração que vem chegando com muita vontade de fazer as coisas e dentro do contexto do século 21: Menos sectarismo e violencia e mais ideologia. Não teve prejuizo, todos os gastos foram cobertos, graças aos 57 pagantes que tiraram 8 reais do bolso - salvo exceções da galera do rateio que na falta da totalidade de recursos contribuiu com o que tinha. Ninguém ficou de fora, todos deram seu jeitinho, conversando todos se entederam e todo mundo pôde curtir! E tem muito "Punk velho" que não aprende: Ao invés de chegar na humildade e fazer uma contraproposta, acham que devem ficar chorando miséria e mendingando pra entrar de graça num evento de parto difícil. O preço de 8 reais para as 10 bandas - e a qualidade do equipamento e das bandas - era quase de graça. Sim, foi um verdadeiro festival punk. Mas pra maioria das pessoa snão passou de uma Gig qualquer com um monte de banda desconhecida. Afinal, histórico é só o que os "Caciques" da cena realizam. E "Festival" é um evento cheio de banda fora da nossa realidade da verdadeira correria Punk. Mas como disse na postagem anterior: História é a gente quem faz. E daqui a uns 20 ou 30 anos alguém vai estar lendo isso ou algum presente neste evento irá lembrar e comentar com seus conhecidos como foi tão legal estar neste evento resenhado nesta postagem.

No fim de tudo, enfim, fui emboar carregando meu ampli de trem em companhia da nega véia e dos amigos que foram conosco pra mesma direção - O getulio não pôde levar as coisas na volta, mas meu inseparável carrinho de carregar Bujão entrou em ação uma semana depois e recolhi o que sobrou e levei tudo no braço mesmo. Este evento deu trabalho, fez muita gente que costuma trocar ideia comigo por horas me estranhar por não ter conseguido dar um minuto de atenção para ninguém, foi ultra desgastante. Mas valeu a pena. E Muito!


segunda-feira, 12 de março de 2012

O FIM DO MUNDO, ENFIM... FESTIVAL HISTÓRICO OU PALCO DE HORRORES?

Tudo começou em 1982, quando foi realizado no sesc pompeia o emblemático e histórico festival Punk "O começo do fim do mundo", algo talvez insuperável em toda a história no que diz respeito a sua grandeza e importancia no cenario mundial. Naquela época o bicho pegava principalmente entre os Punx do ABC e os punks de São Paulo, e o festival foi uma forma de tentar unir essa punkaiada toda, o que deu certo em partes - pessoas presentes neste festival me garantem que o pau fechou dentro e fora do evento. Até aí tudo bem, era o início da caminhada do movimento punk do Brasil e nada mais oportuno do que alguns acertos com o tempo para todo mundo focar no que realmente importa: O ideal, o porque de usar aquele visual grotesco e agressivo, justificar cada verso que é cantado nos sons das bandas em suas atitudes no dia a dia e na cena, de acordo com a necessidade de cada caso.

O tempo passou... 30 anos! Mostra o quão grande é o punk por todo esse tempo de atividades e resistencia, entre altos e baixos. Altos por conta de quem realmente sabe o que está fazendo na cena. Baixos por conta de pessoas que só estão aí pra fazer seu critério de pensamento prevalecer sobre os demais - nem que seja necessário o uso da violencia desnecessária e gratuita - em detrimento do que seria o "norte" do Punk: União, liberdade e igualdade. Porém esses dois extremos ainda existem na cena. E assim como água e óleo, é impossível de se tornar uma mistura homogênea. Pois um lado quer ver o Punk forte e atuante, correndo atrás de seus objetivos e colocar sua parcela de culpa em cada transformação social positiva para a sociedade, transmitir arte e cultura para todos de sua forma rudimentar através do faça voce mesmo. O outro lado só quer saber de uma coisa, aquele velho mantra de desenho animado sobre escola americana: Briga, briga, briga, briga briga, briga... por causa do que? NADA!

E sabe o que é pior? Quem está inserido dentro do contexto do movimento punk apenas como ouvinte de bandas, pagante de gig ou leitor de blog mal sabe o que se passa nas ruas, nos sons underground mesmo, nos suburbios... afinal de contas entrevistas e documentários dão toda a palavra da história aos protagonistas do inicio do Punk no brasil... e sobre a autodestruição que rola na cena até hoje, é sempre colocado em pretérito mais que perfeito: HAVIA briga, ROLAVA confusão, ACONTECIA muita coisa ruim... e hoje em dia? Está tranquilo né? Porque será? Porque a grande maioria que fala em modo de passado está hoje trancado em suas casas ou pagando de punk velho em motoclube pra muleque com camiseta do ramones... eles mesmo falam: Já foi minha época. Mas a realidade é: a história não é só quem começou, mas sim cada um de nós que atua na cena. A história segue nesses mais de 30 anos e os protagonistas agora somos nós, nossa geração, e nós temos o culhão e a credibilidade de falar SIM que ainda existe a mesma irracionalidade por parte de certos grupos como há 30 anos atrás.

Sim, a violencia se tornou uma espécie de aspecto cultural, um costume do Punk. Pois tudo o que foi destruído e teve que retomar seu devido lugar foi dizimado pela desunião, violencia e intolerãncia por parte de Punks, que deveriam lutar era contra isso, mas, sob o pretexto de "Pegar careca" ou "Zuar pilantra" acaba sempre prejudicando quem não tem nada haver com a missão "heróica" do ser paranóico ávido por uma briguinha. Dentro deste quadro há razões e provas por A + B de que devemos simplesmente sentar e chorar vendo o que sempre teve, passivos e frustrados por ver todo um esforço ir pro saco em função dos motivos idiotas do babaca que briga? Lógico que não!

E o que o festival começo do fim do mundo tem haver com isso tudo??? Rolaram suas "continuações" não menos importantes com o passar do tempo, no inicio da década passada, onde tudo estava em "paz". Continuavam as tretas, as confusões, mas nada disso conseguiu atrapalhar o andamento dos shows. Só que, como em todo ciclo que se renova, estamos em época de reafirmação da cena Punk. Hoje em dia temos de um lado a cena não só Punk, mas Antifascista, com Punks, Skins de coletivos como RASH e SHARP, Regueiros, Rockeiros, estudantes de esquerda e quaisquer pessoas que compactuem pelo ideal libertário, enfim uma cena mais plural, mais variada, mas com os mesmos objetivos. De outro lado temos pessoas que se organizam em grupos que mais se parecem quadrilhas criminosas, com integrantes armados sem ideologia nenhuma, apesar do "A na Bolinha" estampado nos patchs utilizados por eles. Vão nos eventos para ficar só na porta, não curtem banda nenhuma e ficam fazendo a cabeça da molecada com intrigas, convencendo a serem inimigos de pessoas que nem conhecem, para reforçar o contingente de idiotas, além de sempre terem um alvo para "Cobrarem" e se necessário ficam até de quebrada em algum ponto de onibus para pegarem uma única pessoa covardemente num grupinho de 5 ou 10. Simplesmente porque suas "Caças" não seguem seu critério de pensamento, que tentam impor sobre todos na cena. É o puro fascismo com pretexto de pegar fascistas, mas é tudo igual no final. E o bicho tá pegando sim entre esses dois lados, e nada mais propício que um grande Festival punk de graça para esta bomba explodir. O "Fim do Mundo, enfim", é um dos festivais mais aguardados dos últimos tempos, bem como um dos mais duvidosos em vários aspectos. Como assim?

Primeiramente em questão de segurança, já que o dia com mais bandas, por sinal das mais importantes da cena - em termos, pois algumas transitam bem distantes de nossa realidade - será de entrada franca, e provavelmente terá MUITA gente... de todos os tipos, boas e más, correrias e pilantras, yin e yang... E em tempos de renascimento da fênix da violência, mais uma vez um festival Punk pode se tornar uma tragédia anunciada, como ocorreu na porta do show do Cock Sparrer. Afinal, se querem enfiar tudo que é tipo de gente e bicho num lugar só, a principal preocupação antes de colocar "Bandas que chamem público" deveria ser a Segurança dos presentes. Não é apenas colocar uns 6 zé-manés espalhados por todo o Deck do sesc pompeia, mas toda uma logistica, incluindo revista na porta e prestar atenção nos arredores também. Afinal quando dá merda a culpa é sempre dos Punks, mas quem tá por tras do evento se não pode acabar com isso, que tentasse coibir ao máximo fazendo sua parte, mas nem com isso há a preocupação. Talvez se apegaram na fé de que tudo vai rolar bem, Em nome de Jesus, ou pela razão mais óbvia: Muitos envolvidos com este evento simplesmente não vivem o Punk, mas vivem do Punk. Para estas pessoas a cena se resume a eles e a seus chegados, o local mais underground é o hangar 110, e locais dignos de shows são os clubinhos da rua Augusta. Do alto dos seus palcos estruturados e refrescados por cervejas importadas, não tem a minima noção do que realmente acontece na cena que faz o punk estar de fato vivo nas periferias: Quais são as bandas, quem faz acontecer, e as tretas que rolam. Neste cenário de total ignorância esnobe, tudo é lindo, tudo é maravilhoso e todas aquelas vozes que cantam as musicas de algumas das bandas não passam de um monte de gente que comprou seu CD e baixou seu MP3... E quem ainda carrega as paradas nas costas, aguenta moleque chamando de capitalista que põe 5 reais na porta dum som pra cobrir os custos, toma prejuizo, separa briga e ta marcado pra morrer nas ruas por ser contra todo tipo de intolerancia na cena? Esses sim, realmente sabem o que acontece e jogam a verdade na cara de quem acha que o punk é disneylandia, é oba-oba... Mas quem vai ouvir um simples mortal, se a voz ativa e realmente importante é dos "donos da cena"?

Outro aspecto que deixou a desejar: Onde estão as bandas que fazem a cena acontecer de fato? Não desmerecendo as bandas que tocarão nos 4 dias do festival, inclusive uma das bandas que ainda faz a diferença da geração 80 é a Invasores de cérebros, que merece estar presente em qualquer gig que se preze, simplesmente pelo carisma e humildade de Ariel, Luiz e dois representantes da nova geração, Presunto e Limão, que ajudam a manter acesa a chama desta grande banda. Mas parece que só as mesmas bandas tem direito a tocar em eventos "Históricos", as mesmas bandas que monopolizam e decidem quem vai usufruir de uma estrutura melhor se humilhando num hangar 110 vazio ás 6 e meia da tarde pra 10 pessoas como cobaia de técnico de som... O punk é muito amplo, é forte, é grande, mas parece que a intenção desses individuos é limitar a cena apenas a eles e seus amiguinhos, e o resto - que eu prefiro chamar de "quem faz correria pro Punk se manter vivo nas periferias" - é um monte de meras bandas de garagem sem expressão nenhuma, ou "Mulambo" como classificou um pseudo-jornalista puxa saco desse povinho. Mas, como já havia dito, a história continua e está nas nossas mãos. É nossa vez de fazer história. Dos antigos esperamos a "Bênção", para continuar o que começaram, se bem que alguns não só dizem "Amém" ao nosso esforço, como também correm juntos, como o Barata do DZK, grande banda com 30 anos de história que merece sim ser tombada como Patrimonio Histórico do Punk, entre outros anonimos que começaram juntos com os "deuses" do punk e hoje em dia esses mesmos nem olham na cara desses que persistem até hoje sem criar nome em cima de nada, nem ninguém. Mas, para que nossa história tenha um bom andamento, afinal é cedo pra falar em final feliz pois o Punk é Infinito, apesar de sempre estar em rota de colisão consigo mesmo, é necessário que haja respeito, união, colaboração, cooperação e ideologia em primeiro lugar. Mas enquanto tiver um prego no rolê com suas arminhas idiotas, nossa história sempre terá uma mancha de sangue. Jà dizia o grande compositor Zé geraldo: "Toda força bruta representa nada mais do que um sintoma de fraqueza". Quem é fraco um dia cai, e parte do sangue de quem mancha nossa história é justamente dos que derramam sangue dos outros...

Enfim, mais importante do que babar por um festival é zelar por sua própria integridade. E a expectativa não só deve ser pelas bandas, mas pela segurança,responsabilidade de quem se propõe a juntar tudo que é tipo num lugar só. E antes de ficar babando ovo para alguns tipos, faça você mesmo: Valorize o suburbio, sua cena, sua comunidade, seus parceiros de movimento. Não reclame, não critique, apenas contribua, colabore, ajude. A história é nossa, já foi deles e será de muita gente boa que vai surgir ainda nessa cena com o passar dos anos. Para os que vão no som (assim como eu posso até comparecer, sem garantia de voltar pra casa): Um ótimo show e que dê tudo certo. E para os ganguistas sectários e intolerantes: O Punk é nosso e vocês não terão vez.