segunda-feira, 15 de agosto de 2011

PRÉ-MANIFEST 8 – CESAR BAR, ITAIM PAULISTA – 06/08/2011

RAIDS!!!!

Flyer do bang!


E continua nossa saga de eventos que antecedem o Manifest, festivalzão lascado que vai fuder a porra toda em novembro próximo! Neste caso, o palco da oitava previa do Manifest foi o velho e bom Cesar Bar, aqui no não tao distante - mas mesmo assim marginalizado pelos punks almofadinhas – Itaim Paulista.

Foi um evento de parto difícil, afinal, não estávamos diante de uma casa estruturada que oferecia uma aparelhagem de primeira em troca de aluguel ou coisa parecida. Estávamos num bar que cedia a portaria para a organização, possibilitando a entrada barata -5 reais, e ainda teve um lixo muquirana que deu ataque de pseudo-anarquista (mais informações ao longo do nhem nhem nhem) – mas em contrapartida não tinha absolutamente nada em relação a aparelhagem. Ou seja: Trabalho em dobro para honrar o compromisso de mais um evento que, aliás, sofreu um pouco com dispersão de público – No mesmo dia tivemos Show no hangar, Show na Vila Brasilandia, e show em Itapevi no Porão – comparecendo mais a galera da zona leste, menos uma ou outra exceção.

A aparelhagem foi um calvário a parte. Como a casa não disponibiliza nada, apesar de oferecer a portaria – por isso que se cobra entrada no cesar bar, cobrir alguns custos com aparelhagem como por exemplo- Tivemos que utilizar minha “aparelhagem”(Um ampli de guitarra maomenos, um multiuso véio pro baixo e pro backing vocal e um ampli adaptado para voz. Retorno? Não, bandas, hoje é tocar na raça!), que foi devidamente trazida de busão (o multiuso enorme) e de trem (O ampli alugado pelo Babão do Lokaut para voz), em varias viagens no meu carrinho de carregar cesta básica que balança mas não cai. 10 da manha, todo mundo indo dormir e este que vos escreve aqui já fazendo exercícios – levantamento de ampli - pra ficar mais gostoso e depois exibir os resultados mais tarde, todo suado e estressado com o excesso de tarefas simultâneas que organizar som proporciona. Eu do lado de dentro resolvendo problema das bandas, separando começo de briga, ajudando a regular o equipamento e pogando um pouquinho. Mara, como sempre, Botando Ordem na portaria pro evento não virar bagunça, o lado cabeça do evento, usando a experiência de décadas para que este se tornasse mais um evento de sucesso. E sabugo, de perdido, acabou que ajudou a Mara na Portaria.

A quantidade de pessoas não foi tao boa como em outras edições, mas o problema era a qualidade das pessoas. Afinal de contas, como uma pessoa se dá ao trabalho de sair de casa, ciente que o show custa r$ 5 o ingresso e chega na porta pra fazer rateio com poucas moedas - coisa de colocar 10 pessoas pra dentro com R$ 18,65- com o cu cheio de cachaça que custou bem mais que o valor da entrada? Sim, você já ouviu esta ladainha enésimas vezes, chego ao ponto de ser chato e a reclamação se tornar algo maçante e repetitivo. Mas o Grande problema é que estas pessoas já vao ao evento com este tipo de mentalidade: não pagar pra entrar ou esperar a portaria liberar, como acontece com frequência nos eventos, nos momentos em que se sabe que ninguém mais vai chegar e que já se está de saco cheio de estar ali fora. Não que quem não tenha dinheiro não tenha o direito de se divertir. Mas que ao menos use o bom senso e sejam mais honestas. Afinal moleque de 16 anos tentando enganar eu que tenho 23 e á Mara, que há muito já passou dos 40, é dose pra leão... Afinal de contas Pra usar drogas (e tem gente que não gosta que eu mencione que punk usa droga neste blog – este quando ser pai vai acreditar que a filha aos 30 anos ainda é virgem) dinheiro brota até do chão. Mas pra apoiar a cena, nada. Quer entrar de graça? Me empresta um ampli, dá uma mão na segurança, Ajuda a carregar ampli de trem e no busão, aí dá pra pensar no caso (e agradecer a ajuda). Mas cade que aparece algum filho da puta? Algumas pessoas se ofereceram em cima da hora (inclusive que já me ajudavam em alguns eventos, mas que por ser um evento organizado em coletivo, não houve necessidade do auxilio), mas o estrago já tava feito e não houve o que fazer, pois quando era pra fazer não tinha um.

E o pior de tudo foi um moleque idiota que de tão idiota deturpou seu próprio conceito do que é Anarquia e repúdio ao capitalismo e quando convidado por mim a entrar, mediante o pagamento da entrada, para assistir ao show da primeira banda que estava tocando para as paredes do bar, me dispara:

- R$ 5,00! Cadê a ideologia! Você é capitalista! Só entro se for de graça! Punk cobrando entrada!

No que eu rebati:

- Se tiver duro faz um rateio, não tem problema. E outra, o evento tem um custo para ser realizado, as bandas tem que tomar uma cerveja, ter uma ajuda de custo. E 10 da manhã eu já estava com equipamento na mao.

O moleque me responde com um “Problema seu!”e ficou acertado entre todos da organização que aquele não entra nem pagando dez vezes mais o valor da entrada. E diante do desaforo preferi virar as costas para não debulhar o prego na porrada. É por isso que algumas pessoas são boicotadas dos eventos – não sabem se comportar, não sabem engolir um não, não sabem conversar. Este tipo de gente costuma arrumar briga e fazer merda. E por causa das merdas que este tipo de gente faz que muita gente deixa de comparecer ao Cesar Bar, que em seus tempos áureos na frente da estação Itaim Paulista, seu endereço anterior, costumava lotar em todo evento. Mas as brigas, confusões e covardias foram se tornando frequentes e as pessoas, assim, se afastando. Parabéns, pregos! Voces estão conseguindo destruir o movimento punk! Já que vocês são tão punks, eu quero um dia sentar numa cadeira, com um chapeuzinho de burro e ter uma aula de anarquismo com vocês – aliás, vocês sabem escrever? Talvez eu esteja errado em querer um movimento punk mais pensante e menos briguento...

Mas, vamos para a parte boa, a motivação para que o evento acontecesse: As bandas!

Abrindo o evento, a Herdeiros do ódio mais uma vez fez uma ótima apresentação, comprovando o acerto da escolha do Guitarrista Gabriel, que se saiu muito bem neste show. As poucas pessoas ainda presentes agitaram bastante e permaneceram do começo ao fim, prestigiando a verdadeira Violencia Sonora que a banda descarrega em ritmo de Caos nos ouvidos dos ouvintes. Azar dos burros que acham que primeira banda é sempre ruim.

Em seguida, foi a vez da banda Raids. É uma banda que merece atenção ao som que faz, músicas próprias ótimas e bem executadas. Como o Punk Rock é muito amplo, algumas bandas se sobressaem e outras são meio que ofuscadas. Mas quem puder que procure conhecer o som da Raids, vale muito a pena! Um Punk/Hc com boas letras, empolgante e bem tocado, principalmente nas canções mais Punk rock, com nítida influencia do 77. E vários covers no repertório. Mas isto não tira o brilho das apresentações da banda, que tocou para um pouco mais de gente que o herdeiros, mas o povo ainda preferia ficar lá fora bebendo pinga com refrigerante e reclamar do valor da entrada.

Terceira banda da noite, Resto de Lixo, sempre leva um público fiel á suas apresentações. E estão cada vez melhores em suas apresentações, apesar de ser de lei um dos integrantes tocar bêbado. O bebum da vez foi o baixista Raphael, que, apesar da embriaguez não fez feio, enquanto acompanhava a banda em seu hardcore visceral e com cara própria, com os vocais semi guturais e únicos do vocalista Japa. O salao a essas horas já estava “Cheio”, com mais gente chegando. Muito bom.

Penúltima banda a se apresentar, o sexteto The Drunk, de mauá, Fez um show que superou todas as adversidades técnicas de aparelhagem. Não foi por questão de terem trazido uma caixa a mais para a guitarra, mas porque a banda é muito, muito boa mesmo! É um punk rock com dois vocais, pandeirinho acompanhando o ritmo, pegada forte, extremamente pogante. Brilharam no palco, viadamente dizendo. Pena que não tinha tanta gente vendo. Ás vezes, nome não é tudo numa banda, viu Punkaiada? Prestigiem todas as bandas de uma GIG!

Última banda oficial do flyer e da noite, Chegou a vez de deserdados. A portaria já liberada possibilitou que o salao ficasse realmente cheio, dos punks que juravam que não tinham dinheiro e dos moradores do entorno, que junto com os punks, se renderam ao pogo contagiante que é consequência da energia do som deste trio clássico do Punk rock, que apesar de ser uma banda “De nome”, é verdadeiramente Punk e não se faz de melhor que as outras, como muitas fazem por aí. Mesmo com a aparelhagem relativamente fraca, e com apenas dois litrões de cerveja como agrado (foi o que deu com a merreca que deu na portaria), eles deram o melhor de si e fizeram um show que o próprio baixista Celo classificou como Foda. Se ele mesmo disse, quem sou eu pra discordar? Parabens á banda pela postura, humildade e pelo som.

Em seguida, quando já estávamos desmontando as paradas, nossos amigos colombianos Ivan e “La rata”(KRH e Bob Rozz, da colombia), tomaram uma guitarra e peças de bateria emprestados do deserdados e fizeram um show improvisado da igualmente improvisada banda Infeccion necrotizante, com um D-beat crust. Mas aí já não tinha quase ninguém. E já eram 23:30 da noite, e o Cesar, dono do bar, pediu que se encerrasse o evento, portanto, não durou muito.

Saldo Final: Nenhuma briga ou confusão – Mas vários princípios de briga e confusão na roda, devidamente prevenidos, a maioria da vezes causados por gente que achava que estava no show do Biohazard pra entrar que nem cavalo na roda ao invés de pogar na boa. O que entrou na portaria serviu única e exclusivamente para pagar a cervejinha de lei das bandas – E tubaínas pro THE DRUNK, vê se pode hahaha- Todo mundo feliz, alegre contente e satisfeito. Tirando o stress com a molecada que se acha mas não se encontra e nem se coloca no seu lugar de eterno aprendiz, como todos nós somos, o evento foi perfeito. Só teve pouca gente, em comparação com o Pré-manifest anterior. Mas foi bacana saber que se não teve muita gente é porque tinham 4 gigs rolando ao mesmo tempo na região metropolitana. Isso mostra que o PUNK é FORTE e está cada vez maior. Vamos que vamos! ÊRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

GRITOS SUBURBANOS, BAR VILA NOVA – ITU/SP – 24/07/2011

O cara além de fazer auto-promoção ainda fica postando foto da banda dele, esse feio é um lixo mesmo... hahaha


Flyerrrrr do bailinho


E olha que tinha muito mais gente do lado de fora. Êra Buteco! Êra suburbio!




O interior de São Paulo me surpreende cada vez mais a cada gig que compareço ou toco. Sempre algo que sei que nunca verei na capital paulista acontece ali e faz o evento em si ser marcante, apesar da pouca importância e relevância que dão aos esforços de quem faz as coisas acontecerem fora da capital. Posso citar como incomparáveis coisas como a energia do público nos shows na região do Vale do Paraíba (neste ano meio carente de grandes eventos punks e consequentemente o público se dispersou), Festivais como o Expressão Marginal, realizado nas regiões de Sorocaba e Votorantim (especialmente a primeira edição, realizado numa chácara distantíssima da civilização, verdadeiramente no Meio do Mato), a galera que comparece no Plebe Bar em Indaiatuba, a receptividade dos Punks do Rio de Janeiro, O sacrifício dos Punks do sul de minas gerais em encarar horas de viagem em vans que partem de várias cidades para uma simples gig numa cidade “próxima” , ou nem tão próxima assim – tirando de exemplo o “logo ali” de mineiro que são quilômetros –, a grandeza do Festival Araraquara Punk, que lota um espaço enorme com shows de bandas só da região , enfim... Muitos exemplos de muitos locais em que passei em que o Punk é levado a sério e com todo o amor e esforços a que se tem direito, afinal, como se sabe, se na capital já é difícil manter um espaço para realização de gigs, imagine em locais onde não se tem muitas opções de lazer. Mas ontem, duas coisas em especial me surpreenderam: Uma de forma positiva e outra de forma negativa. Pra não matar mais esta postagem maçante e chata logo no começo, no decorrer da resenha será dito o que foram estas surpresas e minhas impressões. Mas agora senta, que lá vem história...

Em mais um fim de semana tipicamente mundrungo, estilo de vida que tento deixar ou ao menos moderar a intensidade, sem sucesso. Na anterior noite longa discotequei para poucos e bons amigos no Porão, em Itapevi, no Arraiá Punk ( o rolê mais gostoso – em termos de sabor - do ano, com direito a muito caldinho de feijão, caldo verde, quentão, vinho quente e outras guloseimas), que ainda contou com Gringo e Daniel do Sp Paranóia e o Ariel (que já foi citado neste blog umas 89784379479437934797932793774327493293 vezes) no revezamento das pick ups do Virtual DJ, devido a um pequeno problema que impediu em partes o funcionamento do som de vinil - mas os mesmos clássicos estavam no HD do computador . Como o porão é muito, mas muito, mas muito Longe do Itaim paulista e haja vista a hora em que saímos de lá, era inevitável o que já era de se esperar: Iria Virado pro rolezinho na simpática cidade em que tudo é grande – e a cerveja é barata!

Por volta das meio dia, os ocupantes da caótica van (Integrantes do Pé Sujus e do Herdeiros do Ódio e uns convidados especiais para ajudar a tornar a viagem mais glamourosa e cheia de requinte) se encontraram na catraca do metrô Jabaquara e antes de irem para a van abasteceram o estoque de entorpecentes líquidos legalizados e sofisticados que deixa bafo e ressaca no entreposto do conglomerado do Abílio Diniz logo ali ao lado localizado. Em pouco mais de uma hora de viagem, chega-se ao destino: ITU.

O evento, denominado Gritos Suburbanos, pela quantidade de bandas prometidas no flyer (11 no total), parecia até um evento de grande porte. Mas era o segundo evento de um garoto que está começando agora sua jornada de luta prática e no movimento Punk e da forma correta. E, assim como ele, já fiz a cagada de colocar um monte de banda num evento com quase nada de estrutura. Mas só se aprende errando. Não que o evento tenha sido um erro – aliás, foi uma excelente iniciativa de um garoto chamado Danilo, que toca na banda Sujos por Opçao e tem 14 anos (!!!), o que me surpreendeu e muito – afinal somente o conhecia pelo velho de guerra Orkut (que Deus o tenha em breve). Depois desta eu nunca mais vou me gabar de ter organizado o meu primeiro som com 16 anos e vou usar este garoto como referencia hehehe... O problema em colocar muitas bandas num evento totalmente faça- você –mesmo- e -que-tomara-que-os-outros-ajudem é justamente a imprevisibilidade de tudo que for necessário estar á disposição e da ajuda que lhe foi prometida ser cumprida, além de mínimos detalhes que parecem idiotas serem cruciais para a realização do evento (como ter tudo, menos um benjamin, uma tomada a mais ou um ridículo fusível de 2 amperes que poderia substituir um item igual queimado no único ampli de guitarra que tem para ser utilizado na gig num domingo a tarde, onde tudo está fechado e longe do alcance), acarretando assim em atrasos e consequentemente no tempo de apresentação de cada banda, que no final das contas nem todas gostam de colaborar em termos de redução de repertório. E quando achávamos que estávamos atrasados, chegando ás 15 horas (no flyer o início seria meio dia, e um esboço de horário foi enviado por mim ao Danilo uns dias antes para que começasse ás 14 hs com 40 minutos de palco para cada banda), vimos que ainda faltava coisas como Microfone, uma extensão a mais e ferragens de bateria. Tais problemas foram resolvidos em parte ás 16 horas, quando a primeira banda teve condições de iniciar sua apresentação.

Entre problemas, entraves, dificuldades e o ainda aprendizado do organizador, o evento seguia normalmente com a galera pogando e em grande quantidade. Mesinhas de venda de materiais faziam a festa de quem estava atrás daquele cd, ou daquele patch, camiseta, e por aí vai. Cerveja Guitts a 2 reais a garrafa (e reza a lenda que dependendo do buteco o litro da nova Schin é 2 reais) e muitas meninas bonitinhas, embora bem novinhas,assim como muitos meninos novos simbolizando a nova geração do Punk, e para vergonha dos velhotes que acham que não existe mais punk, eles que estavam ali fazendo toda aquela grandeza acontecer.

A primeira banda a tocar, Restos de aborto, de Tatuí, abriu o evento com seu repertório formado em sua maioria por covers e uma ou outra música própria, fazendo o minúsculo buteco ficar menor ainda em termos de espaço livre para circulação – estava tomado pela roda de pogo que ocupava cada milímetro do ambiente.A banda existe há 3 anos, tem uma demo de 3 musicas na praça e em entrevista-cobrança exclusiva de minha parte eles prometeram pro próximo ano um repertório só de musicas próprias – as 3 da demo, que ganhei, são ótimas.

E a empolgação do publico era tanta que não demorou para que o balcão de vidro do bar fosse logo quebrado pelo impacto da queda de pessoas que agitavam num espaço pequeno mas não via os limites do espaço. Nesta situação o dono do bar queria parar o som, mas pedi para que continuasse o som pois tinha muita banda que veio de longe e que bastaria algum tipo de barreira e pedir para que os punks pegassem mais leve no pogo – uma placa de madeira foi colocada em frente ao balcão e o som continuou, apesar das pessoas ainda agitarem como se não houvesse algo mais - e que agora poderia até machucar – perto da rodinha.

A segunda banda foi a Geraçao Ofensiva, com o novo baixista Josias. O repertório foi um pouco modificado, mas a banda está muito bem e o som redondinho, aproveito até para parabenizar o novo baixista pelo fato de mesmo ter pouco tempo de ensaio já está fazendo sua tarefa muito bem. As músicas do Geraçao estão na ponta da língua da galera da região, que cantava junto as musicas com a vocalista Ana, que se empolgou tanto que até cantou em cima do grande ampli de baixo em boa parte do show.

Terceira banda a tocar, a banda Condenados, do ABC paulista, já velha de cena e com nova formação (com destaque á vocalista Natália) mandou ver seu hardcore bem executado, curto e grosso, mas ainda que com um pé no freio. Já vi um show deles em Lorena em que as músicas estavam em uma velocidade que beirava o power violence, mas o som atual está mais pogante e com mais pegada. E o típico cenário do público dando os pulinhos de lado com os cotovelos para trás tomou conta do local.

A Quarta banda, Herdeiros do Ódio, também fazia apresentação de novo integrante: O guitarrista Biel (ou charada, ou Carioca), que toca também na Kokeluxi Aidética e já passou pela Cegos pelo Ódio. O show foi bem curto, mas as músicas do Herdeiros do ódio estão longe se ser coisa que passe dos três minutos, afinal é puro Hardcore pra sueco e finlandês ver e morrer de inveja: Brutal, tosco, rápido, energético e sob efeito de muita caninha 21 comprada no pao de açúcar do Jabaquara. O estreante se saiu muito bem em sua missão e a banda voltou a dar trabalho pro já esbagaçado balcão , com eu tentando ajudar a proteger o que restava do mesmo dando empurrões no povo que se aproximava de forma mais brusca do coitado do balcão. Coisas de Punk.

Quinta e última Banda, foi a vez da Pé Sujus. Última por que? Depois eu conto. Só o que tenho a dizer agora é que tocar em buteco de periferia é uma das melhores sensações que uma banda punk pode ter, tanto que muitas bandas que tinham tudo para ser atrações exclusivas de casas renomadas e de estrutura, como é o caso de muita banda “correria”e “suburbana” não abrem mão de estarem ali tete-a-tete com o público com um equipamento simples e num local mais simples ainda. Mas o show de ontem teve sabor especial, negativa e positivamente. Negativo pois o guitarrista Cesar anunciou que saiu da banda e seguirá no shows marcados, até setembro, e já tocamos sentindo a falta dele e ele já sentindo a falta de mais momentos como aquele com frequência em sua vida. Mas, positivo, e muito, era ver que ali tinha gente que estava ali para nos ver. Que sabia cantar nossas músicas e com vontade, até mesmo as não gravadas e que só estão em vídeo tosco no youtube com qualidade mais ou menos de áudio. Que agitava freneticamente e tomava o microfone para cantar junto, que me fazia ficar mais empolgado e pular mais alto, instigando o público a fazer o mesmo. Até o dono do bar, vendo eu ali a seco cantando me deu uma valiosa garrafinha de água e ainda disse que gostou do som... parece até coisa de banda iniciante que começa a ver que tá dando certo. Mas valorizar o subúrbio, os pequenos detalhes, e as coisinhas mais bestas nos fazem ficar eternamente com esta sensação, até mesmo pela impressão de dever cumprido ao ver tudo isso e ver que é culpa sua – não importa quantas vezes. Depois disso preciso descrever nossa apresentação?

Enquanto a sexta banda, o Antagonicos, ia preparando sua apresentação e montando os equipamentos, algo que me surpreendeu negativamente rolava na rua: Um quebra-pau. Quebra – pau é sempre assim: um grupo ou pessoa briga com outro grupo ou pessoa e vem mais gente defender um lado, que atrai gente para defender o outro, enquanto que vem gente pra separar e toma soco de um dos lados e passa a brigar pelo outro lado que por outro lado já não tem mais nada a ver com a confusão pois outros grupos se formam no calor da discussão e o que se vê é um monte de gente gritando, debatendo e se batendo. A motivação, segundo os punks da organização eram os “punks velhos”que foram levar uma com os novos guerreiros, mas daí já não se sabe quem deu o primeiro golpe ou se era isso mesmo. O que se sabe é que a força tática não demorou a aparecer, dispersando os brigões, enquadrando outros, fechando o bar e ostentando suas espingardas calibre 12, como se este tipo de arma fosse necessário para separar uma briga. E desta forma encerrou-se o evento, infelizmente.

Saldo Final: das 11 bandas, 5 tocaram, 2 não vieram (protesto e fúria e Misfits cover) e 4 não tocaram devido á confusão (além do Antagonicos, Psicultura, Sujos por Opçao e QQSA ). Um balcão de vidro estraçalhado. Um final trágico para um evento lindo que acontecia, que poderia ter sido muito feliz se não ocorresse tal coisa desnecessária que é a briga. É a isso que a violência leva: Á perda de espaços, ao avacalhamento da diversão alheia e a deturpação da luta e do fruto do esforço de quem dá o sangue para as coisas acontecerem. Me surpreendeu isto pelo fato de eu ter saído de são Paulo para fugir destas patifarias que costumam acontecer aqui e ver uma em dimensão maior do que muitas que já tiveram por aqui. Mas aí não é culpa da organização, nem do bar, como pensaria a polícia, mas de quem não tem respeito pela luta de quem faz as coisas acontecerem. Meus parabéns ao Danilo e aos Meninos do Sujos por opção, de todo o coração, pela iniciativa. Por mais que estivessem ausentes em momentos necessários e bem perdidinhos, isto serviu para aprender a planejar melhor as coisas e irem com calma, com pé no chão. Brigas, dependendo do local ou do humor de um idiota qualquer serão meio que rotina e é preciso ver ações para que se previna ou minimize os efeitos de uma briga. Mas Não desistam. O próximo vai ser maior e melhor!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

PRÉ-MANIFEST 7 - CIDADÃODO MUNDO, SÃO CAETANO DO SUL - 09/07/2011


Flyer do bereguedéu

Pé sujus, Lindos e maraviosos



Dizer que tenho orgulho de ser punk estava meio inviável nos últimos tempos... afinal, como todos que acompanham esse blog já sabem, vivemos uma época em que todo mundo é punk por simplesmente achar legal, curtir um “rolê”, mostrar um visual, não colocar sentido nenhum na sua vida como punk, apenas sendo uma fase de auto-afirmação de sua vida (sempre coincidindo com a adolescência, fase de afirmação natural e biológica do ser humano) e de 70% dos casos de forma efêmera: Uns desistem, outros viram skinheads fascistas, outros viram Punks fascistas, se integrando a grupos que, por mais que ostentem o “A na Bolinha” na sua indumentária, não fazem porra nenhuma pelo movimento punk, ficam “fiscalizando” quem você é, com quem você anda e se achando no direito de querer ferir alguém com faca, tiro, ou matar simplesmente porque não segue aos critérios do manual de instruções da quadrilha pseudo-punk, que já inclusive consolida chavões e bordões típicos para justificar o injustificável, coisas como: “Fulano é pilantra”, “Fulano é safado” ou “Fulano dá a mão pra careca”. Pilantra é quem te prejudica diretamente,geralmente os “pilantras” nunca nem chegaram a 10 metros de distancia do acusador; safado é quem gosta de sexo; e quem dá a mão pra careca é muito burro pois se for pra decepar alguma parte do corpo que ao menos venda.

Enfim, esse tipo de gente, que sempre fez, faz e fará merda, diversas vezes me inspirou a perguntar a mim mesmo: Que porra que eu tô fazendo aqui no movimento punk, tirando dinheiro do meu bolso, fazendo as esposas dos integrantes da minha banda brigar com os mesmos pela frequência de shows que desencadeia na falta de tempo para a família, carregando aparelhagem nas costas e escrevendo para este blog? Poucos frutos positivos consegui dando o sangue pelo movimento Punk, de resto só gente invejosa falando mal de mim, parasitas de porta de galeria querendo me matar, usando os jargões há pouco citados, prejuízos financeiros e até mesmo físicos, machucando-me várias vezes carregando o peso de amplis enormes e instrumentos em ônibus – quem me conhece sabe do que estou falando.

Porém, a melhor coisa que fiz em toda minha vida como Punk foi conhecer os Punks das antigas. Que construíram esta cena, e que ainda nos ajudam, mostrando como se faz um movimento perdurar por décadas apesar dos pesares. E não só conhecer, mas ser reconhecido por pessoas que já comeram o pão que o diabo amassou pra manter essa porra viva forma mais uma injeção de ânimo. E trabalhar junto com os velhotes jovens da cena me faz ver na prática que o que estive fazendo nestes quase 10 anos de dedicação ao Punk é a legítima continuação do que eles fizeram para construir isto. Para ser punk, além da atitude, do senso crítico e da coragem, tem que ter acima de tudo amor a tudo o que se faz, que gera maior dedicação e maiores resultados e sede de viver, se colocando em seu lugar e tratando apenas do que interessa – e a vida alheia, tão interessante para os pregos, não nos interessa.

E antes que me perguntem onde está a porra da resenha, termino este testemunho emocionado do poder de Deus em minha vida graças ao suor vendido pelo pastor Waldomiro Santiago dizendo que uma das melhores experiências de minha vida foi ingressar no Coletivo Brancaleone Punk Rockers. Um legítimo encontro de gerações que está botando a mão na massa para que o Punk siga vivo e resistindo culturalmente, que se valorize cada vez mais e que gere mais união entre quem leva o Punk a sério, a ponto do público dar feedbacks e congratulações a cada evento por nós realizado, tendo o mesmo a consciência que pagar entrada é importante para cobrir despesas e que um mal entendido se resolve em conversa (ou em sexo), e não em porrada, facada, paulada ou rolo de macarrão. E sentimo-nos honrados em ter realizado no último sábado o Melhor evento do ano em minha humilde opinião e na de várias que ali estiveram – Há quem acredite que os festivaizinhos do hangar feitos por quem não sabe o que é se fuder pelo punk há muito tempo só visando lucro ainda são o supra-sumo dos eventos Punk. E olha que o ManiFest é só em novembro. Mas este evento de sábado foi só um petisco do que será este festival. Show das bandas e do Público.

Lá vai eu virado de mais uma noite de pinga pura com os Punx colombianos aqui presentes (Que renderá uma postagem sobre as dificuldades e as gigs deles por aqui em breve) e com uns rockeiros de praça que são a companhia mais divertida da periferia abrir minha loja atrasado para fechar cedo. Era dia de Muito, mas MUITO trabalho pró pré-manifest 7. Grande expectativa do coletivo e do público, este evento tinha tudo pra dar certo. E Deu! Mas logo na chegada á estação de trem quase que troco o otimismo pela lei de Murphy: Saindo do torniquete da estação de Trem de São Caetano do Sul, dou de cara com uma reunião de Carecas, uns 20, e passo vazado. Estava sem visual e assim achava que ia adiantar algo. Eis que escuto algo como “É punk, é punk” e aperto o passo sem olhar pra trás. Mas percebo a presença de uns três em minha bota e olhando para trás não estavam muito longe. Eu, com um contrabaixo e uma pesada mochila mostrei pra eles que eu posso ser melhor atleta que eles e ganho a corrida, afinal a distancia favorecia minha dispersão e eles também desistiram logo ao entrarem em uma rua movimentada. Depois de tirar o coração da boca e o empurrar de volta ás minhas entranhas, chego ao Cidadão do Mundo já bem arrumadinho e limpo para dar os últimos retoques, como montagem do som, início da discotecagem que embalou os presentes enquanto as bandas não começavam , ajustes na mesa de som e pré-montagem do palco, que foi concluída pelo Babão (Lokaut), cara que entende do assunto infinitamente mais do que eu, analfabeto musical, mas assim insistente.

Enquanto isso, Mara, á paisana, ia na estação e via que a carecada continuava lá na porta da estação, bem na saída. Já se fazia clara a intenção do grupo: Espancar Punks sozinhos ou em pequenos grupos que fossem chegando ou, quiçá, invadir ou avacalhar o evento. Depois que saíram da estação, foram para um bar numa rua atrás do som. Mas não fizeram nada demais e foram embora. Sabiam da Grandeza do evento e que poderiam sim levar a pior se fizessem algo. Curioso que nenhuma viatura da polícia ou da Guarda civil circulava pelos arredores, isto facilitaria e muito a ação do grupo em caso deles conseguirem agredir ou até mesmo matar alguém. Não se soube de ninguém agredido por esse grupo, que talvez se apoiou na manifestação do 9 de julho promovida por grupos fascistas para depois rumarem para lá...

O tempo foi passando, o público chegando e nada das bandas... todas a bandas já sabiam de seu horário, das recomendações e responsabilidades. Mas a grande maioria decidiu chegar justamente em cima da hora de suas apresentações. Mas desta forma, todos os horários foram seguidos á risca e tudo rolou sob controle. O Tempo de palco para cada banda foi de 45 minutos e o tamanho do repertório de cada banda foi determinado pelas próprias: Quanto mais tempo arrumando as coisas, afinando, enfeitando ou simplesmente enrolando, menos tempo teriam para tocar. Mas em geral deu pra todas as bandas que tocaram Apresentarem seu trabalho de forma satisfatória.

Primeira banda a tocar, a Adios Girl abriu o evento em grande estilo, apesar de como sempre na primeira banda ter pouca gente presente. Banda relativamente nova, não tinha muitas músicas próprias e apostou bastante em covers bacanas de Subviventes, Ramones e Garotos Podres. O som é muito bem tocado e a Vocalista/Guitarrista canta muito bem, bela voz e bela Garota hehehe...

Em seguida foi a vez do The Beber’s Operário, de Paulínia, que mandou ver um som próprio de qualidade. Todos os integrantes da banda já são veteranos de cena, o que proporciona uma maior qualidade e maturidade no som da banda, um Punk Rock clássico e empolgante com refrões marcantes. A casa ainda não estava com um grande público mas as pessoas iam chegando aos poucos e engrossando a plateia do Bebers.

Terceira banda da noite, o Amnésia Coletiva, de Jacareí, Chegou exatamente bem na hora de tocar e o que vos esceve aqui doido da vida na pressa de coloca-los no palco. A casa já estava relativamente cheia e eles mandaram ver um repertório que enfim formou a primeira roda de pogo da noite, com a galera que veio da região do vale do paraíba e dos presentes do local que já possuem o Cd Split com o Pé Sujus, cantando as músicas e participando ativamente do som que foi muito bem tocado, uma energia imensa emanada do vocalista lecão ao público e ao restante da banda fizeram da apresentação do AC algo surpreendente até a quem não conhecia a banda.

Quarta banda a tocar, o 88 Não! Fez uma apresentação dentro do padrão de qualidade da banda: Uma música atrás da outra, direto e reto, com vez ou outra uma pausinha para conversar com o público, que pogava e cantava junto as músicas da banda e os covers de bandas como 2 minutos ou Attaque 77.

Depois veio a banda Lokaut, com a casa já absolutamente lotada fazendo um show que consolida cada vez mais a banda como uma das que serão definitivas para o futuro do Punk rock: Apesar de existir há bastante tempo, a banda só engrenou mesmo após seu retorno em 2009, fisgando um público fiel e conquistando mais admiração por onde passam, e o show de sábado foi a prova disso. Esperamos ansiosamente pelo lançamento do CD em fase de finalização!

Em seguida, veio... hehehe... Pé Sujus! Casa completamente cheia. Gente que veio ali para nos ver. Aparelhagem boa. E me achando pra caralho, na moral, Arrebentamos! Melhor show nosso em anos! 10 músicas apenas, mas o suficiente para ver a maravilhosa cena do público pogando, pulando, fazendo coro e participando. Fazia muito tempo que não sentia essa energia e participação do público em show nosso aqui na região de São Paulo. No final, fizemos questão de cumprimentar o público com aquele abracinho de fim de espetáculo. Um sincero agradecimento á estas pessoas que nos fazem continuar cada vez mais confiantes. E faço propaganda mesmo, porra!

Sétima banda a tocar, a banda Esgoto, em minha opinião a melhor do Brasil, já veio de outro show na região da Vila Brasilândia. Mas a energia do show deles era sim cada vez maior e melhor, pois fizeram uma das melhores performances da noite apesar do cansaço de já terem tocado há poucas horas atrás. E o público deu show mais uma vez, pogando na paz (tinha até desafeto meu que morre de vontade de estourar minha cara, conforme última ameaça, quietinho pogando ao meu lado) e ajudando nos backin vocals dos hinos eternos desta banda simplesmente foda! Punk rock sem frescura, Punk rock na veia!

Enquanto a cerveja tinha já acabado e o público começava a exterminar as bebidas fortes que tinham no bar enquanto o novo lote de cerveja não chegava, o Deserdados montava seus equipamentos para iniciar sua apresentação, enquanto o polivalente operador leigo de mesa de som, integrante de banda, integrante da organização, controlador chato de palco, pogueador e cachaceiro também fazia as vezes de DJ - aliás, isto em todos os intervalos de bandas. O show do deserdados foi bacana especialmente pois foram apresentadas várias músicas do terceiro CD da banda, projeto existente e comentado há anos e que espero que agora saia de vez. Neste meio tempo, com a saída do ex-batera Jamaica, a banda ficou um tempo parada e voltou ano passado com baterista novo e esta apresentação mostrou até mesmo certo amadurecimento na performance do novo batera, maior entrosamento da banda e recuperação da qualidade do som – quando um integrante sai, não adianta, não fica a mesma coisa, é preciso muito trabalho pra retomar o mesmo nível. O público participou ativamente, tão ativamente que chegou até a tomar microfone para cantar as músicas fora do tempo e inverter estrofes. Mas isso não é ruim não. É sinal de que o evento estava era cada vez melhor!

Nona banda, era a vez do DZK, uma das bandas mais aguardadas da noite, fazer sua apresentação que todos já sabiam como ia ser: Muito foda. O Baterista Makarrão estava mais bêbado que o convencional e o som rolou meio que de forma arrastada. Mas quem ligava pra isso? O pau comia no palco e no pogo e eu já derrotado no mezanino da mesa de som arriscava uns passinhos cansados enquanto dispersava o povo que ficava avacalhando na passagem da área de fumantes para a escada.

Décima banda a tocar e a melhor surpresa da noite, foi a hora do Avante! Dizer o que: Punk rock do bom, do melhor, do ótimo, do excelente, do “mara”, do caralho! Muito bem tocado, extremamente empolgante, banda entrosada e carismática no palco. Ganhou um fã. E vários outros também... A casa já não estava tão cheia assim (sempre tem os que vão só pra ver as bandas mais conhecidas), mas isto não tirou o brilho da apresentação desta banda.

Neste caso, faltariam duas bandas para tocar: Filhos da Desordem e Total Terror DK. Mas a banda Filhos da desordem não pôde comparecer e a banda Kob 82 foi escalada para substituí-los. Mas no dia do evento, o vocalista Tatu ficou doente e a Kob também não pôde tocar. E no caso do Total terror DK, havia show na mesma noite com o Dance of days, outra banda do vocalista Nenê Altro, e não conseguiram chegar a tempo em São caetano. Seria o fim? Não! A solução veio da colômbia, estava no som pogando e tinha nome: KRH.

Décima primeira e última banda da noite, o KRH pegou instrumentos e peças de bateria emprestados e descarregou seu Crust violento pra cima dos que ainda insistiam em estar ali assistindo ás bandas, uma apresentação de qualidade destes guerreiros do underground que mereceu todo o apoio dado por quem se dispôs a ajudar.

Eram então 3 e meia da manhã e assim encerravam-se as bandas. Mas não o evento! Prevenido com sempre trouxe meu equipamento de discotecagem de última geração (um netbook véio com virtual DJ) e fiz uma discotecagem com o melhor do Punk 77 que aos poucos foi formando uma grande roda. Uma solução de emergência que fechou o evento com chave de ouro. O público estava tão empolgado que, quando comecei a tocar coisas como samba rock ou Tim maia, continuavam dançando. Tive que parar o som e gritar para que o povo fosse embora para que pudéssemos fechar a casa. Mas ainda teve quem ficasse. Estes aí pegaram na vassoura, na pá de lixo, varreram o chão, recolheram latinhas enquanto eu fiquei com a ingrata missão do banheiro masculino, lutando bravamente contra um troço de merda grosso que boiava no vaso (quem cagou aquilo deve estar andando com as pernas abertas até agora) que não ia embora, pelo contrário, o vaso entupiu (tinha um balde de lixo do lado do vaso, mas tem gente que pensa que privada é lixeira), sem falar nos papéis higiênicos espalhados no banheiro. Mas, se estava bagunçado, é porque o evento foi sim de extrema Grandeza.

6 da manhã, enfim, após bem mais de 12 horas de punk rock e trabalho, pudemos rumar á nossas casas, esgotados, mas felizes e satisfeitos. Afinal, um evento que não deu prejuízo, local e aparelhagem devidamente pagos, incrivelmente nenhuma briga pelo que se saiba, todo mundo feliz, alegre satisfeito e bêbado. Que venha o Manifest! É dia 19 de novembro, hein pessoal!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

GRITOS DE REVOLTA, BAR DA LOIRA –JD. ELIZA MARIA, ZONA NORTE - 25/06/2011


Flyer da bagassa! E foto que é bom, nada...


Como já havia dito em alguma postagem anterior, o Jardim Eliza Maria é o templo Punk da zona norte. É o bairro que viu nascer e crescer a história da melhor banda do Brasil na minha opinião, a banda Esgoto. Banda que esteve á frente de eventos memoráveis como Caminhão do Tonhão (que virou até música da eterna banda Revoltados), onde bandas desengonçadas tocavam desengonçadamente na carroceria de um caminhão igualmente desengonçado, enquanto o povo fechava a rua pogando e assistindo as bandas e o bar do Zezé em frente faturava e garantia as cervejas pra galera. Havia também o Bar do Fubá, que por dois anos abrigou vários eventos que eram de lei entre 2005 e 2007, com presença maciça e garantida da galera que nos saudosos tempos de porta de galeria se juntavam na praça do correio e pegavam o busão pra subir este simpático morrão, o mais Punk do Brasil. Aliás, o bar do fubá era famoso também pelo caldinho de feijão que era o elixir da larica dos punks... por 1 real se provava desta iguaria em uma dose generosa de 200 ML e bem quentinho, podendo ser engrossado por farinha de mandioca e pimenta! Bons tempos e deu até água na boca só de lembrar.

Com tudo isso de importância, seria realmente uma mancada este bairro ficar de fora do mapa punk de São Paulo, certo? Pois bem, Após o fim do Bar do Fubá, ainda em 2007 o Chega Mais bar, numa rua paralela á Rua Manoel Aquilino dos Santos, a rua onde tudo acontece, recebeu uma gig com bandas do Rio de Janeiro. alguns meses depois,já em 2008, o bar da Loira (Que atende pelo nome de Daivan) teve sua estreia com inclusive um show da pé sujus. Ficou um tempinho sem rolar som, umm rockinho aqui, outro ali... Mas do fim do ano passado pra cá, foi decidido: O bar da Loira é a bola da vez no Eliza maria no que diz respeito ao Punk Rock. E, no ultimo sábado, foi minha vez de voltar no aconchegante buteco com o pé sujus após três anos. De fato, em dezembro passado já estava ali com a peça “Um minuto para o Caos”, mas nesta Gig que vou resenhar depois desta encheção de linguiça sem fim, teve um significado especialíssimo para estarmos ali tocando. Não só a singularidade do local, que conta com a participação não só dos que curtem um rock, mas dos vizinhos, das crianças, dos “Vileiros”, todos na mais perfeita harmonia e espírito de confraternização. Além de claro, ser a consolidação da amizade que tenho com a Banda Esgoto, uma relação de mais de 7 anos de parceria, um indo tocar na quebrada do outro e se encontrando pelas gigs, Uma amizade que posso sim chamar de Verdadeira e sem nenhum contratempo. Por mais que alguns pregos que querem minha cabeça declarem que o Eliza maria é “Pico deles”, É sempre um prazer estar ali. E ai deles se tentarem fazer algo ali. Como diria o ratos de porão, em épocas que eles ainda pisavam no que foi tema da música que vou citar, “Tudo acontece na periferia”.

Lá vai eu então encerrar o expediente de sábado da minha modesta loja aqui no meu idolatrado salve salve-se quem puder Itaim Paulista e aguardar o melhor horário para pegar o trem sentado na pracinha dos rockeiros e dos fashion-gays (Beijo meninos/meninas pois é sinal de modernidade – mas minha mãe não pode ficar sabendo), bebendo uma indispensável “Bolinha” (corotinho) de maçã quando uns amigos que há muito tempo não via chegaram por lá com mais pinga e sedentos por um rolê. Detalhe: eles eram da época do Bar do Fubá, do Caminhão do Tonhão... foi a deixa perfeita para que chamasse-os para o rolê. E proposta aceita, por volta das 20:30 fomos para a estação de trem aguardar pelo velho de guerra e fiel escudeiro de rockeiragem sabugo! Descemos na estação de Trem do Bairro do Ermelino Matarazzo para esperar o baixista Punkelo e outros punks que nos acompanhariam á este épico trajeto de mais de três horas. O desgraçado atrasa em 40 minutos, mas enfim chega e rumamos ao Brás, onde o Guitarrista Cesar também fez o favor de atrasar. Mas o que importa era que o trajeto estava andando, devagar mas indo, regado á muita catuaba selvagem e 51 com coca cola, evocando o espírito moralista do Brasileiro, da senhora que pergunta onde vai parar nossa juventude, mas teve um filho sem pai conhecido aos 16 anos e fuma 3 maços de cigarro por dia e ainda despreza os mendigos os chamando de cracudos, e do Senhor distinto e de respeito que jura que tomar um goró na juventude é coisa de quem não tem o que fazer e acha que deveríamos pegar na enxada, enquanto ele olha babando pra bunda da Morena que está de pé próximo ao seu rosto.

Após chegar em Santana e pegar o ônibus em direção ao som, mais uma viagem longa nos esperava. Mas milagrosamente o trajeto foi curto, o ônibus foi rápido e o trânsito não estava carregado. Nesse Ínterim, o Baterista Chu me ligava de 5 em 5 minutos repetindo o mantra do Burro do Shrek: “Tá chegando?”, “Ta chegando?”

Descemos no ponto do Eliza Maria e ainda caminhamos uns 10 minutos até chegar no bar pelas ruas sobe e desce, estreitas e com visão panorâmica (uma linda visão de São Paulo á noite é proporcionada dali), eis que quando chegamos no buteco, o chu já se encontrava sentado na bateria. Sim, era nossa vez! Os cumprimentos aos presentes conhecidos seria dado diretamente no microfone. E recebo a terrível notícia: Odio Social já tinha tocado. Perdi. Meeeeeerda!

Ajusta aqui, pede o baixo emprestado dali, e prontamente começamos nosso repertório do Pé Sujus: A mesma coisa de sempre, as mesmas músicas, só que com um toque a mais de peso e agressividade. Afinal, ironizando umas pessoas presentes que pra eu ficar sabendo o que falam de mim tenho que ouvir dos outros, “Somos safados. Somos safados pois gostamos de sexo”. E modéstia a parte levamos o buteco abaixo! Uma galera empolgada e interessada não só no Pé sujus mas em todas as bandas agitava e cantava sem parar. Uma ótima apresentação regada á cerveja geladinha – gentileza dos irmãozinhos da banda esgoto.

Em seguida, a banda Jhaspion assume a vez de fazer barulho e isso fizeram mais uma vez muito bem. No início a galera não estava muito empolgada para interagir com a banda, talvez por não conhecer a banda. Mas o repertório foi avançando e no final uma grande roda de pogo era ditada pela banda que descarregava ali seu crossover do diabo pra cima daquelas cabecinhas endiabradas de moicano erguido com sabão, jaqueta com rebite enferrujado e patchs feitos a mão.

Terceira banda a tocar, mais uma vez de novo novamente again, Invasores de Cérebros! (O blog terá que presentear esse véinho punk,ops, Ariel, pelo número de participações em posts nesta budega. E como não poderia deixar de ser, fizeram uma ótima apresentação, oportunidade de ver de graça um dos grandes clássicos do Punk Nacional, e que diferente de muita banda “antiga” e “de nome”, não negam a raiz e tocam mesmo na periferia sem dó e sem encheção de saco de aparelhagem valvulada e toalhas brancas no camarim. Esta sim, uma verdadeira banda punk que é sempre presente neste blog por sempre estar fazendo parte dos melhores momentos do Punk rock nesta cidade.

Quarta e última banda, a esgoto mandou ver um extenso repertório de mais de uma hora, aproveitando que ainda tinha muitíssimo chão até os ônibus começarem a rodar. E cada hino que era tocado (esgoto não tem musicas, tem hinos!) eu me empolgava mais. Era meio que um backing vocal em off da banda, toda hora indo pentelhar no microfone do baixista neno. É uma banda que me orgulho pela simplicidade, crueza e letras ótimas, além da atitude ser de cada vez mais humildade em cada ano que passa, e olha que já são 23 anos de luta! Fez o povo pogar, cantar, participar e beber (“circulação alcoólica, um dos seus clássicos, instiga nosso cérebro a procurar por uma cachacinha para ilustrar nossas balbuciações de acompanhamento da letra). Simplesmente sensacional!

Saldo Final: A banda insight (cover do Dead Kennedys) não compareceu. Uma pena. Não teve briga, só um principio de discussão motivado por um punk ter lavado as mãos no banheiro com a porta aberta(!) e ter desagradado os locais. O problema é que o punk ao invés de só pedir desculpas pelo “ocorrido” resolveu estufar o peito e esquecer onde estava pisando, com o argumento de não “baixar a cabeça pra ninguém”. Sorte que tão besta começou a discussão, tão rápido acabou a mesma. E o evento teve apoio do projeto “Estudio Garagem”, projeto vencedor do VAI na região. Descolaram uma verba para investir em cultura na região, podendo os locais contarem com vários shows com a aparelhagem comprada com o incentivo em vários locais da região em breve, além de uma coletânea das bandas locais apresentando seu trabalho para o mundo. Finalmente o Punk conseguiu arrancar um pouco de dinheiro desses malditos donos do poder. Aliás, pensando bem, esse dinheiro é NOSSO! Vem dos nossos impostos, e esta iniciativa não é mais que obrigação da prefeitura, que deveria sim expandir cada vez mais e mais. É uma forma do povo se organizar e ele mesmo fazer cultura com a cara dele, do jeito que ele gosta. Parabéns á Tatiana, que encabeça o projeto e fará muita coisa legal. Além disso, não satisfeita, Ela ainda toca na Banda Útero Punk e tem um programa na rádio Cantareira FM, o “Mina Rock”, aos sábados das 16 ás 18 hs (quem é da região pode dar uma prestigiada no programa, ao vivo). São pessoas assim que ajudam a fortalecer cada vez mais a cena.

Só nos restou então puxar o carro e subir a ladeira em direção ao ponto de ônibus mais temido pelas empresas de ônibus, aos domingos de manhã: Aquele ponto cheio de punks, no qual 3 pagam e 27 passam por baixo. Tradição desde 2005, nas voltas do Bar do Fubá. Coisas de punk...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Rock de Pobre, Galpão Estudio, Ferraz de Vasconcelos - 19/06/2011


Flyer do evento! se eu achar que devo, coloco as fotos depois...


E lá vou eu naquele tipo de resenha de “Olha o que eu fiz pela cena, pessoal”. Mais um evento organizado por mim totalmente sozinho (aqui no Itaim temos vários candidatos a punk no alto dos seus 15 anos que me serão muito úteis neste sentido – Começarão no punk do jeito certo), onde eu respondo pelos horários das bandas, pelos defeitos de guitarras alheias, pelos cabos para emprestar que eu não tenho, pelo microfone que não funciona que não é meu, pelas brigas que ocorrem que eu não tenho nada haver – mas se dá merda a culpa é minha – e ultimamente cuidando da porta e botando ordem na bagassa. Sim, o Feio bonzinho que todo mundo conhece e gosta nesta gig deu lugar á um cara chato, sisudo e rígido. Muita gente torceu o nariz. Mas deu resultado. O evento foi maravilhoso!

Por volta das 13 hs saio de casa aqui no Itaim e como parte do programa de tentativa de emagrecimento patrocinado pelas empresas de ônibus, que metem a tarifa nas alturas deixando o acesso ao transporte cada vez mais distante de nossa realidade, saio rumo ao centro de Ferraz de Vasconcelos a pé, Haja vista que moro na divisa de São Paulo (moro exatamente no mais remoto e encravado pelo do cú desta cidade imensa) com Ferraz, então foram 45 minutos de sobe e desce nos morros em forma de avenida até chegar ao destino final: O Galpão Studio ou Studio Galpão (não sei a ordem, então chamarei de Galpão apenas). Com um pouco de suor no rosto, começo a já ajeitar os últimos detalhes para o bom andamento do evento, que não me deu muito trabalho na parte braçal de carregar equipamentos, pois ali pago aluguel e em troca tenho o segundo espaço mais bacana da ZL (só perde pro Cesar Bar) amparado por uma aparelhagem completa. O esforço foi psicológico e por várias razões – Daí a minha cara de mau com muita maldade de fato dentro de mim naquela tarde ensolarada de domingo.

O tempo passava e nada das bandas chegarem... Todas bandas foram avisadas de seus horários por mensagens, e-mails e scraps e estavam cientes da colaboração de cada uma para o bom andamento do evento. Massss... tem aquela coisa de não querer chegar cedo pois ninguém quer ser primeira banda. Com exceção do povo que veio de longe (Talvez culpa do trem? ou dos atrasildos da turma? hahaha), demais bandas da região também fizeram o favor de atrasar (será culpa do trem também?), fazendo o evento começar pouco depois das 17 horas. Não muito atrás, o público também esperou o sol baixar ou os jogos do Brasileirão acabarem para comparecer ao evento. E eu doido da vida, até que os garotos da Primeira banda, Cocô di pombo, surgiam no horizonte e prontamente foram alocados ao palco para a passagem de som, pouco antes das 17 horas. Passaram o som e foram avisados do horário de inicio de seu repertório, ás 17:15, começando a tocar com 10 minutos de atraso e com mais 5 bandas na frente, com gente vindo de longe querendo tocar e sair fora.

Além disso, o público, acostumado a pagar entrada (ou não) e não assistir aos shows, teve uma surpresa na nova regra da casa: Entrou, Não sai mais. Se quisesse Fumar, tinha um cercadinho ali na frente. Se quisesse beber, que bebesse dentro do som. Mas tem aquela cultura do bar do lado (que, lembrando, NUNCA vai abrir espaço pra uma gig) ser mais prestigiado que o pico que a gig está rolando, ou do mercado próximo que disponibiliza em garrafas o que é “caro” para os avacalhadores de plantão. Goró de mercado, até eu tomo. Mas querer entrar com goró de fora no som já é abuso demais! Quando nego avançava com garrafas pra dentro do Galpão, eu e o Waldemar, el patrón del galpón, prontamente retirávamos o litro de suas mãos. Quer beber: beba do lado de fora e depois entre. Mas tinha gente que foi além: comprou até mais do que conseguiria beber e quando viu que era hora de entrar no show não tinha como por causa dos gorós. O jeito foi deixar sob nossa custódia até a hora que se fosse embora. Sim, estávamos muito chatos! E o pessoal reclamou muito, fechou muito a cara, me chamou de “desumilde”. Mas, porra, façamos uma comparação para ver que o próprio Suburbano não dá valor ao subúbrbio:

Hangar 110: Cerveja a 5 reais a lata; No mínimo 15 reais pra entrar; entrou, não sai mais, só pra fumar no cercadinho reservado aos fumantes. Alguém reclama? não! Alguém questiona? Não! Alguém critica? não! Por que? Porque é o hangar!

Galpão, Cesar Bar ou qualquer bar do subúrbio: Cerveja 2,50 (skol 250 ml long neck - Galpão) – No cesar bar o Litrão da Brahma tá 6 reais e o da nova schin tá 4,50); Entrou, não sai mais a partir de agora. Alguém reclama? Sim! Algiém questiona? sim! Alguém Critica? Sim! Por que? porque é na quebrada... tem que ser barato, tem que ser bagunçado, não pode ter regra. É punk né? Tem que ser malfeito, tem que ser uma merda, todo mundo tem que avacalhar geral e arrumar briga e não prestigiar o local que rola o som – meu deus, estou ferindo a liberdade! E agora, o que vou fazer com as críticas dos que não tem nada na cabeça, apenas álcool?. Se fosse que nem o hangar todo mundo ficava de boa. Todo mundo bate no peito que é punk do subúrbio, mas no final ninguém dá o mínimo valor para os picos do suburbio. E saem reclamando depois que não tem nada nos botecos das redondezas. E como se quem cobra bilheteria não tivesse custos de produzir um evento, dar uma cerveja pras bandas, pagar aluguel do local. Vai lá no mercado que o goró é mais barato e pede pra organizar um som...

Agora que desabafei, vamos para as bandas, que apesar dos atrasos, fizeram este evento ser brilhante com ajuda do publico que apesar de boa parte insistir que o bar que o evento rola tem que engolir goró que naõ é dali, colaborou para que rolasse tudo na paz. A banda de abertura, como citada, foi a Cocô di Pombo, de Poá/Itaquá. E estes meninos estão cada vez melhores em suas apresentações ao vivo, com mais músicas próprias, tocando menos covers e letras mais elaboradas e inteligentes. Só eles continuarem assim e começarem a fazer investimento e correria bruta que eles podem se consolidar de vez na cena como mais uma grande banda representativa da zona leste! Apesar de que, não tinha muita gente assistindo ao show dos meninos, como ocorre com qualquer banda que toca primeiro nesta região metropolitana em que ninguém valoriza nada e não dá apoio pras bandas que não tem “nome”.

Segunda banda a tocar, a ódio social fez um ótimo show (coisa de banda ótima), apesar de alguns problemas com a aparelhagem que os fizeram parar algumas vezes, mas quando tava tudo OK ninguém segurou a energia desta banda que empolgou os ainda poucos amantes de barulho presentes no Galpão.

Em seguida, veio a banda caçula da noite, casual murder, com poucos meses de atividade. Formada Por Thiaguinho (voz) e Guilherme(baixo),ex-integrantes do Drullis; D-spair , mais o Raul da Kob 82(guitarra - e também agora do street rockers ) e Alexandre na Bateria, eles fazem um som bagaceira como era de se imaginar, haja vista as influencias Bagaceirísticas dos integrantes. Pra uma banda novíssima estão indo muito bem, com musicas bem executadas e bastante som próprio. Como estava na porta pouco pude ver do show, mas ouvi tudo, enquanto o povo adentrava em maior numero ao recinto (terminando de enxugar seus gorós de fora)

Quarta banda da noite, O Lokaut, Dispensa apresentações... Sabe-se que o salão ficou “cheio” (a hora em que mais pessoas ficaram dentro do local) e todo mundo pogando e cantando junto as músicas da banda que prepara um CD. Um contratempo fez o show parar um pouco (uma caixa de guitarra que pifou), mas depois voltou e prosseguiu o estrago que eles iniciaram com a plateia enlouquecida que não parava de pogar. E, como já virou costume da parte deles, encerraram com “Leva pra 40” chamando eu mais uma vez pra fazer a participação nessa musica que fez a punkaiada competir quem pulava mais alto.

Penultima banda a se apresentar, a Jhaspion fez um show atípico. Afinal o baterista Wagner não compareceu e tiveram que se virar colocando o Baixista André na Bateria. Mas como o cara toca muito bem, não fizeram feio! Tocaram um repertório quase completo, que, mesmo sem baixo, empolgou a galera presente. Uma prova que conhecendo bem as musicas e sabendo improvisar, as dificuldades são contornadas com maestria e se transformam em motivações para que se melhore cada vez mais a performance da banda.

E, encerrando a noite... Pé Sujus! Quase 9 da noite, mas o povo não arredava o pé dali. Só os que não aguentaram a saudade dos seus gorós confiscados e decidiram deixar as bandas de lado para ir pro olho da rua abraçarem suas garrafas lindas e gostosas. Fizemos um show bem empolgado, para uma plateia que realmente estava ali para curtir e prestigiar o evento, que pogou do começo ao fim. Tocamos pela primeira vez “Área de risco”, que apesar de presente em nosso CD mais recente, nunca tinha sido executada ao vivo, assim como encerramos o som com um cover improvisado e desastroso de adicts. Mas quem liga?O evento estava encerrado e tava todo mundo bêbado mesmo...

Saldo Final: nenhuma briga, todo mundo curtindo na paz, Punks e Skins antifascistas convivendo pacificamente, mostrando que sectarismo é coisa de quem não respeita nem ao próprio grupinho fechado. Não tomei prejuízo, consegui trincar com o aluguel tranquilamente e dar uma multa ainda no Galpão em algumas cervejas gentilmente conseguidas através de coação do bem hahaha. O único porém é que eu tomei um fora de uma garota. Mas fazer o que, a culpa é minha... Quem mandou eu ser feio e quase gordo?

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A VELHA ESCOLA DO PUNK ROCK – CIDADÃO DO MUNDO, SÃO CAETANO , 11/06/2011

Luiz Ratinho! Arrebentou na discotecagem!
Ariel mandando bala na Classiqueira!
isso ainda não é pro meu bico mas um dia eu chego lá!
Povo pogando e eu com cara de Cu
Só a juventude mais provida de idade relembrando os velhos tempos! (o Rafael tem 26, é véio também)
Flyer da bagassa!



A noite do dia 11 de Junho de 2011, geladíssima e em semana de pagamento, foi dos Punks de “cabeça branca” ou cabeça “pelada” pela calvície, mas que um dia foram cabelos curtos ou moicanos. Barrigas maiores que já foram magras,que faziam parte do corpo franzino que era o corpo de muitos jovens punks. Rugas e sinais do tempo nas “Senhoras Punks”, que já foram meninas cheias de maquiagem no rosto e cabelo “Joãozinho” que era comum no início dos anos 1980. Pick Ups Technics e iluminação modernosa com efeitos multicoloridos, 2 strobos portentes, um mixer enorme da behringher, no lugar de sons de fita e salões escuros ou de iluminação rudimentar. 30 anos depois as coisas mudaram... mas o Punk Não! As mesmas pessoas, os mesmos discos, o mesmo êxtase em cada música que se iniciava... era isso que se via neste evento que Pela qualidade que teve marcou época. Eu, no alto dos meus 23 anos pude presenciar com um pouco mais de tecnologia no processo o que era um legítimo “Som de fita”, tão popular no início do movimento Punk e lamentar porque esta prática se perdeu com o tempo (Organizo uns sons de Notebook por aí, a evolução da fita... mas a geração atual é muito apática pra essas coisas e dá um certo desanimo). Pude interagir com os Punk Véio, tanto em conversas e cervejas, como fazendo parte da organização e do comando da iluminação. Uma noite memorável, sem sombra de dúvida. Mas que pra nós, da Brancaleone começou quando o sol ainda estava decidindo se dava uma esquentadinha em nossas cabeças na tarde daquele sábado...

Cheguei ao local, acompanhado pelo parceiro de maloqueiragem Rafael (que fazia parte da outra banda que eu fazia vocal, “Os mundrungos” ) por volta das 18:30, afinal estava aqui na lojinha trabalhando. Mas a Mara, provando porque quem constrói as coisas úteis no Rolê não deve parar nunca, estava por lá desde o início da tarde já correndo atrás das paradas. Correria que se estendeu até mesmo depois da hora em que chegamos: Sobrou até pro Rafael, que, Apresentado á mara foi apresentado á vassoura e ao local onde a mesma deveria ser utilizada. E eu, apresentado á mesa de luz e de som, tão complexos que até esse asno aqui que escreve aprender a mexer naqueles trecos foi treta. Mas eu teria que aprender senão não iria ser tão legal como foi. Bendito do técnico da casa que me deu umas dicas. Mas tive que me virar sozinho varias vezes até acertar o ponto certo das coisas (a mesa de luz era moleza, mas o que era aquela mesa de som, meu Deus?).

Por volta das 20 hs chegam as parafernálias dos Djs: Pick Ups, Mixer, Pré-amps, CDJs, sequenciais, Strobo, e os suportes para aquelas coisas todas se apoiarem e pendurarem para funcionar. Chega também o super DJ Luiz Ratinho, que ao lado do (olha ele de novo) Ariel comandaram esta noite compartilhando com nossos ouvidos o som de seus vinis raríssimos e de valor inestimável. Montada toda a aparelhagem, os últimos corres foram feitos, como buscar os perdidos na estação e sair pra trocar dinheiro nos guichês da rodoviária ali próxima e botecos quase fechando para garantir troco para o bar. E por falar em Bar, o mesmo foi comandado pela Bar Bar’Oz, empresa especializada em bar e bartenders, garantindo ao evento uma grande gama de opções de drinks ou Cachaças Violentas, a gosto e bolso do freguês, ainda sim que o preço das bebidas estavam ótimos e justíssimos, tendo como resultado rápido a visão do primeiro bodiado que se abrigou dormindo de bêbado no canto do salão por volta das 22:30, quando tudo ainda estava começando...

Os velhos amigos ao se reencontrarem dão fortes abraços cheios de saudades, do tempo que não tinham as mesmas responsabilidades e compromissos e tinham a idade de curtir a juventude e se viam praticamente todo fim de semana. O DJ Ratinho, do lado de fora do salão após observar a rua do evento, vendo que eu estava perto, direciona a palavra a mim e relata que Nunca pensou que estaria tocando em São Caetano. Afinal, no começo de tudo (ele já era DJ), tinha aquela velha briga do pessoal de São Paulo com o pessoal do ABC. Mas naquela noite o que se via era a mais completa paz, clima amigável e os Punks do ABC estavam presentes... mas só que a galera da nova geração em sua maioria.

Pudemos considerar que a festa começou por volta das 21:30, neste horário descrito já tinha som rolando e gente pogando. Mas como todo evento que vira a noite que se preze, depois das 23 horas que a galera começou a chegar em peso e o chicote estralou. E eu lá, sóbrio, serrando cerveja de quem passava por mim, na mesinha de som dando as cores do palco. Neste meio tempo o Rafael levanta do seu sono no quartinho restrito(afinal, protagonizamos na noite anterior um porre homérico com bilhar e videokê no cesar bar – eu fui pra casa, ele não, e foi viradão) e teve curiosidade de aprender a mexer na mesinha de luz. Ensinei-o, isto possibilitou o revezamento de pogo dos dois “operadores” de iluminação no lugar certo: a pista, que fervia ao som caloroso dos vinis raros dos dois DJS. Coisas que a gente pôde ouvir como The members, Penetration, Chron Gen, Interterror, New York dolls, MC5, stooges, entre muitas coisas que eu não sabia o nome e acho que nem vou saber. Afinal é tanta coisa, tanta banda, tanto artista, tanta raridade... isto mostra a amplitude e a Grandeza do Punk, que enquanto a imprensa decretava sua morte, estava apenas num embrião que hoje é algo cada vez mais forte apesar dos pesares (ao menos culturalmente). Ver senhores e senhoras pra lá dos seus 50 anos pulando freneticamente com latinhas de cerveja na mão cantando junto os refrões dos clássicos do punk rock me fez vir á mente aquelas cenas de documentários sobre o inicio do punk no brasil, em que alguns deles eram bem novinhos.

Eis que ratinho ergue com orgulho o seu maior troféu e objeto de desejo de todo punk há mais de 30 anos: Seu disco do Sppedtwins! Retira a bolacha com total cuidado da quase intacta capa e coloca sobre uma das duas Pick ups... “My generation” começa a rolar e a casa vai abaixo! Tão raro e valioso (Muito, muito, muito, muito difícil de encontrar e o dobro desse tanto de muito em se tratando de caro) e tão poderoso, este vinil rolando foi o ponto alto da festa. A pista não poderia estar lotada como antes (quando tocava músicas do Punk 77 que até minha vó conhecia), mas quem estava ali pogava enlouquecidamente! Um lado completo do disco fez a alegria da galera. Como meu blog não é de blá blá blá musical, vai na porra do google e procura saber sobre a importância desse disco do Speedtwins e você entenderá o que eu estou falando.

A noite foi avançando e o pessoal cansando... Uns iam embora, outros encostavam, mas a festa rolou até ás 5 da manhã – com o som – com direito á extensão de trocas de ideias até ás 6 e meia da manhã. E quem arredou o pé foi mesmo a galera nova (eu mesmo 5 e meia da manhã já saí correndo). Isto prova que Punk um dia, Punk até morrer! E que os sons de “fita” tem mais é que voltar! Não é a mesma coisa do que som de bandas, mas também faz parte de nossa cultura! Afinal são festas para descontrair mesmo, confraternizarmos, dançarmos e conhecermos mais bandas. Eu como DJ (quer dizer, no meu caso, cara que tem uns cds e um computador e faz uma macumbinha no virtual DJ pra parecer que o negócio é uma pick up) posso dizer isso que não há nada mais gratificante para um DJ do que estar conduzindo um momento de alegria e êxtase de várias pessoas, além do prazer em responder a dúvida do ouvinte sobre qual artista que está rolando. Esta pessoa que pergunta pesquisa mais sobre tal artista e procura outros do mesmo estilo e quem sabe um dia não vira DJ também?Certamente Ratinho e Ariel se sentiram assim.

Saldo final: Evento perfeito, só entre amigos e som de qualidade. Briga teve uma, mas do lado de fora e de... Namorados. Aí já saiu do campo Punk, afinal, em briga de marido e mulher ninguém mete a colher.

Verdurada – 05/06/2011 – Ego Club, centro de São Paulo

Flyer do evento! Os caras capricham até nisso!


E lá vou eu aproveitando que me sobra tempo em abundancia para atualizar essa budega cada vez mais e com mais frequência! É bom que os que reclamavam que não tinha postagem nova havia meses agora deparam-se com três postagens enormes numa mesma semana. Não sei se conseguirei manter este ritmo, mas adote a Inconstância como critério temporal de postagens neste blog. Só que a partir de agora o que importa de verdade é dizer que a Verdurada, evento Importantíssimo na cena Punk/hardcore/Vegan/Straight Edge/Libertário/político/Risca Faca Ganha uma resenha nesse blog.

Ok, quem me conhece muito bem sabe que fui açougueiro por 10 anos e voltarei a sê-lo se necessário, e sou um grande entusiasta Da Fundação Meavels (a maior no mundo todo explicitamente pró-carne). Adoro um bom churrasco, uma boa carne e qualquer coisa que não diga aiai quando eu mordo e estou no meu direito de defender o consumo da carne, pois é o mesmo direito que tem os que pregam o boicote ao consumo da carne. Lógico que dentro do contexto straight edge, que inicialmente era apenas algo relativo a ser Livre de Drogas – o X era desenhado na mão de menores de idade em shows hardcore na década de 1980, para identificar as pessoas que não poderiam consumir bebidas alcoólicas, e o X da questão (e da mão) foi adotado espontaneamente por pessoas que não faziam questão nenhuma de ingerir álcool ou drogas e sim, iniciar uma nova era de conscientização contra estes males, o alicerce do movimento straigh edge – A defesa aos direitos dos animais, (principalmente á vida dos mesmos, que engloba o combate á matança e maus tratos sem falar da exploração que muitos deles sofrem) se tornou característica bem evidente desta vertente bastante atuante no cenário Hardcore mundial. Eu comer carne e o evento pregar o contrário do que eu penso em relação á isso não me impediu de comparecer á verdurada, afinal o que importava mesmo era ver as bandas (menos o cólera), rever os amigos, comer as iguarias veganas (que substituem bem a alimentação com carne, pra quem é adepto) e tomar mupy, coisa que não fazia desde quando eu era pequeno e comprava da tiazinha do carrinho do Yakult que também vendia esse negosso bão pa caraio).

Pouco depois das 17 hs chego ao recinto, o ego club, bordel desativado que abriga inesquecíveis esbórnias hard rock regadas a putaria no dark room e open bar quase a noite toda, ao som de bandas covers de Hard Rock farofa, com muito menino vestido de Sebastian bach ou Axl Rose e muita menina cheia de cachaça na cabeça agarrando quem vem pela frente – E você acha que não perco a oportunidade de vez em quando? hahaha. Logo na entrada percebia-se a mobilização dos Straight edges, Muito bem organizada, para que o evento role bem – E em som punk a mobilização é pra pegar de porrada um suposto pilatntra de acordo com os critérios de uma banca de panacas – Com pessoas se revezando na bilheteria, na colocação das pulseiras que possibilitavam entrar e sair do local, no “Bar” (aliás, lanchonete)... Todo mundo colaborando com todo mundo, talvez esta seja a fórmula do sucesso de cada edição do evento que já é tradicional na cena e sempre, sempre, sempre lota de pessoas que em toda edição tem a certeza de uma boa organização. O horário das bandas estava afixado logo na entrada e começava sempre conforme o combinado, além dos avisos “Sem álcool e sem cigarros por favor” e uma desnecessária placa de “Vai Corinthians” que além de feia não surtiu efeito pois o Corinthians apenas empatava naquela tarde com o Flamengo em 1 a 1. Mas vamos ao que interessa, as bandas!

A primeira Banda foi a The Pushmongos, banda relativamente nova mas que já está fazendo seu estrago na cena com um som forte, empolgante e bem tocado. Não acompanhei a apresentação por completo mas o pouco que vi foi suficiente pra eu tirar essas conclusões. Não sei se eles tem algo gravado mas pode procurar, se tiver algo gravado pare pra ouvir que é bem bacana.

Na sequencia veio a banda Ralph macchio com um hardcore porrada! Um tímido moshpit se formava no salão lotado do ego club, ao som bem tocado da banda que empolgava os presentes e com uma sacada bem legal de colocar uma fala de filme entre uma música e outra (Seriam os filmes do tal do Ralph Macchio?)

Terceira Banda a se apresentar, a Positive youth, que já conta com um público fiel dentro do cenário Straight Edge e também no cenário Hardcore em geral, mostrou o porque é uma das mais importantes de tal cena. O moshpit ficava cada vez maior e a movimentação da banda no palco era um show a parte, com os integrantes (principalmente o vocalista) de um lado e pro outro, esbanjando vitalidade (por um lado não beber tem um ponto positivo hahaha).

Abduzido por amigos, fui dar aquela saidinha pro lado de fora do salão perto do fim da terceira banda, e não me deparo com um show surpresa de uma banda de Bagaceira ao Extremo? Uma espécie de Grindcore que tinha até umas passagens de Death Metal. Sim, na calçada do outro lado da rua, fazendo surgir um grande bolo de gente para assistir ao show da Dupla (Um batera e o insano Guitarrista e Vocalista), que gostaria de saber o nome, pois em minha opinião foi a melhor banda da tarde! Dias depois fico sabendo que se tratava da banda Test, que costuma "Participar" e "Abrir" vários eventos importantes, mas do Jeito Deles: Encostando a kombi na calçada e mandando ver. Por mais que boas bandas estivessem tocando lá dentro, só esta corajosa intervenção musical já valeu pelo rolê todo! Infelizmente, como a rua é de todos e temos o direito de ir e vir e livre arbítrio garantido pelo nosso senhor Jesus Cristo, a apresentação terminou com a chegada de policiais segurando espingardas calibre 12, que não chegou a apreender ninguém pois após a derradeira ultima musica após a chegada a banda se prontificou em recolher rapidamente os equipamentos e se mandar. Só não entendi a necessidade e o porque de uma espingarda calibre 12 para que se encerre um show na rua. Talvez mais uma musica seria motivo para uma chacina, hobby favorito desta corporação que cada vez mais afunda-se em corrupção, violência e fascismo.

Adentrando ao ego club novamente, toma o palco a galera do movimento Passe Livre, para fazer uma palestra bem bacana sobre as lutas contra o aumento da passagem e a nova bandeira de combate do movimento: Mobilização pela tarifa Zero. Numa das postagens anteriores, cheguei a dizer que a luta tinha cessado... E fiquei muito contente em saber que aquela pequena fagulha de fim de fogueira não era um insucesso de fogo de palha, mas sim o início de uma grande chama de luta que cada um deve acender em si mesmo e chamar para si mesmo a responsabilidade de fazer valer a sua insatisfação contra esse sistema de transporte podre e totalmente dominado por empresários mafiosos. A tarifa zero se apoia no argumento Plausível de que: escola e hospital público são gratuitos, porque o transporte também não? Foi explicado minuciosamente porque vale a pena aderir á esta luta. Encantado com a palestra e com a atenção do publico que cobrava aos falantinhos de plantão que se calassem para não atrapalhar o andamento da palestra ( Tenta fazer palestra ou outra intervenção que exija atenção em Gig Punk...), testemunhei uma cena que vai gerar polemica, mas não posso deixar passar.

Estava eu encostado no balcão da lanchonete do evento saboreando um delicioso Hamburguer de soja (se eu falei delicioso é porque é bem feito, e não uns treco horrível de soja que vendem por aí) e enquanto isso o palestrante abre espaço para perguntas e/ou sugestões. Um garoto pede a palavra e sugere que o povo também reivindique a utilização das vias publicas para outros meios de transportes alternativos (afinal, planejaram as ruas para os carros, muito bem pensado), como Bicicleta, Skate, jegue, Cavalo... E quando ele falou no Cavalo uma gritaria de repreensão ecoou no ambiente, a palavra devidamente retirada do garoto e passada a outra pessoa. Eu encostado no balcão ouvi um buchicho de um perguntando pro outro atrás do balcão algo como “Quem foi que falou que cavalo é transporte?”, sendo respondido com “Aquele garoto ali de blusa preta da banda XPTO” (preservo o nome da banda pois foi aquilo que identificou o garoto). Tá certo que o cavalo sendo utilizado como transporte sob o ponto de vista dos vegans defensores dos animais é visto como exploração e com argumentos que provem que é fato o que se diz, ok. Mas o garoto foi infeliz em dizer aquilo, por mais que ele estivesse num ambiente que 90% das pessoas compartilhem dos mesmos ideais o mesmo não fez por mal, talvez não esperasse tal reação adversa ou não mediu as palavras (coisa difícil em calores de discussões, onde o raciocínio é apenas rápido e não lógico), por mais que ele disfarçasse e demonstrasse naturalidade, era visível o constrangimento que ele sentia naquele momento e os buchichos ouvidos por mim lembraram muito os pregos briguentos do role que ao ver alguém “suspeito” falam a mesma coisa antes de partir pra violência. Se o principio é liberdade e vendo que o garoto tinha boas intenções apesar dos Cavalos e Jegues, a repreensão não era necessária e se fosse questão de mostrar que aquela declaração não era de acordo com o ideal compartilhado pela maioria, que se fizesse isso de maneira amigável, fazendo um esclarecimento e apresentando o argumento do porquê daquilo.

Polemicas a parte, O periferia S/A subia no Palco para detonar um showzão ferrado! Não sou muito fã de periferia S/A e nem muito entusiasta de banda “Grande”, por serem considerados tão “Punks” e ao mesmo tempo tão distantes de nossa realidade, Mas esse show foi muito foda! Como eu estava de ressaca e já com umas pinga do bar do lado na cabeça (e ai de quem me barrasse na porta), mal dormido e cansado, assisti civilizadamente parado, amparado pelo balcão do buchicho comendo coxinha de soja e tomando mupy , mas minhas tripas pogaram por mim. Mesclaram musicas presentes no CD do periferia S/A com velhos clássicos do RDP, que fez o Ego Club ir abaixo. E no finalzinho, Atiçaram a galera com o início de “periferia”, mas só instigaram e saíram fora. Primeira pergunta de duas que fiz em menos de vinte minutos: Por quê o Periferia S/A NÃO toca na PERIFERIA? Talvez respondam dizendo que é porque Ninguem Chama, mas quem chama tem condições de fazer um som nos critérios exigidos de cachê e aparelhagem: Não tem ou se tem é precário. Se faz uma correria enorme atrás do que é exigido pela banda, se gasta uma puta duma grana, se cobra um preço alto em locais que dois reais são caros pra maioria dos “Punks’, se toma um prejuízo e ainda se aguenta a porra da banda “de nome” falando merda no seu ouvido e reclamando da “falta de profissionalismo” de quem jurava que sua banda favorita tinha postura e podia ser chamada de punk, ainda que com um pé atrás...

Como o cólera iria começar e eu não suporto esta banda, que foi a minha maior decepção que VI e senti – no coração e no bolso - (e já foi minha banda favorita, mas por praticarem coisas como acabei de mencionar entre outras presepadas muito piores, perdeu meu respeito) até cogitei a possibilidade de ir embora, mas lembrei que tem o jantar vegan no fim da Festa! Decidi permanecer ali mesmo tendo que ver aquela coisa no palco (e pessoas que idolatram aquilo – por isso que os bastidores da cena nos revelam coisas que fazem nossa convicção e radicalismo aumentar), mas esperando o rango sair! Mas como todo som Punk que se preze, tinha que ter goró. Mas Verdurada não é lugar de bebida alcoólica e me refugiei por uns minutos no bar do lado, chegando a fazer a noiazice de pagar R$ 3,50 numa dose de maria mole, e depois serrar umas brejas dos igualmente beberrões amigos meus. Daí vem a segunda pergunta de duas que fiz em menos de vinte minutos: Por quê o João Gordo NÃO Pagou pra entrar? O cara chega com a comitiva dele e chega entrando como se estivesse adentrando seu banheiro... sendo que ele tem dinheiro pra pagar a entrada de todo mundo lá dentro e ainda dois hamburguers vegans para cada um (e não diga que não tem...). A resposta: Ele é o João Gordo, Oras... Admiro muito esse figurão, mas ele tinha que pagar a porra da entrada e pronto!

Depois de quase uma hora resistindo bravamente ao show do Cólera, com pessoas tendo orgasmo em cada música que era executada e com vários discursinhos incentivando o “ Faça você mesmo”, que não é suficiente prum show deles rolar (Pague você mesmo e vai chamar pra tocar com aparelhagem “faça você mesmo” pra ver se eles tocam...). Qualidade indiscutível do show, da técnica, do profissionalismo da banda, massss... não desce. Os primeiros felizardos apareciam com os pratinhos com o rango... e lá vai eu afoito correndo pra fila da fome que se formava na calçada!

O jantar (que não falo o que era por não saber os nomes dos pratos vegans – só sei que tinha arroz) estava Delicioso, e ainda ganhei um Mupy! Ótimo presente e Grand Finale prum exemplo de evento que é a verdurada, apesar das coisinhas que sinalizei. Nenhuma briga, incidente ou acidente. Acho que será muito, muito difícil eu relatar que houve briga na verdurada. Ser maloqueiro é legal, concordo. Mas na hora certa! Quando se trata de evento, de cultura, de divulgação de ideias, o maloqueirismo tem que dar lugar sim á consciência, coisa que garante um evento de sucesso, com respeito e reconhecimento na cena. Afinal de contas, os que avacalham os sons achando-se os mais punks do mundo quando não tem nada pra fazer ficam se lamentando que naquele fim de semana não tem um som pra ir... Até poderia ter, se quem organiza não ficasse de saco cheio.

Enfim: Parabens á verdurada, a longa vida da iniciativa se justifica. E na próxima vez, coloquem a banda de death metal da calçada pra tocar...