domingo, 23 de dezembro de 2012

Riistetyt - Galpão Estúdio, Ferraz de Vasconcelos, SP - 09/12/2012

 Flyer da Bagassa!

Povo Endoidando (Foto por Sueliton Lima)

Riistetyt on stage! (Foto por Simoni)

Show completo! (Por Bolaxxa)



7 meses depois uma postagem. Pois bem, já era de se esperar, este blog sempre foi algo inconstante e esporádico... um verdadeiro balde de água fria em quem torce contra: Quando achavam que eu estava já louvando ao Senhor, PIMBA! Lá vem o Feio!

Aconteceu MUITA coisa em minha vida: Sou um homem casado, afastado do rolê (embora continue produzindo uma coisa ou outra - esta sede é insaciável) e enquanto estou aqui catando os piolhos de memória recente que ainda vivem em minha cabeça pra elaborar esta postagem, minha esposa sente uma dorzinha ou outra, decorrente do fim de Sua gestação do meu Primeiro Filho! Sim! Vou ser pai! E espero que o pequeno Arthur espere eu concluir esta postagem para estourar a bexiga da mamãe e nos fazer todos correrem alucinados até o hospital que preste mais próximo. Casamento e paternidade mudaram minha vida 500%. Me fez enxergar quem são os verdadeiros amigos, as verdadeiras prioridades e trabalhar muito, mas Muito  mais mesmo do que já trabalhava. Mais um ciclo da vida que se inicia e agrega ao aprendizado que é Viver e conviver. E tudo isso meio que me impedem de frequentar com assiduidade este blog - mas hoje dei uma escapadinha e poderei fazer uma postagem não só impossível de deixar batida como já muito pedida pelos fãs e leitores: A resenha do histórico show do RIISTETYT aqui no extremo leste, a meia hora de casa e organizado por este que vos escreve...

Lembro perfeitamete dos idos de 2003, eu com meus 15 anos de idade mais ou menos, declaradamente Punk mas ainda adquirindo o início do conhecimento básico de som que possuo hoje, indo até a extinta Decontrol, a famosa loja do Fábio do Olho Seco,com suados 20 reais pra comprar um CD novo na galeria do Rock. Garimpando os CDs da Loja, vi um CD de uma banda que só conhecia pelo nome até o presente momento, embora já tivesse visto muito a galera usando camisetas e patchs da mesma. E como na época não tinha youtube ou internet fácil pra todo mundo, quem quisesse conhecer um som novo tinha que ir até a galeria e procurar algo na Decontrol, na Fora do Ar (Famosa por ter coisa que ninguém tem, a maio loja de CD pirata que já existiu e que quase foi pro saco por conta do advento da internet barata e fácil trazendo MP3 grátis a torto e a direito) ou na Estrondo (Em seu Auge, a meca dos Emos, mas nessa época ainda era uma loja boa pra quem quisesse som nacional original). Vi que era uma coletânea com 3 álbuns completos, o que seria suficiente pra conhecer legal esta banda. Era uma pirataria muito bem feita, capinha xerocada colorida a laser, mídia maxxel ( na época a mais cara das marcas populares de CDR)... e o preço? Fábio Dispara:

-15 reais.
- Mas é Cópia, 15 reais tá muito caro...
- Não saiu no Brasil, você só encontra na Gringa isso, ou só importado, Vai levar?

Tentado e ao mesmo tempo indignado por pagar tão "caro" (depois vi que realmente era uma mamata, quando tive loja vendi um EP em vinil desta banda por 45 reais e não dava pra fazer por menos), tirei meus trocadinhos e levei aquela coletânea do RIISTETYT pra casa - E como lá não tinha bala, levei o troco de Botton... E aquele CD virou minha mania! Ouvia aquela porra o dia inteiro e por mais que não entendesse porra nenhuma, era o que eu gostava de ouvir: Cru, sujo, oitentista, desgracento, enfim... PUNK! Virei fã de cara, embora outras bandas foram surgindo e acabei deixando o CD empilhado com os demais no meu ainda pequeno acervo - possuo o mesmo até hoje em ótimo estado - mas sempre que podia ouvia e pirava como sempre.

4 anos depois eles chegam no Brasil para uma tour - em 2007 - e fui num show em uma quinta feira na cidade de Campo Limpo Paulista. A acustica não estava muito boa, o som meio embolado e tive que ir embora antes do termino do show - em vão, os trens pra são paulo já tinham encerrado as operações e dormi na porta da estação de trem. Mesmo assim, era A banda dos meus 15 anos e o pouco que vi foi satisfatório pra Dizer "Eu já vi ao vivo" - Mal sabia eu que 5 anos depois eu estaria a frente de um show deles, dando risada, bebendo cerveja junto, auxiliando no backstage...

No fim de setembro um amigo da região sul, o Fernando da Experimental Distro/ Banda Sin Rejas, com o qual tentamos viabilizar a vinda da banda espanhola Non Servium ao Brasil (Sem sucesso, mas tentamos hahaha) me mandou uma mensagem pelo Facebook avisando que o Riistetyt estaria vindo ao Brasil para uma Tour em Dezembro e me mandou o Contato do Renan da Terroten records, que estava viabilizando esta Tour e cuidando da Agenda da mesma. De Pronto lá fui eu atrás de uma lacuna qualquer de datas que eu pudesse preencher. Renan então me passou a Bola para falar com o responsáveis pelos Shows em SP: Marcos, do Agrotóxico. E Lá fui eu mendigar uma data, quando vi que restava o domingo, dia 9 de Dezembro. Bati o Pé, insisti e consegui a data, após acertar (quase) todas as condiçoes pra realização do show. Queria mesmo era fazer em São José dos Campos, na Hocus Pocus, porém o local já iria receber um show do Tim Ripper Owens (ex- Judas Priest) no mesmo dia. Sondando um lugar, vendo as possibilidades de outro, acabei arriscando num local que sempre me abriu as portas e está a 30 minutos apé de casa: O Galpão Estúdio em Ferraz de Vasconcelos. Será que o local teria estrutura de aparelhagem, capacidade de pessoas e boas condições de aluguel para fazer este show? Quando fui lá confesso que perdi tempo na procura pelo local. Mas O tempo que perdi foi antes de ir lá procurando locais "maiores"e mais "Bem localizados". A proposta foi aceita de braços abertos, o sim foi dado na hora e o galpão entrou de cabeça junto comigo, providenciando tudo que o show precisasse para ser o evento histórico que foi.

Saiu a Notícia, então: RIISTETYT em Ferraz de vasconcelos! O Subúrbio da Zona Leste finalmente receberia esta LENDA HISTÓRICA do punk rock e choveu banda querendo abrir o show. Mas escolhi bandas que sempre estiveram lado a lado comigo e que mereciam sim estar ali dividindo o palco com aquela Lenda Finlandesa: Ódio Social - A banda do ano de 2012, na próxima postagem digo porque -, KRH - depois de tudo que estes meninos Colombianos agora moradores do Brasil passaram, nada melhor que este show pra confirmar sua redenção, KOB 82 - Banda que corre junto desde sempre, sem palavras além do que o Baixista Presunto elaborou o Flyer, e Amnésia Coletiva - Parceiros de Longa data, nada mais justo que presenteá-los com esta oportunidade.

220 ingressos foram colocados a venda e somente de forma antecipada - embora na porta surgiram uns disponíveis por conta do local ter segurado uns pra uma galera que ficou de pegar e não o fez, para alegria dos desingressados - esgotando dos pontos de venda (Garimpo Cultural, minha ex-lojinha; Essencia Skateboard, aqui no Itaim paulista, da amiga e Skatista profissional Cris Punk) uma semana antes do Show. Muitas fofocas sobre brigas, presença dos mesmos babacas atrasa lado de sempre e carecas afastaria algumas pessoas de participar desse evento... Mas é triste saber que tem gente que ainda dá credito pra Boato, perderam o show do ano! Deu tudo certo e a PAZ e o RESPEITO prevaleceram.

Chegou o dia do evento, como de costume cheguei cedo ao galpão para acertar as paradas. E já tinha MUITA gente nos arredores do local! Seja pra ver se sobrou algum ingresso ou para ser uns dos 50 primeiros que além de ganhar um botton exclusivo para estes 50 tambem teriam direito a concorrer a camisetas e CDS da FEIO RECORDS. Por volta das 16:45, a primeira banda sobe ao palco.

O Show do Amnésia Coletiva já contava com um bom público presente, prestigiando e agitando o som da Banda - Coisa rara de acontecer, um dos motivos da maioria das bandas não querer ser a primeira  a tocar é a indiferença do Público e muitas vezes acabar por ser "bucha de canhão" de aparelhagem. Mas a aparelhagem estava perfeita, a banda entrosadíssima e 800% no palco desferindo seu repertório cada vez mais presente na ponta da língua da galera e ainda me chamaram pra fazer a já clássica participação na música "Vida desgraçada" e tocaram um som da Falecida Pé Sujus aproveitando que eu estava lá no palco.

Em seguida o KRH assumiu o palco e executou seu potente e bagasseirístico repertório, atraindo mais pessoas pra dentro do local - e do pogo - numa apresentação bem empolgante, mas curta - dos 50 minutos de palco usaram pouco mais que 30... mas a banda é hardcore, crust, pitadas de grind, então foi mais que o suficiente!  Aliás o que me chamou a atenção é que TODAS as bandas deram o melhor de si no palco, se prepararam muito bem e seguiram todas as recomendações, colaborando para que este evento fosse a perfeição que foi.

Enquanto isso os caras do Riistetyt já haviam chegado ao local. Ficaram no "Camarim/Backstage"esperando sua vez de tocar? Nada... foram é tomar vinho de 2 real com os punks, tirar fotos, assistir as bandas... Lição de humildade pra muita bandinha pão com ovo nacional aprender.

Terceira banda, era a vez da KOB 82. Tantas resenhas que fiz que eles participaram, tantas vezes descrevi bem a apresentação deles, e desta vez não poderia ser diferente. Só tem um porém: Pode se passar os anos, KOB 82 já tá na história do Punk de suburbio nacional. O show deles foi prova disso: uma grande roda de pogo se abriu, cada vez mais pessoas cantando junto, e o detalhe que mais me chamou a atenção: O baterista Limão tocou pra caralho... com o Pé Engessado. O cara chegou e eu me perguntei: Como ele vai fazer? Depois que o vi tocando me perguntei: Como Pode? Que macumba é essa? Que venha logo o tão esperado Full Lenght da banda - que pude escutar umas pré-mix e adiantar que vai ficar Show de Bola.

Penultima Banda a tocar: Ódio Social, a banda de 2012. Por que Penultima?
A Banda trabalhou duro na cena este ano e é uma das maiores representantes da nossa geração. E Trabalhou mais duro ainda na divulgação do evento. Não fosse pelas postagens insistentes e compartilhamento do flyer de forma ostensiva no facebook, talvez este evento não tenha sido tão bem frequentado e SOLD OUT. Nada mais justo que agradecer desta forma. Não que as outras banda são "Ïnferiores" ou que não mereciam estar tocando neste horário - com a casa já 90% lotada. O Ódio Social fez por merecer por todo o trabalho junto ao evento. E Retribuiram este agradecimento levando a galera á loucura com seus pouco mais de 20 minutos de paulada Hardcore sem descanso, aquecendo bem o sangue da audiencia e mostrando o porque que estão voando cada vez mais alto.

Era a vez da banda mais esperada da noite. E enquanto eles arrumavam as coisas no palco, quem estava no lado de fora chegava pra preencher totalmente cada centímetro do local. Eu realizava o sorteio dos premios aos 50 primeiros. E quando via algum deles me abordando para obter alguma informação ou pedir mais uma garrafinha de Itaipava, lembrava do momento que comprei o CD deles na Decontrol. E por mais que eu as vezes fique indignado com falta de união e outras idiotices da cena, só o Punk mesmo pra me proporcionar aquele momento: Eu estava na minha quebrada trazendo uma das bandas da Minha Vida, fazendo 260 pessoas ( entre pagantes, bandas e acompanhantes) entrarem em delírio total, receber elogios e algumas pessoas me dizendo que aquele foi o melhor show que já foi na Vida. Só me restou Sorrir... e me equilibrar na ponta do palco enquanto eles dominavam o local hipnotizando umas pessoas, enlouquecndo outras, provocando não só um Mosh, mas uma Chuva de gente que caia do palco, se esborrachava no chão e sorria a cada hematoma adquirido - Dói pra caralho... mas é o Riistetyt, PORRA! Chegou a um ponto de eu ter que intervir e pedir no microfone pro pessoal que subia no palco colaborar e tomar cuidado... um subiu pra pegar no microfone e pisou no pedal que o Guitarrista Vege usava; Outro precisou levar uns murros do Vocalista Lazze pra ir de volta á plateia, pois quase cai sentado na bateria; outro resolveu brincar de pega pega comigo e esbarra bruscamente no baixista Piise, que também deu uma chapuletada no doidão pra ele se ligar. Mas depois o pessoal colaborou e apenas subia pra já pular e o show correu tranquilamente no palco - e no pogo o pau comia... carteiras se perdiam, óculos se quuebravam, narizes sangravam, camisetas se rasgavam. O Ponto alto foi na hora da canção mais conhecida da banda: Quando Piise dedilhou os primeiros acordes de "Mieletonta Vakivaltaa", Nego pulava de alegria como se fosse a melhor coisa que aconteceu na vida... e o pogo se estendeu até o final do salão, com uma participaçao especial improvisada: Abel, da banda Antagonicos, pegou um dos microfones e cantou junto com Lazze a canção inteira. Momento lindo do show, onde diante de tanta loucura da plateia os fotógrafos disputavam cada centimetro da ponta do palco pra registrar aquilo.

A apresentação teve direito a BIS, que serua de 3 músicas mas acabou estendido para 5 canções, pegando de surpresa os que já deixavam o local - e corriam arrependidos de volta pro pogo ao inicio do BIS.

Saldo Final: Evento PERFEITO. PAZ total. RESPEITO mútuo. Suporte total das bandas, do local. Boa aparelhagem, cerveja barata, alimentos vendidos no local. Galera da Zona Leste mas também de Santos, Itu (excursão), Jacareí, São José dos campos, Jundiaí e todas as zonas da região metropolitana. O Show mais parecia uma grande reunião de amigos do que um evento propriamente dito. Se todos os shows fossem assim, a cena punk de São Paulo seria um EXEMPLO para todo o Mundo. Foi sorte? Desta vez foi a postura de cada um que colou que fez desse evento o fato histórico que foi. Agradeço a cada um que foi por dar a esse evento a Grandeza que  teve. E que seja assim em muitos mais eventos. Foi um evento no ultimo mês de um ano conturbadissimo para a cena. Mas que seja o Inicio de um ano e de uma era de uma cena mais consciente, fraterna e que sabe onde está e o que está fazendo, a exemplo do que foi este show. Ah, sim... ganhei uma camiseta da Tour das mãos da banda. Lisonjeado é Pouco.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

8 ANOS DE PÉ SUJUS - CIDADÃO DO MUNDO, 15/04/2012 - SÃO CAETANO DO SUL, SP


 Restos de Aborto e Barata (DZK) - Por DITOPUNK


 Pé Sujus - Por Punky


 Juventude Maldita (Casa lotada) - Por DITOPUNK


Sub Existencia - por DITOPUNK


Venci a preguiça, a falta de tempo e a falta de interesse para escrever esta resenha. O Blog tá paradinho faz tempo, eu nem tô colando em som praticamente, muito menos tocando ou organizando algo, com exceção deste evento a ser resenhado duas semanas e tarará depois. Muita coisa aconteceu neste meio tempo: Anúncio de paternidade, perda do filho, Fechamento da loja, emprego arrumado e perdido, minha volta para a açougueiragem, perda de paciência com organização de eventos e ameaças sérias de morte por conta de ser amigo de quem eu quiser, encerramento de minha banda e consolidação do meu noivado. Milhões de coisas que aconteceram e ainda acontecem que me mantém distante do Blog, ao passo em que todos que me acompanham querem mais e mais!

Foram poucas gigs a que pude comparecer neste ano. E como não poderia deixar de ser, até o breque que eu dei em rolês e iniciativas incomodam algumas pessoas que acham que esse será o meu fim no punk rock e início da vida de mais um cidadão qualquer que "Já foi punk e viveu muito esta fase". Estou distante, mas não morto - pelo contrário, tô aqui em off preparando muita coisa que realmente irá fazer a diferença nessa porra, mas prefiro não ficar citando ou prometendo, pois se der errado ninguém viu, ninguém soube... hahahaha.

Quem me conhece meio que se surpreendeu com minha decisão de  Não fazer mais eventos. mas como citei acima, minha vida deu uma volta surpreendente e que não me permite ter mais este stress... sem falar que não posso nem pensar em me arriscar, minha cabeça não está a prêmio - Está valendo Milhões! Junte gente que vai no seu evento pra te matar, mais a falta de apoio de quem tanto repetiu que voce poderia contar com esta pessoa, mais o gasto envolvido, mais o desgaste físico e mental, mais os imprevistos, mais a turma da mendigagem... Junta tudo isso num evento só e Boooom! Depois de tanto stress e apuro, sentei no palquinho do cesar bar em janeiro (ultimo evento antes deste) e falei pra mim mesmo: "Chega". Agora o meu foco é cuidar da minha vida, e quem quiser que eu organize algo, que chegue junto, pois minha cabeça não tem mais espaço pra tanto B.O. Continuo organizando esporadicamente os eventos do Projeto Shadowplay, mas isso demanda menos custos, menos material, menos dor de cabeça e ainda tenho um parceiro Pedra 90* que fecha de verdade, além do público mais maduro e menos preocupado em encher o saco dos outros, que só querem saber de uma coisa: Dançar e se divertir. Não me desfazendo dos Punks, mas são poucos que me dão orgulho, o resto só dá trabalho. E por que tô nessa ainda? Porque eu gosto!
Porque o punk vive dentro de mim! Mas assim como qualquer outro grupo qualquer, os punks também tem seu pézinho no senso comum e os mesmos vicios sociais que qualquer pessoa. Se eu fosse regueiro, funkeiro, pagodeiro, crente, traficante, presidiário ou participante de reality show iria passar pela mesma coisa... O problema do Punk com tudo isso é que, ao invés de combater e quebrar tudo que gera desunião entre as pessoas acabam sendo até piores que os alvos dos seus protestos algumas vezes... e como levar a sério pessoas assim? Mas eu corro por mim mesmo, portanto, tenho direito de ser o que quiser da forma que quiser e dar as caras com a frequencia que eu quiser nessa porra! Prontofalei...

* Pessoa de grande valor. Que cumpre com sua palavra.
Originária do jogo de TOMBOLA (similar ao bingo), mas com noventa pedras no saco. Pedra 90 é a pedra de maior VALOR no saco. Nada haver com a pinga de mesmo nome, se bem que esta pinga já me trouxe muita felicidade nos rolezinhos com 50 centavos no bolso e muita vontade de ficar bêbado...

Se desencanei, por que eu acabei realizando este evento então, ora bolas? Por dois fatores: este evento foi nada mais que o fechamento de um ciclo em minha trajetória no meio Punk. Não se tratava apenas do Show de 8 anos do Pé Sujus. Tratava-se do Último Show do Pé Sujus em 2012. Tanto no sentido de último do ano como de todos os shows. A banda embora estivesse bem lembrada, passou por um desgaste interno que fez chegar ao ponto de não ter mais condições psicológicas de continuar por aí.Ninguém brigou, ninguem se desrespeitou, apenas não dava mais. Mas agora não é hora de justificativas e sim de resenhas. O Outro motivo foi a escolha do Local. O Espaço cidadão do Mundo foi o melhor em questões de localização, estrutura básica, capacidade e público frequentador. E Acertei em cheio em abrir esta exceção: O evento foi um sucesso, fiquei bastante satisfeito, como há muito tempo não acontecia... E não posso esquecer do apoio dos Amigos Mós, que trouxe o ampli de Contrabaixo; Daniel (88 Não!) que veio com um dos dois Amplis de Guitarra e as ferragens da Bateria; E do Getúlio (Herdeiros da revolta), que disponibilizou seu carro para fazer correria com o Surdo da bateria, algumas ferragens que levei, além do outro ampli, saindo de São Mateus, para vir aqui no itaim e depois indo para São Caetano, além de todo o Staff do Coletivo que toca o espaço cidadão do mundo que deu todo o suporte, tanto na portaria como na mesa de som, iluminação, montagem e desmontagem de palco entre outros corres que costumo fazer sozinho me multiplicando em vários que não sou por ser um só.

A correria começou cedinho, 11 da manhã eu e Minha noiva estávamos já num local combinado com o getulio para pegar a carona, que atrasou uma hora e meia,  em Direção á Favela do Tijuco preto aqui no itaim Paulista, buscar o que faltava na casa do jean, meu parceiro de Projeto Shadowplay e depois ir direto para São caetano, uma viagem que se arrastou por mais de duas horas por conta de trânsito e uma paradinha pra comer pois como estava há horas em jejum já estava tremendo de fome. Pouco antes das 15 hs Chegamos ao Local, que já estava aberto e algumas bandas já tinham chegado. O horário previsto para o início do evento era 15 hs em ponto, mas como eu mesmo cheguei atrasado por conta das correrias, além de outros problemas de última hora com uma Máquina de Chimbal, o início da Gig se deu exatamente ás 16 hs, para que pudesse ter um controle sistemático do horário das bandas.

A Banda de abertura do evento foi a Restos de Aborto de Tatuí. Quando resenhei a apresentação da banda numa Gig em Itu no ano passado, citei que a banda era ótima, mas que tocava muito cover. Nesta apresentação me deparei com Mais sons próprios, que fizeram a já numerosa galera presente agitar muito! e ainda contaram com a Participação especial ilustre do Barata (DZK) que estava presente e que cantou um som do DZK com eles! Resumindo: Apresentação Fudida!

A Segunda banda foi a Jhaspion, que neste som se apresentou como Dupla (Guitarra/vocal e Bateria), Pois o Baixista virou Funkeiro e deveria estar num pancadão ao invés do Punkadão no ABC que estava rolando! Eles fizeram uma apresentação com suas musicas mais conhecidas e mais covers que o habitual, em razão do déficit de integrante daquela ocasião, mas fizeram o que tinha que fazer direitinho - o público não só agitou como aprovou. Afinal, crossover de qualidade, paulada uma atrás da outra, ás vezes o baixo não fez tanta falta assim...

Terceira banda, o 88 Não fez um show como há muito tempo não via. Levantaram a galera e fez a casa, Já lotada, ir abaixo! Todo mundo cantando, pogando, pulando, endoidando, participando. Pra variar, foi mais um show com um outro vocalista diferente, mas esta apresentação foi de energia e potência sem igual!

A quarta banda foi o Powerpop único e magnífico do The Tries!Esta banda é relativamente nova, surgiu ano passado, mas Já se apresenta em vários locais bacanas de SP e conta com integrantes vindos de bandas como Fox Hound, Morte Cerebral e Jump Boys, e fazem um tipo de som pouco explorado na cena nacional: O PowerPop de bandas como Undertones, The Boys, Fast Cars e afins, cantado em inglês. Muito, mas muito bem executado, tanto que o pessoal do Sub existencia, próxima banda a tocar, do lado de fora me perguntou na hora que saí pra dar uma pescoçada no movimento da rua:
- E essa banda aí tá enrolando pra começar a tocar?
E eu disse:
- Já estão na quinta música!
- Porra, pensei que era discotecagem...
Tem algo mais pra dizer desta banda ao vivo? Qualidade Indiscutível!

Quinta banda a se apresentar, foi a vez do Sub Existencia. Que com uma nova formação, de velhos conhecidos da cena Punk da ZL (Marcello kaskadura do Melody monster, atos de vingança e outras; E Lado, do Revoltados, transgressores e muitas outras bandas) além do velho de Guerra Walter detrito. E a Energia e a Sintonia fizeram o Subexistencia detonar uma apresentação totalmente Pogante e potente, do início ao fim! Mais uma vez a casa tremeu!

Em seguida foi a vez do Amnésia Coletiva! Não é só uma banda Parceira. Assim como sempre traz uma galera, neste caso veio uma van com um pessoal de Jacareí e São José dos campos junto com a banda, que cada vez mais vem conquistando o público da capital, não só pelo carisma da banda como pelo sucesso do quase esgotado split com o Pé Sujus, e isso foi provado nesse show! O Pessoal se arrebentou tanto que o único registro de inicio de tumulto foi uma briguinha besta causada por ânimos incontidos que acabaram gerando cotoveladas em bocas que não gostam de levar cotoveladas, mas logo foi resolvido e todo mundo estava pogando o hardcore porrada do amnésia feliz (e com a boca sangrando, alguns) novamente.

Sétima banda e uma das mais aguardadas, o Palco era do Juventude Maldita! Pude dizer que foi uma apresentação magnética, pois o primeiro acorde foi dado nos instrumentos do trio e todos que estavam do lado de fora foram atraídos a lotar a casa e abalar as estruturas do local mais uma vez. também, pudera: Onde o Juventude Maldita pisa pra tocar, ninguém fica parado! Puta apresentação memorável.

Antepenúltima e oitava banda, foi a vez da Lenda do Punk Nacional pouco reconhecida por não ser Paulista ocupa o palco do Cidadão do Mundo: Falo de Pacto Social, a banda Punk do Rio de Janeiro mais antiga em atividade. Tocaram os maiores Clássicos de sua carreira como "Final do mês", "País do futuro", "Hasta la lucha y Viva zapata", "João Honesto", "Vaticano" (Que teve até clipe na MTV nos anos 90) e as duas clássicas músicas do Espermogrãmix, banda que deu origem ao pacto social: "Trabalhadores Brasileiros" e "Bombas". A casa já não estava tão cheia assim, até porque já passava das 21 horas, mas a apresentação empolgou todos que ali estavam, sem falar que a banda, pela sua importância e tempo de estrada, esbanjou esforço e Humildade em vir até São paulo tocar de graça e ainda por cima conseguir um baterista substituto que não pode vir em cima da Hora e fazer bonito, além do baixista Gárgula emprestar seu Contrabaixo pro Punkelo mais tarde, na apresentação do Pé Sujus.

Nona Banda do Domingão, a Colombiano-Brazuca (todos moram no Brasil, chegaram da colombia e não quiseram mais ir embora! hehehe) KRH ocupa o palco e descarrega seu Crust Insano que faz os que ficaram cair no pogo. Sim, esta banda conseguiu superar uma série de dificuldades e hoje tem até Público fiel aqui no Brasil! E Fizeram um ótimo show como sempre, apesar de eu não poder ver quase nada do som dos caras por estar tratando de alguns outros assuntos.

Última e décima banda, Foi a nossa vez de tocar, finalmente, para os sobreviventes que realmente queriam nos ver... E fiquei surpreso, pois no começo tinha só um pouquinho de gato pingado, mas ao longo da apresentação surgiram pessoas que eu até jurava que tinham ido embora! De meia dúzia de gato pingado que tinham aparentemente sobrado, surgiram umas tres dúzias de bravos resistentes pelo menos! A maioria de grandes parceiros, pessoas que fizeram questão de permanecer li para nos ver. E muita, muita gente nova na cena que nos via tocar pela primeira vez - e provavelmente pela única vez. Nossa apresentação, como a de todas as bandas foi bem curta, não só pela falta de ensaio, mas pelo horário - Já passava das 22 hs quando iniciamos nossa apresentação. Comemoramos 8 anos e encerramos nossas atividades com chave de Ouro. Puta apresentação! Energia da plateia e entrega total dos meus parceiros de banda... Nunca vi show tão energético e pesado como este que fizemos. Quem não foi perdeu uma apresentação histórica. Não por ser a última, mas por ter saído tudo direitnho, redondinho...

Dez e meia da noite e o evento enfim encerrou. O que temos a dizer? Evento perfeito. Saldo totalmente positivo. Todas as bandas deram o melhor de si e o evento ocorreu quase conforme o planejado - só faltou começar no horário previsto, mas fluiu muito bem. Público show de bola! MUITA gente nova, uma geração que vem chegando com muita vontade de fazer as coisas e dentro do contexto do século 21: Menos sectarismo e violencia e mais ideologia. Não teve prejuizo, todos os gastos foram cobertos, graças aos 57 pagantes que tiraram 8 reais do bolso - salvo exceções da galera do rateio que na falta da totalidade de recursos contribuiu com o que tinha. Ninguém ficou de fora, todos deram seu jeitinho, conversando todos se entederam e todo mundo pôde curtir! E tem muito "Punk velho" que não aprende: Ao invés de chegar na humildade e fazer uma contraproposta, acham que devem ficar chorando miséria e mendingando pra entrar de graça num evento de parto difícil. O preço de 8 reais para as 10 bandas - e a qualidade do equipamento e das bandas - era quase de graça. Sim, foi um verdadeiro festival punk. Mas pra maioria das pessoa snão passou de uma Gig qualquer com um monte de banda desconhecida. Afinal, histórico é só o que os "Caciques" da cena realizam. E "Festival" é um evento cheio de banda fora da nossa realidade da verdadeira correria Punk. Mas como disse na postagem anterior: História é a gente quem faz. E daqui a uns 20 ou 30 anos alguém vai estar lendo isso ou algum presente neste evento irá lembrar e comentar com seus conhecidos como foi tão legal estar neste evento resenhado nesta postagem.

No fim de tudo, enfim, fui emboar carregando meu ampli de trem em companhia da nega véia e dos amigos que foram conosco pra mesma direção - O getulio não pôde levar as coisas na volta, mas meu inseparável carrinho de carregar Bujão entrou em ação uma semana depois e recolhi o que sobrou e levei tudo no braço mesmo. Este evento deu trabalho, fez muita gente que costuma trocar ideia comigo por horas me estranhar por não ter conseguido dar um minuto de atenção para ninguém, foi ultra desgastante. Mas valeu a pena. E Muito!


segunda-feira, 12 de março de 2012

O FIM DO MUNDO, ENFIM... FESTIVAL HISTÓRICO OU PALCO DE HORRORES?

Tudo começou em 1982, quando foi realizado no sesc pompeia o emblemático e histórico festival Punk "O começo do fim do mundo", algo talvez insuperável em toda a história no que diz respeito a sua grandeza e importancia no cenario mundial. Naquela época o bicho pegava principalmente entre os Punx do ABC e os punks de São Paulo, e o festival foi uma forma de tentar unir essa punkaiada toda, o que deu certo em partes - pessoas presentes neste festival me garantem que o pau fechou dentro e fora do evento. Até aí tudo bem, era o início da caminhada do movimento punk do Brasil e nada mais oportuno do que alguns acertos com o tempo para todo mundo focar no que realmente importa: O ideal, o porque de usar aquele visual grotesco e agressivo, justificar cada verso que é cantado nos sons das bandas em suas atitudes no dia a dia e na cena, de acordo com a necessidade de cada caso.

O tempo passou... 30 anos! Mostra o quão grande é o punk por todo esse tempo de atividades e resistencia, entre altos e baixos. Altos por conta de quem realmente sabe o que está fazendo na cena. Baixos por conta de pessoas que só estão aí pra fazer seu critério de pensamento prevalecer sobre os demais - nem que seja necessário o uso da violencia desnecessária e gratuita - em detrimento do que seria o "norte" do Punk: União, liberdade e igualdade. Porém esses dois extremos ainda existem na cena. E assim como água e óleo, é impossível de se tornar uma mistura homogênea. Pois um lado quer ver o Punk forte e atuante, correndo atrás de seus objetivos e colocar sua parcela de culpa em cada transformação social positiva para a sociedade, transmitir arte e cultura para todos de sua forma rudimentar através do faça voce mesmo. O outro lado só quer saber de uma coisa, aquele velho mantra de desenho animado sobre escola americana: Briga, briga, briga, briga briga, briga... por causa do que? NADA!

E sabe o que é pior? Quem está inserido dentro do contexto do movimento punk apenas como ouvinte de bandas, pagante de gig ou leitor de blog mal sabe o que se passa nas ruas, nos sons underground mesmo, nos suburbios... afinal de contas entrevistas e documentários dão toda a palavra da história aos protagonistas do inicio do Punk no brasil... e sobre a autodestruição que rola na cena até hoje, é sempre colocado em pretérito mais que perfeito: HAVIA briga, ROLAVA confusão, ACONTECIA muita coisa ruim... e hoje em dia? Está tranquilo né? Porque será? Porque a grande maioria que fala em modo de passado está hoje trancado em suas casas ou pagando de punk velho em motoclube pra muleque com camiseta do ramones... eles mesmo falam: Já foi minha época. Mas a realidade é: a história não é só quem começou, mas sim cada um de nós que atua na cena. A história segue nesses mais de 30 anos e os protagonistas agora somos nós, nossa geração, e nós temos o culhão e a credibilidade de falar SIM que ainda existe a mesma irracionalidade por parte de certos grupos como há 30 anos atrás.

Sim, a violencia se tornou uma espécie de aspecto cultural, um costume do Punk. Pois tudo o que foi destruído e teve que retomar seu devido lugar foi dizimado pela desunião, violencia e intolerãncia por parte de Punks, que deveriam lutar era contra isso, mas, sob o pretexto de "Pegar careca" ou "Zuar pilantra" acaba sempre prejudicando quem não tem nada haver com a missão "heróica" do ser paranóico ávido por uma briguinha. Dentro deste quadro há razões e provas por A + B de que devemos simplesmente sentar e chorar vendo o que sempre teve, passivos e frustrados por ver todo um esforço ir pro saco em função dos motivos idiotas do babaca que briga? Lógico que não!

E o que o festival começo do fim do mundo tem haver com isso tudo??? Rolaram suas "continuações" não menos importantes com o passar do tempo, no inicio da década passada, onde tudo estava em "paz". Continuavam as tretas, as confusões, mas nada disso conseguiu atrapalhar o andamento dos shows. Só que, como em todo ciclo que se renova, estamos em época de reafirmação da cena Punk. Hoje em dia temos de um lado a cena não só Punk, mas Antifascista, com Punks, Skins de coletivos como RASH e SHARP, Regueiros, Rockeiros, estudantes de esquerda e quaisquer pessoas que compactuem pelo ideal libertário, enfim uma cena mais plural, mais variada, mas com os mesmos objetivos. De outro lado temos pessoas que se organizam em grupos que mais se parecem quadrilhas criminosas, com integrantes armados sem ideologia nenhuma, apesar do "A na Bolinha" estampado nos patchs utilizados por eles. Vão nos eventos para ficar só na porta, não curtem banda nenhuma e ficam fazendo a cabeça da molecada com intrigas, convencendo a serem inimigos de pessoas que nem conhecem, para reforçar o contingente de idiotas, além de sempre terem um alvo para "Cobrarem" e se necessário ficam até de quebrada em algum ponto de onibus para pegarem uma única pessoa covardemente num grupinho de 5 ou 10. Simplesmente porque suas "Caças" não seguem seu critério de pensamento, que tentam impor sobre todos na cena. É o puro fascismo com pretexto de pegar fascistas, mas é tudo igual no final. E o bicho tá pegando sim entre esses dois lados, e nada mais propício que um grande Festival punk de graça para esta bomba explodir. O "Fim do Mundo, enfim", é um dos festivais mais aguardados dos últimos tempos, bem como um dos mais duvidosos em vários aspectos. Como assim?

Primeiramente em questão de segurança, já que o dia com mais bandas, por sinal das mais importantes da cena - em termos, pois algumas transitam bem distantes de nossa realidade - será de entrada franca, e provavelmente terá MUITA gente... de todos os tipos, boas e más, correrias e pilantras, yin e yang... E em tempos de renascimento da fênix da violência, mais uma vez um festival Punk pode se tornar uma tragédia anunciada, como ocorreu na porta do show do Cock Sparrer. Afinal, se querem enfiar tudo que é tipo de gente e bicho num lugar só, a principal preocupação antes de colocar "Bandas que chamem público" deveria ser a Segurança dos presentes. Não é apenas colocar uns 6 zé-manés espalhados por todo o Deck do sesc pompeia, mas toda uma logistica, incluindo revista na porta e prestar atenção nos arredores também. Afinal quando dá merda a culpa é sempre dos Punks, mas quem tá por tras do evento se não pode acabar com isso, que tentasse coibir ao máximo fazendo sua parte, mas nem com isso há a preocupação. Talvez se apegaram na fé de que tudo vai rolar bem, Em nome de Jesus, ou pela razão mais óbvia: Muitos envolvidos com este evento simplesmente não vivem o Punk, mas vivem do Punk. Para estas pessoas a cena se resume a eles e a seus chegados, o local mais underground é o hangar 110, e locais dignos de shows são os clubinhos da rua Augusta. Do alto dos seus palcos estruturados e refrescados por cervejas importadas, não tem a minima noção do que realmente acontece na cena que faz o punk estar de fato vivo nas periferias: Quais são as bandas, quem faz acontecer, e as tretas que rolam. Neste cenário de total ignorância esnobe, tudo é lindo, tudo é maravilhoso e todas aquelas vozes que cantam as musicas de algumas das bandas não passam de um monte de gente que comprou seu CD e baixou seu MP3... E quem ainda carrega as paradas nas costas, aguenta moleque chamando de capitalista que põe 5 reais na porta dum som pra cobrir os custos, toma prejuizo, separa briga e ta marcado pra morrer nas ruas por ser contra todo tipo de intolerancia na cena? Esses sim, realmente sabem o que acontece e jogam a verdade na cara de quem acha que o punk é disneylandia, é oba-oba... Mas quem vai ouvir um simples mortal, se a voz ativa e realmente importante é dos "donos da cena"?

Outro aspecto que deixou a desejar: Onde estão as bandas que fazem a cena acontecer de fato? Não desmerecendo as bandas que tocarão nos 4 dias do festival, inclusive uma das bandas que ainda faz a diferença da geração 80 é a Invasores de cérebros, que merece estar presente em qualquer gig que se preze, simplesmente pelo carisma e humildade de Ariel, Luiz e dois representantes da nova geração, Presunto e Limão, que ajudam a manter acesa a chama desta grande banda. Mas parece que só as mesmas bandas tem direito a tocar em eventos "Históricos", as mesmas bandas que monopolizam e decidem quem vai usufruir de uma estrutura melhor se humilhando num hangar 110 vazio ás 6 e meia da tarde pra 10 pessoas como cobaia de técnico de som... O punk é muito amplo, é forte, é grande, mas parece que a intenção desses individuos é limitar a cena apenas a eles e seus amiguinhos, e o resto - que eu prefiro chamar de "quem faz correria pro Punk se manter vivo nas periferias" - é um monte de meras bandas de garagem sem expressão nenhuma, ou "Mulambo" como classificou um pseudo-jornalista puxa saco desse povinho. Mas, como já havia dito, a história continua e está nas nossas mãos. É nossa vez de fazer história. Dos antigos esperamos a "Bênção", para continuar o que começaram, se bem que alguns não só dizem "Amém" ao nosso esforço, como também correm juntos, como o Barata do DZK, grande banda com 30 anos de história que merece sim ser tombada como Patrimonio Histórico do Punk, entre outros anonimos que começaram juntos com os "deuses" do punk e hoje em dia esses mesmos nem olham na cara desses que persistem até hoje sem criar nome em cima de nada, nem ninguém. Mas, para que nossa história tenha um bom andamento, afinal é cedo pra falar em final feliz pois o Punk é Infinito, apesar de sempre estar em rota de colisão consigo mesmo, é necessário que haja respeito, união, colaboração, cooperação e ideologia em primeiro lugar. Mas enquanto tiver um prego no rolê com suas arminhas idiotas, nossa história sempre terá uma mancha de sangue. Jà dizia o grande compositor Zé geraldo: "Toda força bruta representa nada mais do que um sintoma de fraqueza". Quem é fraco um dia cai, e parte do sangue de quem mancha nossa história é justamente dos que derramam sangue dos outros...

Enfim, mais importante do que babar por um festival é zelar por sua própria integridade. E a expectativa não só deve ser pelas bandas, mas pela segurança,responsabilidade de quem se propõe a juntar tudo que é tipo num lugar só. E antes de ficar babando ovo para alguns tipos, faça você mesmo: Valorize o suburbio, sua cena, sua comunidade, seus parceiros de movimento. Não reclame, não critique, apenas contribua, colabore, ajude. A história é nossa, já foi deles e será de muita gente boa que vai surgir ainda nessa cena com o passar dos anos. Para os que vão no som (assim como eu posso até comparecer, sem garantia de voltar pra casa): Um ótimo show e que dê tudo certo. E para os ganguistas sectários e intolerantes: O Punk é nosso e vocês não terão vez.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

...mas o que foi 2011, hein?

Esta postagem tem o Patrocínio de mim mesmo da FEIO RECORDS! Auto promoção de cu é rola!!


Muita gente comentava
Muitos pregos comemoravam
Que o Blog tinha morrido
Mas o Blog não morreu
O BLOG NÃO MORREU!
O CENA PUNK NÃO MORREU!
O CENA PUNK NÃO MORREU!

Como já é de costume e como previamente anunciado, rola um hiato de meses e de repente, Bang! Lá vem eu falar da cena do que aconteceu, meter o pau em uns, elogiar outros e por aí vai... E como já é tradição, lá vai eu justificar minha ausência: Pura Preguiça! Além das correrias com a minha lojinha, que saiu da zona leste e foi parar no centro, e, por mais que eu fique o dia inteiro na frente do PC esperando a boa vontade de um filho de Javé entrar aqui e comprar algum cacareco, não me senti inspirado a escrever linhas que só não são tortas por conta da tecnologia que obriga tudo a ser digitado a ficar reto.

Neste meio tempo aconteceu, muita, mas muita coisa na cena: Muitas Gigs, protestos, lançamentos de discos, zines de papel retomando seu espaço e infelizmente muita, muita coisa triste mas que fez o punk em São Paulo retomar um pouco seu papel de resistência cultural e política.

INVASÃO PUNK DIGITAL

Atualmente, o facebook vem se consolidando como o maior veículo de comunicação utilizado entre os Punks/Skins Antifascistas, e, por mais que esta ferramenta ajude e muito a divulgar a cena, chamar para protestos e reflexões, compartilhar textos e imagens de protesto e pedir apoio para causas pertinentes á nossa cena, ao mesmo tempo expõe muito o que é cada um de nós e por conta disso não há só a vigilância constante dos pilantras fascistas no que é postado, assim como tem muito investigador de polícia querendo achar pêlo em ovo numa luta que é limpa e que, se é tão exposta, não tem nada de comprometedor a esconder, afinal quem não deve não teme, diferente dos Carecas e dos Nazistas que escondem onde são seus shows, encontros e etc.

A Palavra Cyberativismo (junto ou separado? Foda-se o sentido é o mesmo) está cada vez mais em voga. Isto vai desde o repasse de um texto de protesto ou denuncia, até mesmo a "Investigações particulares" sobre grupos ou indivíduos nocivos ao olhar de quem está fazendo aquilo. Mas isto também faz surgir os Cyberchatos: Pessoas que ao invés de produzirem algo para que circule e seja útil para nossos cérebros famintos, simplesmente criticam tudo e todos e promovem um verdadeiro patrulhamento ideológico por trás dos teclados, com palavras rebuscadas (com ajuda de um Aurélio ou Houaiss ao lado) e frases feitas, fazendo de tudo para que você seja sempre o errado no que se propõe a pensar e ainda oferecendo o terrível risco de ativar o CAPS LOCK caso seja contrariado (Meda!!). É o Prego Virtual... esse não dá facada, mas enche nosso feed de notícias do face com comentários inuteis e isso dói. Nem na mente, mas no bom senso, que de saco cheio faz desligar o computador e dizer: "Era melhor ter ido ver o filme do Pelé..."

Voltando a vida real, porque dediquei estas primeiras linhas para a Internet? Como já havia dito, além de ser a maior ferramenta de comunicação da cena, em 2011 teve uma adesão absurda de Punks. Foi responsável por coisas felizes e tristes que vou enumerar aqui, e pra parar de ser repetitivo, vamos ao que interessa e em cada tópico a ser aberto, cada um vai medir a importancia da internet e das redes sociais em cada fato de acordo com sua experiência pessoal. Ou não...

DA CENA MUSICAL

2011 em São Paulo foi extremamente Rico em Gigs, shows, encontros, festas, discotecagens e qualquer outra roqueiragem com um monte de punk feio, sujo e malvado. Nâo houve uma semana sequer que não houvesse nada pra fazer na área compreendida como Grande São Paulo. Espaços já consolidados como Cesar Bar (no Itaim Paulista, há 3 anos abrigando o Punk Rock na zona leste todo mês - quando não há mais de um som por mês) , O Porão em Itapevi (Mais punk e melhor do que nunca, vale a pena a aventura pra chegar lá - e a coragem de dali sair as 5 da manhã exausto, e rola praticamente toda semana... na falta do que fazer, Vá pra Itapevi!!!), Estúdio Noise Terror ( no Jabaquara - Com a chegada de Orlando Saltini na sociedade do espaço melhorou muito no quesito Goró), Cidadão do Mundo (Em São caetano, este ano foi literalmente Tomado pelos Punks) fazem a cena sempre respirar e resistir, além de dar espaço para novas e antigas bandas compartilharem palco, cerveja, experiências e instrumentos.

Além dos locais citados acima há os espaços que há anos abrigam eventos Punks sem tanta frequencia, mas que estão conosco há anos. Estou falando do Studio Galpão em Ferraz de Vasconcelos (Que neste ano abrigou só uns 3 eventos, mas todos valeram a pena), do Conde Wlad Rock Bar (Em Ermelino Matarazzo, que no que depender de mim e do Walter do Sub-existência, ano que vem estará entre os locais consolidados da cena, Fizemos muitas gigs por lá em 2011), Do bar da Loira do Jardim Eliza Maria (Que teve boas gigs este ano), Do bar da Dona Edna em Osasco ( Este ano teve poucas, mas boas coisas rolando),do Brisas Bar em Santo André (Depois do Cidadão do Mundo, o principal ponto de encontro das bandas Punx do ABC), do Sattva Bordô (Com suas Matinês Hardcore) e quase ao lado o Ego Club (que abriga a Verdurada), sem falar também do Caffeine, com suas mini gigs de bandas Crust de mini repertório em seu mini espaço, porém de enorme importância pelo tempo que está na ativa. Estes Locais também contribuem para que a cena permaneça ativa. É meio chato quando ocorrem várias Gigs no mesmo dia, dispersa um pouco o público. Mas por outro lado mostra a força, a grandeza e a magnitude do Punk. Mostra como estamos certos e como é serio. Ahhh tem o Hangar 110, com muitos shows bacanas... mas estamos falando da Cena Underground. Se falarmos que o Hangar é a maior casa Punk de São Paulo (em termos de estrutura, boa aparelhagem e espaço é mesmo, mas não representa o Punk da periferia, que faz o punk ser punk), não valeu de nada nosso esforço pra fazer nossos eventos nos butecos do suburbio, geralmente evitados pelo público do hangar e pelas bandas "Grandes" que só ali tocam, batendo no peito o orgulho de ser da Periferia - Então porque não toca na periferia, caralho?

Perdemos um espaço, o Espaço Impróprio. Mas Ganhamos outros! Temos agora a Casa mafalda, na Lapa, que não abriga só shows, mas festas, debates, mostras, exposições e outras cositas mas, além de ser a Sede do Autônomos F.C., Time de futebol formado por anarquistas que por meio do esporte leva também o ideal libertário para dentro e além dos campos - e que já ganhou muitos "Títulos" pelas várzeas da vida. Temos também o Gereba's Bar em Arujá, que por mais que já houvessem rolado Gigs por lá ano passado, na segunda metade do ano em diante viu acontecer shows punk com mais frequencia.

No Interior de São Paulo e no Litoral as coisas estão começando a melhorar... no começo do ano eram muito poucas gigs no interior de Modo geral. Porém a reação ocorreu como um BOOM e agora vemos vários flyers pipocando internet afora anunciando shows na Hocus Pocus em São José dos Campos (Deu uma caída mas voltou com tudo!), No Plebe Bar em Indaiatuba (Agora maior, melhor e Reformado), Kingston rock Bar em Limeira, Bar do Faustão em Sorocaba e sem falar do maior evento do Litoral, o Die Hards, realizado pela galera do Coletivo Moonstompers Crew (ou MS) no Bar e café Santista, obviamente em Santos, que leva sempre uns 2 busão lotado de doido além da galera de lá, fazendo cada Die Hards ser um puta evento - Sou suspeito pra falar, não fui em nenhum, mas quem sou eu para duvidar da voz da unanimidade???

E o melhor de tudo é que tá começando a sair uma pá de CD de novo! Aqueles Cds que agora ninguém faz questão de dar valor, mas daqui a 10 anos vai ter nego vendendo a 80 pau no mercado livre. Mas bastante CD saindo significa que a cena tá crescendo, as coisas estão melhorando e não custa nada deixar duas cervejas de lado pra adquirir o trampo de uma banda (ou várias num CD só), para que assim ela tenha recursos e motivação de lançar um segundo, terceiro e enésimos discos. Poucas bandas no Brasil tem uma discografia tão longeva, afinal a falta de apoio do público faz a banda desmotivar e, se não acaba, permanece tocando as mesmas coisas por anos a fio sem apresentar novidades. E, eu, como não poderia deixar de ser, entrei de cabeça nesse bagulho de Selo e lancei a Feio Records, que apesar de não bancar a prensagem dos CDs em sua totalidade, dá uma forcinha e recebe umas cópias em troca da merreca, fazendo assim meu lymdo e Maraviôzo rostinho sorridente ser estampado em vários lançamentos que saíram e que ainda vão sair... azar dos meus desafetos que terão que olhar pra minha cara cada vez que forem pegar a contra capa de um Cd Feio Records para ver o nome das músicas das bandas... Se é para ser aparecido, que seja feito do jeito certo, nénão? Hahahhaha

Os principais lançamentos deste ano foram o CD "Mundo Doente" do Lokaut, que além de muito bem gravado e produzido, tem uma parte gráfica bem elaborada e diagramada. Este foi o ano do Lokaut. Nenhuma banda fez um estrago tão considerável na cena como eles. Só deu eles. E nada mais justo que coroar este momento com um Full-Lenght! Também saiu o 4-way-Split "Faccion Terrorista Ódio ao Sistema" com as bandas Facción de Sangre, Ação Terrorista, Ódio Social e Sistema Sangria, quatro das mais Brutais bandas do cenário Hardcore Punk de São Paulo descarregando uma desgraceira sem precedentes em Seus Ouvidos! A produção gráfica é bem simples, com foto e contato das bandas apenas, mas o que interessa é botar o Cd pra rodar e sair chutando tudo pela sala - Até o irmãozinho se este for muito chato. Estes dois São Feio Records, além dos outros selos que ajudaram a trincar, lógico... quem me odeia evite comprar esse disco que lá está meu rosto sorridente rindo da sua cara de cu quando me vê.

Saiu também o split "Vida Punk", com Phobia e ARD (ex-Stuhlzapfchen Von "N"), o EP 7' do Speed Kills pelo selo Nada Nada Records, dos mano da Loja the Records, que foram responsáveis também por relançar o compacto "Botas, fuzis e capacetes" do Olho Seco e uma Luxuosa caixa contendo o LP split do Cólera com o Ratos de Porão ao vivo no Lira Paulistana, além de camiseta e poster e mais um baguio que eu esqueci o que vem dentro. Saiu também o CD "Amanhã vai ter Troco" do Total Terror DK, Não tão nova assim empreitada do Nene Altro, bem produzido e de apresentação simples, no envelopinho e em CDR silkado, mas muito bem feito. E 2012 promete na indústria Fonopunkgráfica: Novos Cds do Juventude Maldita, Sub-Existência (comemorando 25 anos de banda), Pé Sujus (Primeiro full-lenght), Kob 82 (Pela Red star Recs), uma coletânea com 10 bandas com a parceria dos selos Rebel Music e Feio Records, sem falar do Relançamento do Clássico "Violência e Sobrevivência" do Lixomania, em CD pela Corsário Discos e em Compacto pela Nada Nada. Preparem os bolsos que se tudo isso de CD e vinil sair neste ano de 2012, sua coleção vai estar repleta de boas novidades.

E O MANIFEST, HEIN???

Neste ano rolaram vários Pré-Manifest, que seriam prévias do Manifest, o maior Festival Punk dos Últimos Tempos, que se tudo conforme planejado tivesse dado certo, rolaria no dia 19 de novembro. Mas porque não deu? O Coletivo organizador é formado por pessoas que não vivem do Punk, mas que apenas vivem o Punk. Nós (falando assim porque eu faço parte do Brancaleone Punk Rockers) somos todos trabalhadores, temos nossas responsabilidades, preocupações e famílias como prioridade em nossas vidas. Dedicamos muito tempo de nossas vidas para preparar o Manifest, que está pronto. Mas porque raios não saiu do Papel, porra? Simplesmente falta o LOCAL. Você vai falar, "Ah, local é o que mais tem, conheço uma quadra de escola de samba ou sei lá o que"... Um evento da magnitude do Manifest, que será um FESTIVAL, e não apenas uma Gig cheia de bandas precisa de boa capacidade de pessoas (Não falo de lugar pra 500 pessoas, mas sim pra no mínimo 2000, há anos que não vemos festivais juntarem tanta gente e é essa a intenção, a ambição) e estrutura boa como Palco, Camarim para as bandas guardarem as paradas e se prepararem para sua apresentação enquanto a anterior toca, saídas de emergência ou áreas de escape caso ocorra alguma coisa, espaço para merchandising das bandas, palco suficiente para movimentação da banda e acomodação da estrutura de som a ser alugada para o evento... enfim algo como este evento que estamos planejando não pode ser feito em um local qualquer. O primeiro local a ser fechado, próximo ao metrô belém, foi descartado em razão do dono do espaço não entrar mais em contato conosco e não atender aos telefonemas que eram feitos. Isto na época em que a mídia promovia a caça ás bruxas em razão da briga do show do Cock Sparrer. E depois disso surgiram vários locais na mente, mas nenhum atendia á expectativa. O tempo foi passando e decidimos que é melhor primeiro acertar com algum local (este em negociação, capacidade um pouco menor que o inicialmente desejado, mas é o que tem pra hoje e mais próximo do que se encaixa nos nossos requisitos) 100% para depois sair divulgando por aí. Mas o Manifest vai rolar em 2012 mas nem que seja no dia 31 de dezembro! Óbvio que bem antes disso, mas vamos seguir esta correria em Sigilo para evitarmos mais uma fadiga do corre: Gente querendo saber demais das coisas e pegando no pé. Portanto, aos que achavam que foi o grande fracasso ou frustração do ano, pode até ter sido, mas em 2012 o estrago vai ser em dobro: Serão Dois Dias e com mais bandas! E praqueles que torciam para tudo dar errado... pode baixar a crista que estamos chegando. Devagarzinho, mas no rumo certo.

RESISTÊNCIA!!!!!

Aos poucos o punk, de modo geral, vem retomando o seu viés de combatividade e resistência. Reagindo á varias ações repressoras do Estado, principalmente do mês de setembro pra Frente. O Ocorrido no Show do Cock Sparrer balançou a cena de uma forma que as consequências são vistas e sentidas até agora. Estou falando de Companheiros presos injustamente, pra polícia não dizer que só os nazistas que foram punidos nesta história; Um deles, O Biel, da banda Herdeiros do Ódio, está amargando maus momentos privado de sua liberdade acusado de Crime que não cometeu. Foi levantada uma campanha no Facebook e emails de interessados para levantar fundo para levantar fundos para pagar os custos dos advogados que trabalham em sua defesa, e a mesma segue até hoje, mostrando que a luta pela liberdade e justiça não pode cessar em momento algum.

O legado deixado por este evento ocasionou o sumiço de muita gente da cena "Antifascista", mostrando que havia muita gente na cena por moda e que Gritar "Antifa" não passava de um mantra nonsense, proferido apenas para ser aceito dentro de determinado circuito de pessoas, mas na hora de provar que era Antifascista mesmo meteram o pé, provando como algumas pessoas que aderiam ao estilo Skinhead eram meros modistas, que hoje não se intitulam mais como porra nenhuma e estão enchendo o cu de maconha nos Reggaes de playboy da vida (outra moda, local mais que apropriado para estes indivíduos). Quem é é, quem não é cabelo avoa! Sobraram poucos, mas os que insistem provaram ser verdadeiros.

Johni Galanciak deixou um Legado: O Levante Punk de São Paulo. O Levante promovia reuniões, troca de materiais como Cds, patchs, fanzines, tinha sempre um radinho esperto rolando um som enquanto as ideias rolavam. A intenção era juntar todos, todos os punks de São Paulo para fazer este Levante político e cultural do movimento, embora nem muita gente tenha aderido e/ou participado. Mas ainda há um grupo de garot@s que continuam o que o Johni começou, promovendo estas reuniões e planejando um fanzine, embora quase ninguém tenha comparecido aos encontros marcados pela internet. Já sugeri aos garotos que estão neste corre a formarem um coletivo, até mesmo para se concentrarem em cabeças que, apesar de serem poucas, podem pensar mais e melhor que um milhão de pseudo-pensadores juntos. O futuro do Levante Punk SP está nas mãos dos meninos e espero que como coletivo, conforme sugeri, ou da forma que está sendo levado, tenha vida longa e resistente.

Outro foco de resistência que marcou muito a cena não só Punk como polítca e social de São Paulo foi o Ocupa Sampa! Inspirado nas ocupações de centros financeiros que se espalhavam pelo mundo, em uma rede Global, o Ocupa Sampa foi o principal representante brasileiro deste movimento, permanecendo Por mais de um mês sob o Viaduto do Chá, no Vale do Anhangabaú e seguiu resistindo em locais como Praça do Ciclista, na região da Avenida Paulista e Praça Mahattma Gandhi, no Ibirapuera, sempre expulsos por truculentas ações policiais (que no anhangabaú mandou a tropa de choque ás 4 da manhã!!!) e no momento estão desenvolvendo atividades sem erguer as barracas, mas ocupando espaços públicos por Horas para atividades como Aulas livres, oficinas, palestras, debates e etc. Quem quiser conhecer melhor sobre o movimento, acesse: http://15osp.org.

TROCANDO EM MIÚDOS...

2011 foi um ano conturbado em razão de brigas, prisões e falecimentos - Além do Johni perdemos Tarzan, um jovem recém integrado ao Punk que morreu atropelado ao fugir de nazistas; Perdemos Montanha, baterista do Isabella Superstar e do Cegos pelo Ódio que faleceu nos trilhos do metrô em causas ainda não muito esclarecidas, provavelmente Suicídio; E o Redson do Cólera, que dispensa apresentações - por mais que tivesse raiva de algumas atitudes dele, registro aqui que cólera foi importantíssimo em minha formação como Punk e seu falecimento me deixou chocado.

Por outro lado foi extremamente positivo no que diz respeito á produção cultural, união entre as subculturas libertárias e antifascistas (embora haja grupos que permanecem radiais em suas posições), nùmero de eventos, adesão de jovens ao movimento, transmissão e troca de informações, Lançamento de discos, engajamento político maior e um pouquinho mais de valorização também foi constatado (Já pararam de reclamar que o som tá 5 reais pra entrar, agora falta o próximo passo: 10 reais nem é tão caro assim por um CD da banda que tá no corre com você, caralho!

Mas é lógico que sempre tem alguém pra dizer que tá tudo errado, tudo uma bosta, que o punk do jeito que vem seguindo vem criando subdivisão e enfraquecendo o movimento... Pessoas que não fazem merda nenhuma, não sabem os locais que tem som, nem as bandas que tocam, que não escrevem uma linha de texto, não vão nos protestos, não apoiam nenhuma iniciativa libertária, apenas brigam e brigam com punks. Falam isso pois são excluídos da cena, estão fora há muito tempo. Se excluem pois a cena está mais consciente e unida, destoando totalmente do critério de pensamento particular deles que eles tentam impor através da violência. Se eles aparecerem em alguma gig, não será para agregar, mas para destruir a Grandeza que estamos construindo. Mas ao verem como somos fortes e no momento que perceberem que estão enganados, nada mais justo que enfiar o rabo entre as pernas e procurar a igreja evangélica mais próxima. Destino de prego não é muito glamuroso aqui no Punk, caraio!!!

Por último, registro aqui o aparecimento de pessoas que finalmente, aparentemente, pararam de falar de quem produz e resolveram se mexer. Resta saber se é por amor ao Punk, se produzirão pra agregar alguma coisa de fato na cena ou será apenas algo efêmero, apenas para se aparecer. Qualquer iniciativa é bem vinda, desde que não seja com fins de concorrência ou disputa movida por picuinhas...

Enfim, chega de digitar, já falei o que tinha que falar, já tô zonzo e meio depressivo em virtude do disco da Sandra de sá que embala essas últimas linhas, diferente dos 4 discos do Slade que embalaram os momentos mais agressivos e efusivos desta postagem. Por um Punk mais unido e forte ainda em 2012! Este ano promete, mas só nossa atitude fará essa promessa virar realidade. Feliz 2012 a todos!!! Muita saúde, felicidade e Dinheiro no bolso, pois gritar "Êra Punk" ainda não paga as contas de ninguém...





terça-feira, 27 de setembro de 2011

NEUROTIKAS FEST 3 - CESAR BAR, ITAIM PAULISTA, 11/09/2011

Flyer do baguio (Pensou que era o que, porra?)



E quem achava que as meninas do Coletivo Neurotikas tinham parado, desanimado, ou deixado tudo de lado se enganaram! Afinal de contas, esta gig da presente resenha marcou o Terceiro aniversário de Lutas, Ativismo e Ação Direta deste coletivo, muito invejado e criticado, mas que enquanto todos falam, elas vão lá e continuam fazendo.

Sim, o coletivo deu uma diminuída nas atividades, até porque no presente momento trata-se de um Trio, sendo que no primeiro aniversário do coletivo haviam 9 pessoas no mesmo. Observando desta forma, podem até pensar: A tendencia é acabar, é piorar, certo? ERRADO! O tempo passou e cada vez mais as meninas mostram que o que importa de fato na cena é Qualidade, e não quantidade. Pra quem queria saber delas (ou pro desprazer de quem torcia contra), esta Gig serviu pra mostrar a grandeza de coisas feitas com o coração e com toda simplicidade - Mas carregadas de sinceridade.

Esta gig foi realizada numa semana muito conturbada pelas tensões pós-Cock Sparrer. Como citado no post anterior, A mídia banhou a sociedade de groselha, cuspida da boca dos Gordos falastrões da hora do rush, que clamavam aos pais e mães que não deixassem seus filhos virarem Punks ou skins ou sei lá, falando com propriedade sobre assuntos que nada entendem. Passava-se por minha cabeça a seguinte dúvida: Será que vai dar merda? Será que vai ter polícia enchendo o saco? Por outro lado, pra que se preocupar com essas coisas se o que realmente importava ainda não estava ok: A aparelhagem?

A semana toda atrás de vários contatos, imaginando inúmeras possibilidades de como fazer com a parte da voz do evento. Eis que no dia anterior, o Babão, do Lokaut, consegue esta preza para nós e a PA de voz estava garantida, proporcionando maior qualidade ao evento. Agora restava só fazer o "pião" de levar os amplis de guitarra e baixo nas costas e esperar o dia chegar.

No dia do evento, logo cedo já estávamos lá para acertar direitinho os últimos detalhes do evento. O flyer apontava o início para as 13 hs, mas já estávamos cientes que a aparelhagem de voz só chegaria por volta das 16 horas. Neste meio tempo então, enquanto eu organizava o palco com o que tinha e metia discotecagem nas caixas de som, as meninas do Coletivo se empenhavam na montagem dos esquemas de cobrança, sinalização, Exposição de fanzines e mural de fotos,portaria e decoração do espaço - Sim, decoração e com bexigas, era uma festa acima de tudo, porra! E enquanto isso o público e as bandas foram chegando e se acomodando no Cesar bar, em suas simpáticas mesas e cadeiras improvisadas e se divertindo nas duas mesas de bilhar da casa dos punks da zona leste, sem falar do povo que aliviava a larica com o Rango Vegan trazido pela Ex-Neurotika Sarah.

Eis que umas 14:30, quando o barulho inofensivo da discotecagem era o único ruído relevante da casa ainda, surge uma viatura que encosta milimetricamente em frente ao Cesar Bar. Lá vai eu pra qualquer pai nosso da vida me identificar como responsável pelo evento, já ciente que como aquilo nunca aconteceu e nunca acontecerá jamais naquele local e horário, fui conferir o motivo da visita "Ilustre". O pracinha então me relata que foi uma denúncia causada pelo barulho (!) e que o evento teria que parar (e oficialmente nem tinha começado ainda). E lá vai eu ser simpático mas ao mesmo tempo realista com o policial pra explicar que a gente faz evento ali naquele local há quase três anos e que ninguém nunca denunciou e portanto não seria algo realmente procedente. Conversa vai, conversa vem, a viatura se vai, sob a ameaça de uma nova denuncia parar o som e recolher os equipamentos e três coisas passaram-se por minha cabeça: Ou aquela viatura foi mandada pela delegacia mais próxima, em virtude da caça ás bruxas promovida pela mídia; Ou alguém que já foi escarrado dali resolveu fazer isso para boicotar o evento, sem sucesso; Ou denunciaram de verdade mesmo mas quando ouviu o barulho rolando se sentiu derrotado hahaha.

Por volta das 16 horas então chega a aparelhagem de voz, que, montada rapidamente no palco onde o restante do equipamento necessário ja se encontrava montado, possibilitou á primeira banda que iniciasse sua apresentação tão logo os últimos ajustes fossem realizados. E o nome da banda que abriu o evento era... Coriza! Uma excelente banda que está se reerguendo com o novo Guitarrista Renato (ex- Caos Cerebral), que por mais que ainda não apresente tanta técnica como os guitarristas anteriores, está se adaptando muito bem á banda, que em contrapartida simplificou um pouco seu som, perceptível nas músicas novas apresentadas e reformulações de outras mais antigas, mas sem perder a pegada e a energia que fazem da apresentação da banda o legítimo convite ao pogo! Ótima apresentação. E vem demo nova por aí! No Aguardo!

Segunda banda a se apresentar, foi a vez do Subviventes, que fez o já cheio salão do Cesar Bar ir abaixo. Afinal esta banda quando toca também não deixa ninguem parado. E os ali presentes permaneceram do inicio ao fim da apresentação da banda, cantando junto os clássicos da banda e proporcionando uma cena meio que rara no cesar: Salão cheio e com todo mundo curtindo na paz. Muita gente chegou pra ver o subviventes um pouco mais tarde, mas a banda ainda tinha outro show em diadema algumas horas depois. Parabens pelo som e pela postura dos Subviventes!

Em seguida, foi a vez do Vingança 83. Apresentação Curtíssima, em razão de estarem com um baterista substituto, pela óbvia razão do batera deles não poder comparecer. Mas a apresentação não deixou a desejar e a galera presente curtiu o hardcore violento do grupo.

A quarta banda foi o Lokaut. E como todo mundo já sabe o que vou falar, dispensa apresentações. Mas este show em especial surpreendeu até mesmo o pessoal da banda, vendo o grande número de pessoas que participaram do show, cantando os sons da banda, subindo no palco, pulando e tudo o mais. Mais um passo dado por esta banda que soltou músicas do Novo CD pra galera ouvir na web, e que promete ser o melhor lançamento do ano.

Quinta Banda, mais uma vez a galera do Amnésia Coletiva veio de Jacareí para mais um show no Cesar Bar, porém, sem o batera Michu que não pode vir em virtude de uns compromissos de força maior. Mas o Cesar, nosso até então ex-guitarrista declarado que faria o ultimo show com o pé sujus logo em seguida segurou a bateria pros nossos queridos amigos. Esta é a vantagem de se gravar um split! Por mais que as músicas saíssem um pouco fora do tempo, coisa natural em improvisações e falta de ensaio, tudo correu bem e como o Chu estava atrasado como sempre, a banda foi metendo cover do punk nacional na cabeça do povo pra encher linguiça, afinal o repertório já havia sido encerrado hahaha.

Enfim, começa a última banda. E por mais que seja minha banda e que você fiel leitor pense que este blog é mais uma ferramenta de promoção da mesma (do jeito que tá parece mesmo haha), digo que foi uma apresentação Histórica. Já seria de qualquer forma, afinal seria o último show do Cesar, o integrante mais antigo da banda depois de mim. Mas foi Surpreendente. Após tocar a primeira música, quando anunciei a segunda ele me toma o microfone e começa a discursas, falando do amor que tem pela banda e coisa e tal, aquela pieguice de quem deixa a banda. Eis que ele diz que permanecerá na banda, e eu ao mesmo tempo não sei se enchia ele de porrada ou se dava um abraço nele. Na dúvida, fomos tomados de alegria e descarregamos tudo neste show, que com o salão lotado, fez meu olhos verem uma cena inesquecivel de todo mundo pogando, cantando, pulando com uma alegria sem igual. Eis que antes da música "Morre Brasil", relembro uma pessoa que fez desta canção de minha autoria uma de suas músicas favoritas e a transformou em trilha sonora de diversas manifestações de rua, como também seu refrão ser entoado durante as passeatas: Johni Galanciak. Foi pedido um minuto de silêncio, devidamente respeitado e até fazendo algumas pessoas saírem do salão por quase não conseguirem conter as lágrimas. Cisão, Sempre ele grita do Fundo "ÊRA JOHNI", repetido em uníssono por todos os presentes, seguida de uma salva de palmas estrondosas que já incitaram o Batera Chu a iniciar esta canção. Um momento que jamais sairá de minha memória mesmo. Punk rock também é emoção! E assim seguiu a apresentação até o final com tudo correndo bem.

Saldo Final: Todas as despesas de aluguel de equipamento pagas, Assim como todas bandas tomaram um goró e ainda sobrou uma graninha pro coletivo xerocar seus fanzines ao longo do ano - Lembrando que quando se paga entrada em show punk você está SIM investindo na cena e o retorno é palpável, audível e concreto. Bastante doações de roupas arrecadadas e já devidamente encaminhadas a seus destinatários: Moradores de Rua. Nenhuma briga. Nenhum prego arrastou, afinal ficaram todos do lado de fora. Principios de bate boca se limitaram ao ambiente da calçada pra fora, onde os que tinham alguma esperança de que a portaria fosse liberada permaneciam ali esperançosos de que pudessem adentrar ao som que eu, pessoa que eles Odeiam, organizo. E pelo fato de me odiarem sempre fazem questão de fazer merda. Portanto, tô suave de ter dó de quem só quer me ver pelas costas, na moral, enfiem a dentadura no cú e sorri pro caraio, como diria nosso mestre Away!

A banda Phobia Punk Rockers não tocou, em razão do Vocalista ter batido o carro durante o caminho para o som ainda em São José dos Campos, sua cidade, mas nada demais ocorreu com o mesmo, apenas com o carro. Porém o Guitarrista Demente (também do Juventude Maldita) foi até o som para dar uma satisfação e principalmente tomar uma pinga conosco e curtir o evento. E enfim, se este evento teve a grandeza que teve, foi graças ao coletivo Neurotikas mais uma vez, que empenhadas na divulgação e nas correrias complementares do som, pode escrever mais esta página em sua história e inserir mais um grande acontecimento em seu Currículo. É nois nessa porra sempre, meninas. E quem fala mal delas automaticamente fala mal de mim, hein!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

COCK SPARRER - CARIOCA CLUB, SÃO PAULO, 03/09/2011 - E SUAS CONSEQUÊNCIAS...

Flyer do Evento

Cock Sparrer ao Vivo!

Valeu Johni! ÊRAAAA!!!



Faz tempo que não coloco resenha de show gringo nessa bagaça. Também, pudera, ando mais duro do que pau de tarado e não tenho tanta grana para ficar investindo nesses luxos. Este ano fui só no Stiff Little Fingers, que a resenha que melhor resume o que foi o show você pode conferir no excelente blog do meu amigo Danillo Santos, o Inflamable Material (Link da Resenha: http://inflamablematerial.blogspot.com/2011/08/stiff-little-fingers-em-sao-paulo.html), e neste show o qual não só irei resenhar a apresentação da banda Cock Sparrer, como também as consequencias dos fatos relacionados a este evento.

Era, com certeza, o Show Gringo mais aguardado do ano. Afinal, a expectativa pela apresentação da banda era grande há anos, com os rumores e possíveis datas que eram apontados e depois esquecidos. Mas, com o flyer circulando, a alegria de ver esta clássica banda estaria garantida. Ao mesmo tempo que muita gente já começava a fazer circular os burburinhos de treta entre Punks e Carecas e Nazis e Cosplayers de punk e por aí vai. Era mais do que óbvio a circulação desses papos pela internet e pelo rolê em geral, afinal com certeza este evento juntaria Todos tipos de Punks e Skins imagináveis tudo em um mesmo local. Mas há quem tenha a mentalidade que o show é do Cock Sparrer, e não do público Brigando. Afinal, quem estava ali para ver o Cock Sparrer tocando por algumas horas esqueceu que era Punk, ou Careca, ou sei lá mais o que fosse. O que importava mesmo era o Show, era fazer valer o preço pago pelo ingresso.

Cheguei no local do show cerca de uma hora antes da apresentação da banda, programada para estar no palco ás 20 horas. Como já sabia que não seria boa ideia me envolver com qualquer galera que fosse, fui sozinho com um amigo Jornalista, aproveitando também sua carona. Desloco-me então para a fila e já comecei a ver os diferentes tipos que ali se posicionavam, todos convivendo em paz e cordiais entre si: Punks, Carecas, Street Punks, Trads, Sharps, ou simplesmente amantes do bom e velho Rock'n Roll. Do outro lado da rua, algumas bancas se posicionavam e não se largavam por nada neste mundo pois saberiam que alguma encrenca ali seria Iminente. Bancas de Street Punks, de Skinheads, e de... Neonazistas...

Quando, já na porta do Carioca Club, a poucos passos de adentrar no mesmo eu estava, vejo a banca de Neonzais Gritando e Levantando suas armas, como nas cenas de confronto de gangues de filmes. Afinal, chegavam quem eles estariam esperando: Os Punks e Skins antifascistas. Que estavam ali para ver o show também, porém por motivos lógicos de precaução e segurança resolveram colar num numeroso grupo para que, se acontecesse o que os rumores rezavam, ao menos estarem todos ali já preparados para o pior. O pior que aconteceu de fato.

Enquanto o corre-corre tomou conta da rua Cardeal Arcoverde, os presentes na fila aglomeravam-se para dentro do Clube, que já contava com uns resquícios de gás de pimenta, consequencia das cenas de guerra que reinava na rua. A porta do clube entreaberta, e eu, sufocado pelo gás e pela galera que se espremia ali dentro da bilheteria, esperando o aval da segurança pra liberar a entrada dos aglomerados, observava algumas pessoas correndo, se batendo, mas nada muito claro. O que deu para ver nesse meio tempo é que os Antifascistas, que estavam desarmados segundo fontes, foram recebidos a rojões, molotovs, facas e tacos de Baseball pelos fachos, e depois da explosão do primeiro rojão, explodiu o caos e eu fui conduzido pra dentro por quem não queria assistir ao quebra-pau.

Enfim, consigo adentrar ao clube meio apreensivo. Afinal de contas, amigos meus estavam ali naquela briga e por mais que eu evitasse tal situação, a preocupação sempre reinava em minha mente. Ligo para um amigo meu e ele me informa: "- O Johni foi ferido, foi parar no Hospital. Já já tô entrando e te explico melhor". Era sabido que alguém ia levar a pior nesta briga, mas não é nada agradável saber que um amigo está machucado e você ali no show se "divertindo".

O ambiente ali dentro era uma mistura de Paz com tensão: Gente que se odeia junta no mesmo lugar para ver uma banda que todos compartilham o gosto em comum. Todos ali dentro só queriam saber de uma coisa: Cock Sparrer. Só ali mesmo para você ver um careca pedindo "Licença, por gentileza" para um Punk Anarquista, no qual o mesmo dizia "Toda, pode passar", na maior finesse e espírito de cordialidade. Ninguém queria confusão ali dentro, apenas pular, cantar, pogar. Enquanto a banda não começava a tocar, uma discotecagem com os clássicos do OI! era o fundo musical para o Jogo de Futebol que passava no telão, entretendo os presentes. Estávamos em território inflamável, cheio de gasolina no chão, em que uma fagulha poderia colocar tudo para explodir. Mas de fogo ninguém queria saber, somente de cerveja. E por falar em cerveja, a luz se apagou, o telão subiu e a cortina se Abriu: Vai começar o show!

Nesse meio tempo, mais amigos iam entrando no show. Companhias que eu precisava ao menos para ficar ali do lado de dentro, para pogar junto, pular e agitar. Mas no semblante de cada um que entrava era visível apenas o sentimento de angústia, de dor, de preocupação com o ocorrido. Afinal de contas, por mais que estivessem ali dentro, a cabeça estava lá fora. Não há realmente como se divertir plenamente sabendo que um amigo está num pronto socorro, sangrando e ferido, sem saber se terá um amanhã para contar história. E esta angústia me contaminou. Mas não tirou em momento algum o brilho da apresentação da banda.

E os tiozões chegaram quebrando tudo com "Riot Squad", fazendo todo mundo pular que nem retardado e cantar verso por verso em inglês (ou tentativa de) e esquecer que o salão estava lotado e que haviam pessoas ao seu lado. Emendaram com "Watch your Back" mantendo a empolgação do público e atiçando ainda mais na seguinte música, a magnífica "Working". Veio então uma brilhante sequencia com "Sussed", "Get a Rope" e a clássica "Tough Guys". O Público presente parecia não acreditar no que estava vendo: era só clássico, um atrás do outro, sem encheção de linguiça, como ocorre na maioria dos shows Gringos. Parecia até que os caras da banda estavam adivinhando que aqui no Brasil pro show ser memorável tem que tocar aquilo que o público quer ouvir.

E tome "Argy Bargy", e dá-lhe empurra-empurra, bicuda e cotovelada, mas tudo na esportiva. Os hematomas são assunto para outra ocasião, o importante mesmo era cantar os refrões de "A.U.", "Chip on my shoulder" e "Running Riot", que não só fez a casa ir abaixo, como deu a marreta pro pessoal quebrar tudo na próxima, "I got your Number", uma das mais bacanas e aguardadas canções da noite.

O Show já tava com uma cara de "Do meio pro fim" quando "Because you're young" começou a ecoar pelo ambiente, e os mais velhinhos, ou sedentários mesmo, já procuravam as disputadas paredes do salão para se apoiar, mas continuar apoiando a banda, na cantoria a plenos pulmões. Eis que o Vocalista Collin McFaull anuncia a participação especial da noite: O Guitarrista Brasileiro Chris Skepis, que fez parte da banda nos anos 1980, para tocar... "Take 'em all"! E com 3 Guitarras! Era o peso a mais que faltava para que esse clássico abalasse as estruturas do Carioca Club, e com certeza era uma das canções mais esperadas da noite. E Encerraram a primeira parte do show com "Where are they now".

E show gringo que se preze tem que ter o Momento do BIS! Para este momento foram selecionadas as canções "Suicide Girls", a Óbvia, Indispensável, Épica, Magnânima e Ai-de-vocês-se-não-tocarem "England Belongs to me", que quem sabe da importância dessa canção nem precisa descrever como foi a reação e o êxtase do público a partir do primeiro acorde, e encerraram com "We're coming Back", deixando todo mundo com vontade de Mais 60 minutos de apresentação, e prometeram que logo logo estão de Volta para uma apresentação. Promessa é Dívida. Enfim, o Show em si foi Excelente!.

Na hora da saída, uma ingrata surpresa: Gás de pimenta na porta e na calçada para que o pessoal não ficasse ali "Embaçando", haja visto também o risco de um novo confronto, afinal tinha uma galerinha do mal de braços cruzados e com cara de cu, com camisetas que deixavam claro a posição política de extrema direita da meia dúzia, esperando alguém que fosse pra cima ou que eles pudessem prejudicar. Se foderam, não conseguiram nada e foram embora frustrados. Eu fui é pra minha carona para um ponto de ônibus bem longe dali para evitar cruzar com certos tipos ali presentes e fui pros braços da minha amada para uma festa de roqueiro doido.

No caminho para meu bairro, ligo para um amigo para saber de notícias do Johni. Fico sabendo então que Johni Fora esfaqueado, durante o confronto com os Nazis - aliás, ele foi um dos poucos que foram ali na linha de frente, mesmo sem nada, enfrentar os caras. Por mais que estivesse tudo bem, só restaria a todos descansar e aguardar por novidades. Novidades Péssimas que pipocam em mensagens de SMS em meu celular na fatídica manhã do dia seguinte. Todas diziam a mesma coisa: "O Johni Morreu". Era algo meio que esperado, mas ao mesmo tempo a gente preferia confiar em mais uma vitoriosa recuperação de nosso amigo. Mas desta vez, infelizmente, o revés foi definitivo.

Durante todo o dia, mensagens de Luto foram o fio condutor dos Facebooks da galera, não se falava em outra coisa. Aguardávamos por notícias sobre velório, enterro. E a mídia começava a afiar a faca para tirar mais sangue ainda desta história toda. Reportagens meio que superficiais da Globo e da Record foram os primeiros "Registros" do que aconteceu, mas o pior estava por vir.

Sou leitor assíduo do jornal "Diário de São Paulo", por causa do seu preço módico de 1 Real, seu formato de editoração e sua objetividade quanto ao assunto, sem deixar de ser informativo. Eis que abro o bendito Jornal, com a manchete sobre a Briga já devidamente estampada em sua capa e quando vou para a página correspondente á matéria me deparo com uma Manchete Sensacionalista que dizia: "Punk encrenqueiro é espancado até a morte por Skinheads". Lendo a matéria, deparo com informações completamente distorcidas, que diziam que ele era Nazista (e foi morto por um nazista, vê se pode), que era de uma Conhecida Gangue que é Unida com Carecas (Coisa que Johni Odiava), além de tachá-lo como se fosse mais um marginalzinho qualquer só por causa dos BO's anteriores que ele já tinha segurado, como o espancamento do "coitado" do estudante de 17 anos em 2007, que em 2009 jogou uma bomba na parada gay e no Meio deste ano Tentou assassinar moradores de Rua junto com sua gangue na pancada. Sim, o Estudante espancado pelo Johni era um Neonazista, perigoso e que está solto, pois a polícia e a justiça, naturalmente parciais em sentido á direita, fazem questão de favorecer mais ações deste tipo por parte dessas facções ridículas. Foi citado também o episódio que o Johni jogou um Ovo no José Serra. Enfim, a Jornalista (Ir)responsável pela matéria prestou um enorme desserviço á todos os leitores que compram tal publicação, por estar divulgando informações falsas.

Começou então no Facebook uma enorme campanha para que todos mandassem e-mails, ligassem na redação do jornal, infernizassem para que pudéssemos ter nossa voz enfim ouvida pelo jornal. A Jornalista que escreveu a matéria ligou para um amigo e marcou para a tarde do mesmo dia uma entrevista, a ser realizada por Outra jornalista mais competente e inteligente, digna de ser chamada de Jornalista, que foi realizada em minha loja aqui no Centro de São Paulo. O Diário de São Paulo do dia seguinte, apesar de não ter se retratado e ter assumido o erro, publicou uma matéria com todas as informações corretas e colocando as posições políticas de Johni da forma certa. E a Nova Jornalista Responsável (essa sim Responsável), além de nos ouvir, foi atrás da Família dele, comparecendo ao velório e obtendo informações fidedignas e verdadeiras, dando prosseguimento á cobertura do caso nos dias seguintes da forma correta e sem matar mais nenhuma vez nosso amigo.

Porém, lá vem os Gordos Gritões da hora do rush, Datena e Facciolli (ou FACHOlli), matarem nosso amigo a cada 5 minutos que passavam na telinha das donas de casa e dos cidadãos desinformados sobre o que é Punk e o que não é. O SPTV, da Globo, mostrou uma matéria sobre o caso e sugeriu aos telespectadores que, se vissem algum grupo de punks ou skinheads, denunciassem para o 181. Conhecidos recebendo ligações da polícia civil avisando que os shows Punks agora estão na mira das investigações... Começou então uma caça ás bruxas, uma temporada de assédio moral onde cada punk na rua é chamado de "Assassino", "Nazista", entre outras coisas.

Do lado nazista da história, Prenderam o sujeito que fora apontado pela principal testemunha, de acordo com as ultimas palavras de Johni, como o assassino do mesmo. Um cara que já foi punk e por causa de mulher começou a se envolver com a extrema direita e levar essa babaquice ás Últimas consequencias. E houve outra vítima também do lado dos Nazistas, mas que até o presente momento encontra-se internado em estado grave e a polícia procura o responsável (ou responsáveis) pela agressão que mandou o cara pro hospital. Resta Saber: Se pegarem o responsável pelas chapuletadas no Nazi, quem ficará mais tempo na cadeia? O Nazi, que tem as costas quentes e já aprontou um monte por aí, ou a pessoa que mandou o Nazi pra UTI?

Enfim, não estamos definitivamente em tempos favoráveis. Mas isso não quer dizer que podemos parar! A principal característica do Punk é justamente a resistência, e proporcionar mais cultura pras pessoas abrirem os olhos e exigirem seus direitos não é crime nenhum, diferente da carnificina promovida pelos Neonazistas todos os dias mas que ninguém dá a mínima. Violência nunca levou e levará a nada, mas a auto-defesa é necessária. E podem ter certeza: Se o movimento Punk existe há praticamente quatro décadas, não foi por causa da violência que ele continuou vivo e forte este tempo todo no mundo todo: Punk é cultura, é ação, é ativismo, é um estilo de vida. Violência é uma consequencia da ignorância das pessoas. E Punks Ignorantes, que praticam violencia gratuita, nunca foram bem vindos e não duram muito tempo. Daí migram pra grupos fascistas e o resto da história todo mundo já sabe. O Johni não era um anjo. Poderia até ser violento. Mas era uma violência de Revide. Revide contra os Nazifascistas, que fez de sua família em épocas de guerra se refugiar em outro país para não ser trucidada pelo regime. Revide contra o estado, que diante de uma ovada já fez coisa muito, muito pior não só com ele, mas com cada um de nós que paga imposto.

ÊRA PUNK! ÊRA JOHNI! VALEU POR TER FEITO SUA PARTE, O MOVIMENTO PUNK SERÁ ETERNAMENTE GRATO! UM ANARQUISTA NA PRÁTICA E GRANDE AMIGO!